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Tratamentos redutores de medida funcionam, mas exigem manutenção

Carlão Limeira / UOL
Adriane Galisteu se prepara para entrar na Sapucaí (06/03/2011): a apresentadora aliou tratamentos redutores de medida a dieta e corrida imagem: Carlão Limeira / UOL

ISABELA LEAL

Colaboração para o UOL

Foi-se o tempo em que os tratamentos estéticos eram indicados apenas para melhorar os resultados das cirurgias plásticas. De anos para cá, eles deixaram de ser complementares para agir como o procedimento principal. Hoje, têm como objetivo reduzir medidas, diminuir a gordura localizada, amenizar flacidez, melhorar o contorno corporal ou tratar a celulite. Apesar dos avanços tecnológicos nesta área estética, os procedimentos não são indicados para todo mundo, os efeitos variam de pessoa para pessoa e podem ter data de validade.  “Os tratamentos costumam ter bons resultados, mas precisam ser bem indicados”, diz o dermatologista Adilson Costa, chefe do Ambulatório de Dermatologia Estética e Pesquisa Clínica da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp). “Pacientes com sobrepeso elevado, com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 25 não são beneficiados por esses procedimentos”, diz o médico. “De fato, não vai funcionar para um paciente que precisa emagrecer 20 kg, por exemplo. O resultado é proporcional a uma indicação adequada e viável”, concorda o dermatologista Jardis Volpe, de São Paulo, membro da Sociedade Americana de Dermatologia.

“Quanto maior a quantidade de gordura, menos visível será o efeito. Quando a pessoa está até cinco quilos acima do peso, é possível obter bastante resultado. Esses tratamentos funcionam muito bem para quem está até dez quilos acima do peso, embora seja relativo. É preciso avaliar outros aspectos além do peso como, por exemplo, o tipo de gordura”, lembra a dermatologista Marcela Studart, do Rio de Janeiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Em relação às regiões do corpo que podem ser beneficiadas pela tecnologia, as mais críticas como abdômen, parte interna da coxa, flancos (pneuzinhos) e a gordurinhas das costas (aquelas que ficam na linha do sutiã), geralmente, respondem bem aos procedimentos.

Mecanismo de ação dos equipamentos

A gordura localizada pode ser atacada de três formas: pela quebra das células de gordura, pelo murchamento destas mesmas células ou por inflamação local.

A lipólise, que é a quebra da gordura, normalmente é feita com aparelhos que utilizam ultrassom focado de alta potência, que deixa a gordura mais fluida levando ao seu rompimento, caso de aparelhos como o UltraAccent e o UltraContour. A inflamação é provocada por um resfriamento excessivo da região (Criolipólise) – a área atingida não resiste e acaba sendo necrosada. “Esse processo se chama paniculite, uma inflamação extrema que resulta na morte das células adiposas atingidas”, diz Volpe. O terceiro mecanismo para destruir a gordura ocorre por meio do murchamento das células de gordura, efeito facilmente alcançado com os métodos de aparelhos com o Thermage e VelaShape, que utilizam a radiofreqüência – ondas eletromagnéticas que têm uma frequência própria e, ao atingir os tecidos adiposos, se transformam em calor, causando uma redução dos mesmos. “Imagine um cacho de uvas frescas. Ele tem um determinado tamanho, mas depois de ser desidratado, é bastante reduzido. É isso que acontece quando as células de gordura murcham, elas reduzem de tamanho. Esteticamente isso significa medidas menores e menos gordura localizada”, exemplifica Volpe. “Os tratamentos feitos com sucção por vácuo, como o VelaShape, além de tudo ainda melhoram o contorno corporal, já que esse mecanismo estimula o colágeno e provoca uma retração dos tecidos. Nesses casos, a perda de medida é mais discreta, mas é possível melhorar bastante o contorno”, destaca Marcela Studart.

 

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    Variáveis como tipo de gordura (recente ou antiga), sobrepeso e presença de celulite interferem no resultado dos tratamentos para diminuição de medidas

Quanto se perde e por quanto tempo

É impossível quantificar quantos centímetros se perde em um tratamento desses ou quanto se reduz de gordura localizada. Tudo vai depender do quanto se tem para perder, do número de sessões, se a gordura é recente (proveniente de uma viagem, por exemplo, ou de alguma outra influência momentânea), se a gordura é antiga (acumulada ao longo de anos, como a de pessoas que estão muito tempo acima do peso), se há sobrepeso, se tem celulite: são muitas as variáveis que interferem no resultado. “Uma pessoa magra com gordura localizada no baixo abdômen, por exemplo, pode perder até 4 cm em um sessão com o Ultracontour”, afirma Marcela. Na prática, os benefícios são muito individuais, depende do organismo, dos hábitos e do quanto se deseja perder. Isso influi até no número de sessões indicadas e no intervalo entre elas.

