Diptyque é uma perfumaria de vanguarda e definitivamente chique de Paris, cujos perfumes e velas ultrapassam limites, correm riscos e fazem algumas das coleções mais interessantes do mundo. O incrível perfume
Philosykos, criado em 1996 por Olivia Giacobetti, é frequentemente creditado como gerador da onda do figo do final dos anos 90.
Eau de Lierre é fascinante,
Olene é maravilhosamente estranho e
L'Ombre dans Eau não é só estranho, mas estimulantemente repulsivo.
The New York Times  A água-de-colônia L'Eau des Hesperides, da Diptyque |
Contra a corrente dos lançamentos que seguem pesquisas de mercado, a Diptyque mapeou, com convicção, territórios inacessíveis e não comerciais, e o fez com brilhantismo. É por isso que o trio de águas-de-colônia parece bizarro no começo.
Uma água-de-colônia - as águas com cheiro dos séculos 17 e 18, cuja fórmula básica de limão, laranja, especiarias e ervas, nos levaram à perfumaria moderna - é o equivalente olfativo do sorvete de baunilha. Dá para usar. Mas, pra que? Para a Diptyque, que produz não uma, mas três águas-de-colônia, a explicação é simples. O primeiro perfume da Diptyque, criado pelo perfumista Norbert Bijaoui em 1968, foi uma água-de-colônia, chamada
L'Eau de Diptyque. A Diptyque sempre foi obcecada tanto pela sua pureza como pelo mito: uma fixação narcisista e insalubre que fez com que a maison tentasse esconder a identidade de seus perfumistas. A Diptyque alegava que o fundador inglês Desmond Knox-Leet havia criado o perfume. Não criou. Knox-Leet era pintor e um excelente diretor criativo de perfumes.
Em 2008, uma Diptyque muito mais saudável apresentou suas três águas-de-colônia através do perfumista que as construiu, o talentoso Olivier Pescheux. "A inspiração para
L'Eau foi o pot-pourri: gerânio, lavanda e patchouli," afirmou Pescheux no loft onde fica a Diptyque de Nova York.
O primeiro dos três se baseia no
L'Eau de 1968, e se chama, apropriadamente,
L'Eau de l'Eau. Sua estrutura é "clássica", um eufemismo para tradicionalista - que por si é um modo de suprimir a idéia de clichê, como o perfume tenta fazer. A segunda é
L'Eau de Neroli.
Mas é a terceira,
L'Eau des Hesperides, que mostra do que a Diptyque é capaz com uma simples água-de-colônia. Foi do mítico Jardim das Hespérides que Hércules roubou três frutas de ouro (para os gregos foram laranjas, não maçãs), e a essência cítrica está no coração de qualquer água-de-colônia. Aqui, Pescheux usou óleo de laranja, óleo de hortelã e immortelle, uma flor que traz uma combinação surpreendente de pêssego e damasco, chá verde e corpo humano. O resultado é um exercício que transcende o gênero. Este é um perfume essencial da Diptyque: obscuro, taciturno, bizarro, deliberadamente inacessível, misterioso, notável e que insiste em mostrar sua personalidade. Imagine o cheiro de um consultório odontológico (historicamente, os dentistas usavam cravo, e o cheiro ficou desde então), só que despertando desejos.
E este é só o seu cheiro. A maioria das águas-de-colônia desaparece tão rapidamente quanto um raio. Pescheux, com experiência técnica espantosa, criou uma água com excelente fixação na pele. Ele permanece, se prova estável e se difunde com perfeição.
L'Eau des Hesperides vai ter fãs e difamadores, mas ele, com brilhantismo, expande tanto o gênero quanto a coleção da Diptyque.
L'Eau des HesperidesPor Diptyque
www.diptyqueparis.com/Tradução: Erika Brandão