Pele

Protetores solares para uso diário combinam ativos antioxidantes, hidratantes e até clareadores

DANAE STEPHAN

Colaboração para o UOL

Nos últimos anos, a proteção solar passou a fazer parte do dia a dia das pessoas, especialmente das mulheres. É difícil encontrar um creme hidratante, uma base ou até um batom que não tenha algum grau de FPS.

Nem sempre, porém, este fator de proteção embutido em vários cosméticos é suficiente como prevenção anti-envelhecimento. Primeiro, porque a quantidade aplicada pode não ser a ideal para uma boa cobertura da pele. Segundo, porque os filtros usados são, em sua maioria, anti-UVB. "Falta a esses produtos a proteção contra raios UVA, principais responsáveis pelo envelhecimento da pele", diz a cosmetóloga Lucienne de Souza.

Mas usar protetor solar todo dia não é um exagero? "A taxa de radiação ultravioleta A é constante o dia todo, e o ano todo também", afirma o dermatologista Marcelo Bellini, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e professor de MBA em Cosmetologia. Essa radiação é responsável por até 90% do envelhecimento cutâneo.
 
Para o dermatologista, até o uso noturno é válido, já que computadores, assim como lâmpadas fluorescentes, também emitem radiação ultravioleta. Quem trabalha em escritório deve reaplicar pelo menos uma vez, de preferência antes de sair para o almoço. Quem trabalha na rua, mais exposto, deve reaplicar a cada duas horas.
 
Múltiplos efeitos
Mais do que proteger a pele do sol, os novos protetores acumulam outras funções. "Todo tempo, novos ativos estão sendo desenvolvidos, mas a grande tendência é associar antirradicais livres aos fotoprotetores", afirma a dermatologista Alessandra Haddad. Um dos mais comuns é a vitamina E, que ainda potencializa o efeito protetor, uma vez que estabiliza as moléculas do filtro solar. Coffe skin, vitamina C, retinol e alistin são outras substâncias usadas para estimular o colágeno e prevenir o envelhecimento.
 
Alguns produtos prometem até clarear a pele. "É o caso dos protetores que associam derivados de soja na fórmula, que diminuem o acúmulo do pigmento no local. Outros contém clareadores clássicos, como ácido kójico ou fítico, que inibem a formação da melanina", diz Bellini.
Outro diferencial dos protetores para uso diário é sua textura. Eles são normalmente mais leves, têm toque seco e não entopem os poros. "Temos fórmulas tão avançadas hoje, que é como se estivéssemos usando um hidratante comum", diz Lucienne. A diferença é o tamanho dos polímeros dos ativos usados nas fórmulas. Quanto menor, mais confortável -- e também mais caro. É só por isso que esses protetores são mais indicados para o rosto, para uso na cidade. "Eles são tão bons e tão estáveis quanto qualquer protetor corporal, mas na praia, onde temos que proteger o corpo todo, pode-se usar um produto mais barato", diz Lucienne.
 
Mais UVA, por favor
Além dos ativos antioxidantes e hidratantes, é preciso verificar na embalagem o fator de proteção contra os raios UVA, que passam pelos vidros e penetram profundamente na derme. Com a exposição frequente a esses raios, as células são danificadas e vão perdendo sua capacidade de produzir colágeno. Na última década, pesquisas têm relacionado os raios UVA também ao aparecimento de alguns tipos de câncer de pele.
 
Segundo as normas de fotoproteção europeia, o PPD, que mede a proteção UVA, deve ser pelo menos 1/3 do FPS. O problema é que cada fabricante usa uma nomenclatura para indicar esse fator. As mais comuns são:
 
- cruzinhas: vai de uma (+) a quatro cruzinhas (++++)
- PPD: deve ser um terço do FPS (exemplo: um FPS 45 deve ter um PPD 15)
- selo Colipa (associação que regula os cosméticos na Europa): informa que o produto contém uma proteção UVA eficiente
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