UOL Estilo UOL Estilo

por Chandler Burr, do "The New York Times" *

02/10/2009 - 07h20

Yuzu Rouge, da marca 06130, é um dos melhores perfumes modernistas no mercado

Nome: Yuzu Rouge
Criadora: 06130
Gênero: Feminino
Avaliacao**:


Quase uma plástica no nariz

Todas as artes se influenciam mutuamente: as formas da arquitetura aparecem na pintura, a estética da pintura é refletida na música, a música molda o cinema, as imagens do cinema podem ser lidas na literatura contemporânea.

Divulgação

Divulgação

O perfume Yuzu Rouge, da marca 06130



Os perfumes possuem estruturas, assim como prédios, e os perfumes vão ao cinema, leem, visitam museus e, como todos os artistas, costumam olhar para o que os outros artistas andam fazendo. Não é de surpreender, portanto, que muitos perfumistas, assim como muitos arquitetos, tenham absorvido os preceitos modernistas do começo do século 20: eliminar a ornamentação, simplificar as linhas, derivar a forma de materiais naturais, modernos e tecnológicos.

Yuzu Rouge, da marca 06130 (o nome vem do código postal de Grasse, na França), é um dos melhores perfumes modernistas no mercado. O perfumista Raphael Haury, sob a direção criativa de Nicolas Chabert, da 06130, criou o equivalente olfativo ao seminal Lever House, o arranha-céu que é uma caixa de vidro e que fica na Park Avenue, em Nova York.

Vinte e quatro andares de vidro azul esverdeado resistente ao calor e pele de vidro de aço inoxidável escondem a estrutura do prédio sob uma casca suspensa e brilhante. Este é o trabalho icônico da empresa Skidmore, Owings e Merrill, no seu melhor momento. Parada obrigatória em qualquer visita a NY, o prédio se encontra em oposição direta ao Seagram Buliding, de Mies van der Rohe (um bônus para o visitante), e seu estilo ajuda a definir a arquitetura do século 20.

Haury, assim como todos nós, absorveu este ícone estético e criou um perfume igualmente reluzente, coberto por um vidro clara e astutamente simples. A fragrância de Yuzu Rouge nos remete à sensação de um mergulho em uma piscina de água fresca, quase fria.

Suas matérias-primas (cassis, verbena, pomelo) estruturam-se com clareza cristalina, livres de qualquer esqueleto perceptível para sustentá-los, e você logo sente um cheiro que tanto é reconhecível (referências cítricas e refrescantes à natureza), quanto maravilhosa e espantosamente abstrato e modernista, como o cheiro do ar em um primevo porém novo terminal de aeroporto. O perfume parece flutuar, ter mais leveza que aroma.

Como a maioria dos seus pares, ele é um tanto fugaz e se difunde loucamente por 15 minutos, depois se transforma em um murmúrio cativante de erva-cidreira e chá. Basta reaplicá-lo para recarregar seu brilho angular.

Tradução: Érika Brandão

* Sobre o autor

O crítico de perfumes é autor de "O Imperador do Olfato: Uma História de Perfume e Obsessão" (Companhia das Letras), de "The Perfect Scent: A Year Inside the Perfume Industry in Paris and New York" e do recém-lançado romance "You or Someone Like You", (ambos sem tradução no Brasil).

** Legenda da avaliação

Não respire
Inofensivo
Perfeitamente Inalável
De tirar o fôlego
Quase uma plástica no nariz
Transcendente

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host