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por Chandler Burr, do "The New York Times" *

09/10/2009 - 09h00

Purple Patchouli, da Tom Ford Private Blend, é um brilho na perfumaria artística

Nome: Purple Patchouli
Criadora: Tom Ford Private Blend
Gênero: Masculino
Avaliacao**:


Quase uma plástica no nariz

O perfumista Dave Apel tem uma das assinaturas artísticas mais distintas na perfumaria da atualidade. Assim como Mozart e Radiohead (é possível reconhecê-los instantaneamente ao ouvir suas músicas), os perfumes de Apel carregam uma impressão digital.

Divulgação

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O perfume Purple Patchouli, da marca Tom Ford Private Blend



Essa marca costuma ser direta e angular. Dono de uma visão própria, Apel parece inclinado a deixar a suavidade difusa para os outros.
Seu Black Orchid para Tom Ford é um estudo sobre a surpresa do perfeito glamour retrô, tão sutil quanto um punho cerrado e envolto por uma luva de veludo 7/8; seu Greenify para M.A.C é um trabalho espantoso de arquitetura modernista do perfume; e Unforgivable, para Sean John, tem a crueza necessária para um perfume do universo do hip-hop.

O Wall Street de Apel para a marca de Nova York Bond no. 9 simplesmente desamassa a superfície do terno de lã cinza da masculinidade e esconde a testosterona corporativa por baixo de tudo.
Aqui, Ford contratou Apel para criar o Purple Patchouli, que Apel construiu sob a direção criativa de Ford (o perfume faz parte da coleção Private Blend do estilista).

Ele é, ao mesmo tempo, um trabalho de Apel e um brilho na perfumaria artística. Apel e Ford decidiram fazer o que se conhece na música como pastiche: uma nova canção composta em um estilo antigo (uma balada dos anos 70, um número burlesco dos anos 20?).

Este é o rastro olfativo do patchouli durante uma viagem de ácido em 1968, refinado e retrabalhado para ser uma fragrância colossal e que se transforma em algo maravilhoso: o perfume que Jimi Hendrix usaria enquanto ostenta um dos ternos de silhueta ultra-longilínea de Ford.
Pegue o suor (há aqui o cheiro de um homem em um mergulho pelo centro da cidade na alta madrugada), o caráter selvagem do animal (Apel ressaltou características da falta de banho), o volume do amplificador em um show, e coloque isso tudo dentro de um terno de corte europeu e lã italiana feito à mão de 4 mil dólares.

É disso que se trata o perfume.

Tradução: Érika Brandão

* Sobre o autor

O crítico de perfumes é autor de "O Imperador do Olfato: Uma História de Perfume e Obsessão" (Companhia das Letras), de "The Perfect Scent: A Year Inside the Perfume Industry in Paris and New York" e do recém-lançado romance "You or Someone Like You", (ambos sem tradução no Brasil).

** Legenda da avaliação

Não respire
Inofensivo
Perfeitamente Inalável
De tirar o fôlego
Quase uma plástica no nariz
Transcendente

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