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por Chandler Burr, do "The New York Times" *

20/08/2008 - 17h01

Fragrância L'Eau d'Issey, de Issey Miyake, foi uma revolução de sua época

The New York Times

3

Nome: L'Eau d'Issey
Criador: Issey Miyake
Avaliacao**:


De tirar o fôlego

Assim como o aço permitiu o surgimento dos arranha-céus, a descoberta do laboratório Pfizer em 1966 de uma nova molécula chamada metil-benzodioxepinona permitiu a criação de aromas oceânicos nos anos 1990. A molécula, chamada comercialmente de Calona, tem um aroma marítimo fresco. L'Eau d'Issey, criado pelo perfumista Jacques Cavallier em 1992 para Issey Miyake, faz uso paradigmático da molécula.

Simplificado ao extremo, e tão linear quanto um perfume consegue ser ("linear" neste caso significa que você sente exatamente o mesmo cheiro do momento em que passa ao fim do dia, quando o remove), L'Eau d'Issey originou toda a subdivisão dos perfumes oceânicos.

Na verdade o crédito lhe é dado - e é provável que corretamente - junto com alguns outros grandes sucessos (cKOne, Cool Water), com o lançamento do fenômeno internacional que foi, nos anos 90, a definição da fragrância: o cheiro da brisa do oceano em uma praia bacana que agita as algas no mar e arrebata pela perfeição natural.

Mesmo hoje? Os oceânicos, que costumavam ter cheiro excitante, agora estão datados. Na verdade, esta sempre foi uma brisa que assiduamente evitava a menor alusão a qualquer coisa natural: não há peixes neste oceano, não há madeiras flutuantes e em processo de decomposição nesta praia de foto de calendário, não há fumaça saindo da fogueira. Na verdade não há sinais de vida humana, ou de qualquer tipo de vida.

L'Eau d'Issey sempre foi uma brisa do oceano que se podia observar através de uma tela de plasma em alta definição: é a sensação - através do plástico, do vidro e dos componentes eletrônicos -, mas não a experiência real. Há um modo de expressar isso, tão diplomático quanto preciso: L'Eau d'Issey foi uma revolução na sua época, foi magistralmente criado, e pode ser que sua utilidade estética esteja chegando ao fim.


L'Eau d'Issey
Issey Miyake
www.isseymiyake.com

Tradução: Erika Brandão

* Sobre o autor

O crítico de perfumes é autor de "O Imperador do Olfato: Uma História de Perfume e Obsessão" (Companhia das Letras), de "The Perfect Scent: A Year Inside the Perfume Industry in Paris and New York" e do recém-lançado romance "You or Someone Like You", (ambos sem tradução no Brasil).

** Legenda da avaliação

Não respire
Inofensivo
Perfeitamente Inalável
De tirar o fôlego
Quase uma plástica no nariz
Transcendente

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