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Peso "normal" nem sempre indica boa saúde e há sinais para ficar atento

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Uma vida saudável nem sempre está diretamente relacionada com o ponteiro da balança imagem: Getty Images

Carol Salles

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Se você ainda acha que só tem colesterol alto quem está acima do peso e que anemia é um mal exclusivo dos magrelos, é hora de entender mais sobre saúde. Hoje sabe-se que males antes comumente relacionados a obesos ou magros extremos podem acometer quem está dentro da faixa de peso considerada normal — ou seja, aqueles que possuem um IMC (Índice de Massa Corporal) entre 20 e 25. 

O IMC é um parâmetro numérico obtido ao se dividir o peso pelo quadrado da altura. (se não sabe qual é o seu, existem inúmeras calculadoras online que fazem a conta para você). No entanto, mesmo que você esteja dentro do parâmetro considerado normal, ainda não é hora de respirar aliviado. “O tecido adiposo é um dos grandes vilões. Ele pode se acumular entre as vísceras e não deixar ninguém gordo, mas metabolicamente doente. A gordura se deposita onde não deve, aumentando o risco de uma série de doenças”, diz o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Por isso, um bom indicador, além do IMC, é a medida da circunferência da cintura. Ela deve ser de até 80 cm na mulher e até 94 cm no homem (embora alguns médicos usem outro parâmetro: 88 cm para a mulher e 100 cm para os homens). Doenças relacionadas à magreza, como anemia, também podem ocorrer em pessoas com o peso normal. 

É o caso da assessora de imprensa Neila Carvalho, 38 anos e IMC de 21,6. “Comecei a sentir muita tontura ao me levantar da cama, fraqueza e falta de energia,” conta. “Minha ginecologista pediu uma série de exames e acabou descobrindo uma anemia. Meu ferro caía em progressão muito rápida. Comecei um tratamento, mas só descobri a causa alguns meses depois: o alto fluxo de sangue que eu perdia na menstruação devido a uma endometriose”, relata. 

Fique atento aos seguintes indicativos

  • Menopausa

    Na mulher, a gordura se deposita principalmente nos glúteos e quadris, o que não é considerado fator de risco. No entanto, com a queda da produção de estrógeno (o hormônio sexual feminino), a gordura deixa de se concentrar nesses locais e acaba se acumulando nas vísceras, aumentando a chance de doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão.

  • Cansaço extremo, queda de cabelo, baixa imunidade

    Difícil encontrar quem não se queixe de cansaço hoje em dia. No entanto, se ele parecer exagerado, maior do que o normal, e vier acompanhado de outros sintomas como falta de energia, baixa imunidade, acenda o alerta vermelho: pode ser algum tipo de anemia causada pela deficiência de nutrientes essenciais, como o ferro ou a vitamina B12 (que pode acometer quem não ingere carne vermelha ou faz uso de omeprazol, um medicamento anti-ulceroso).

  • Má alimentação

    Comidas industrializadas são práticas e facilitam a vida. No entanto, são repletas de sódio, gorduras e açúcares, entre outros componentes, que, a longo prazo, podem trazer malefícios à saúde, como aumento do colesterol, hipertensão e diabetes. "Há outro agravante: nossa flora intestinal é naturalmente alterada e já não absorve tão bem vitaminas e outros nutrientes quanto no passado. Portanto, é perfeitamente possível estar no peso normal, mas pouco provido de nutrientes", diz o endocrinologista Wilmar Accursio, de São Paulo (SP). E vale aqui uma ressalva: a palavra-chave é equilíbrio. Como lembra a nutricionista Kátia Melo, uma dieta que privilegie o consumo de frutas em excesso, por exemplo, também pode ser danosa. "Frutas também possuem carboidrato, que vira glicose depois de ingerido. Assim, podem elevar o nível de açúcar no sangue a ponto de aumentar o risco de diabetes, por exemplo", explica.

  • Sedentarismo

    Não é segredo que se exercitar com regularidade faz bem para a saúde como um todo. No entanto, para realmente tirar o melhor proveito da atividade, inclua a musculação na rotina. "A prática ajuda o metabolismo a funcionar da maneira correta", diz Paulo Rosenbaum. Isso porque, ao contrário da gordura, é a chamada massa magra que, por exigir gasto calórico, mantém o metabolismo acelerado e ajuda a se livrar da gordura em excesso. Gordura "parada" favorece o aumento do colesterol, e atrapalha o funcionamento do fígado e do coração, entre outros males. Além disso, dá para colocar nessa conta também o tabagismo e o alto consumo de bebidas alcóolicas como fatores que predispõem ao risco de doenças em quem está com o peso normal.

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