Alguns médicos costumam conciliar dois tipos de procedimentos durante o tratamento, a fim de garantir melhores resultados e mais rapidez. “O segredo de sucesso de um tratamento é associar dois métodos. Combinar uma tecnologia que quebra a gordura localizada com outra que reduz as células adiposas é perfeito. O tempo de tratamento é menor e o resultado é mais rápido e mais eficiente”, acredita Jardis Volpe. A atriz e apresentadora Adriane Galisteu viveu isso na prática e se beneficiou do mix de técnicas. “Conciliei quatro métodos, fiz nove sessões em dois meses e perdi oito centímetros de cintura, assim que eu deixei de amamentar, quatro meses depois do parto. A flacidez abdominal proveniente da gravidez também melhorou muito”, conta ela. “Mas tenho certeza de que não chegaria a estes resultados se não tivesse feito uma dieta rigorosa de controle de calorias e corrida”, admite Adriane. Concorda com ela a colega Guilhermina Guinle. “Eu costumo fazer aplicações esporádicas de três métodos, não consigo marcar sessões regularmente. E já aprendi: não existe milagre. É um conjunto de atitudes que traz o benefício: os procedimentos ajudam, mas é preciso fazer dieta e exercícios. Por outro lado, o fato de se propor a fazer um tratamento desses acaba condicionando a rotina a bons hábitos, sem dúvida”, acredita a atriz.

Quando o assunto é manutenção dos benefícios, ou seja, quanto tempo vai durar o ‘novo corpo’ conquistado durante o tratamento, os médicos são unânimes. “O resultado dura enquanto durar a disciplina. É preciso fazer dieta, praticar exercícios e complementar com cosméticos tópicos, principalmente os que contêm retinóides em sua fórmula, como cafeína e carnitina. Não há tratamento que seja infalível, mas os benefícios alcançados podem permanecer por mais tempo quando ocorre uma transformação nos hábitos de vida”, esclarece Adilson Costa, da PUCCAMP. “Não adianta depositar todas as expectativas nesses aparelhos se não fizer regime e atividade física. Mas sem dúvida o tratamento é um estímulo para alcançar os resultados que desejamos. Vale a pena, principalmente para quem tem autocontrole e consegue se policiar”, conclui Galisteu. “O mais difícil mesmo é a manutenção. Mas isso acontece também com dieta, cirurgia, lipoaspiração. Se não se mantém uma disciplina e as tentações sob controle, as chances de perder os resultados obtidos aumentam. É como qualquer outro procedimento”, complementa Marcela Studart.

“As pessoas querem resultados rápidos e milagrosos, mas isso não existe. Para manter os benefícios de um tratamento estético como qualquer um desses citados, é preciso ter autocontrole e se cuidar. As atividades físicas não podem ser intensas, para não aumentar a fome. Exercícios moderados são mais indicados. Os cosméticos tópicos, bons aliados no período pós-tratamento, devem conter silício (porque favorecem a penetração dos ativos) e permanecer na pele por pelo menos 9 horas. Não adianta aplicar e tomar banho três ou quatro horas depois, por isso é melhor aplicar à noite”, lembra Volpe.

Afinal, para onde vai a gordura?

A eliminação dessa gordura que é destruída ou retirada das células (como é o caso dos procedimentos que murcham os adipócitos) com a ajuda dos aparelhos é feita através de um processo fisiológico normal. “A gordura fragmentada cai na linfa, depois na corrente sanguínea e é metabolizada pelo fígado”, afirma Adilson Costa. “A quantidade de gordura quebrada nesse processo não é significativa para representar risco à saúde. É uma porção pequena, o organismo consegue facilmente eliminar”, complementa Volpe. “Mas é sempre bom dar uma reduzida nos alimentos ricos em gordura, principalmente um dia antes e um dia depois do procedimento, para não sobrecarregar o fígado. Aumentar a ingestão de líquido também é indicado para facilitar a drenagem diurética”, ressalta a médica carioca Marcela Studart.

Solução para entrar naquele vestido

Se a ideia for se submeter a esses procedimentos para ir a uma festa, ser madrinha de um casamento ou simplesmente arrasar em um encontro especial, saiba que os resultados imediatos funcionam quando a necessidade do momento não requer uma perda significativa. Caso contrário, é preciso esperar pelo menos quinze dias. “A sessão de Ultracontour é a que mais funciona para os casos urgentes, desde que não seja necessária uma perda muito grande. Uma aplicação reduz bem, disfarça a barriga, alivia inchaço e dá aquela sensação de estar mais fina. É possível perder até dois centímetros por área do corpo e dá uma diferença visual grande”, acredita a dermatologista Marcela. “A maioria dos procedimentos tem sessões semanais. Sendo assim, o tempo mínimo para um resultado visível seria de uma semana a 15 dias, para pessoas magras com gordura localizada em algumas regiões, já que há procedimentos que continuam fazendo efeito mesmo depois de terminada a sessão”, conta Volpe.

Por outro lado, nem vale a pena fazer alguns tratamentos se a necessidade for de momento. “É o caso do Thermage, que tem ação imediata discreta. Seu efeito redutor começa pra valer depois de quatro semanas e dura até seis meses. Mas para ele ser adequado é importante ter flacidez associada porque além de reduzir gordura, ele retrai a pele. É um tratamento indicado para flacidez pós-parto, magras flácidas e pessoas que emagreceram muito”, justifica o médico.

Contra-indicação

De modo geral esses tratamentos não representam riscos à saúde, com exceção de pacientes que sofrem de problemas hepáticos, renais ou que têm cirrose: nestes casos, é grande a chance de sobrecarregar o fígado e ter complicações. “Pessoas com câncer e diabetes também não devem se submeter a esses procedimentos”, alerta Volpe. “Grávidas, portadores de marca-passo, quem tem colesterol muito elevado e gordura visceral também devem evitar”, avisa Adilson Costa.

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