Beleza

Leve ou encorpada: escolha a fragrância de seu perfume de acordo com o clima de sua região

Montagem UOL/Divulgação
Temperaturas mais baixas permitem o uso de perfumes mais encorpados e quentes imagem: Montagem UOL/Divulgação

ISABELA LEAL

Colaboração para o UOL

A mudança das estações promove transformações também em nosso estado de espírito. No verão nos sentimos mais expansivos, no inverno, mais introspectivos, na primavera, as flores por toda a parte trazem uma onda de esperança e enchem nossos dias de cor e beleza e o outono é recolhimento. Seguindo essa linha, as fragrâncias que escolhemos para nos perfumar nessas fases também têm relação direta com o que sentimos. O inverno se aproxima e com o frio as fragrâncias leves dão lugar às mais encorpadas, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde as estações são mais marcadas e no inverno realmente os termômetros despencam. “O sul tem um inverno evidente, pois é mais sujeito a frentes frias e ar polar, sendo assim predominam as temperaturas baixas durante o dia e as madrugadas são geladas”, confirma o meteorologista da Climatempo, André Madeira. “O clima mais frio permite o uso de perfumes mais encorpados e quentes, como os amadeirados e orientais”, esclarece Renata Aschar, pesquisadora e especialista em perfumes e autora do livro Brasilessência: a Cultura do Perfume, Ed. BestSeller. “Normalmente são aromas mais marcantes, pois contêm especiarias como cardamomo, pimenta rosa, pimenta branca e canela, e também as notas orientais representadas por âmbar branco, baunilha e patchouli”, exemplifica o supervisor de treinamento de perfumaria, maquiagem e tratamento da Dior no Brasil, Ricardo Cosenza.

Voltando ao clima. “O sudeste também tem temperaturas baixas, principalmente nas áreas por onde circula ar polar como São Paulo, sul de Minas Gerais, zona da Mata mineira. Já no Rio de Janeiro, o inverno é mais ameno, com temperatura média durante o dia por volta dos 25º”, explica o meteorologista.

Porém, existe um “outro Brasil” nas regiões Norte e Nordeste, áreas em que as fragrâncias leves não saem de cena, pois não sofrem tantas variações de temperaturas, justamente por estarem mais próximas ao trópico. “Essas áreas são mais tropicais, principalmente o Norte, onde os termômetros passam facilmente de 34º durante o dia. No Nordeste o inverno também não é tão marcado, com algumas exceções como o sul e o sudoeste da Bahia e também Salvador, que quando recebe uma frente fria, a temperatura abaixa. No mais, são regiões onde passa de 30º durante o dia. Assim como em Goiânia, onde a temperatura média nos meses de inverno durante o dia é de 29º. Em Brasília a média das temperaturas máximas é mais baixa e fica por volta de 25º. Porém no Mato Grosso do Sul é frio, pois a área sofre mais influência das massas de ar polar, que trazem frio intenso para o estado”, justifica André Madeira. “Em dias quentes, o ideal é usar aromas leves, como os florais frutais, as lavandas e os cítricos”, pondera Renata Aschar. “Isso mesmo. Ou seja, fragrâncias que contêm notas de laranja, limão siciliano, bergamota, toranja, rosas, jasmim, sândalo, cedro e jacarandá, entre outras”, complementa Ricardo Cosenza.

Apesar de ser clara, quase óbvia, a relação das fragrâncias leves com o calor e dos aromas encorpados com o frio, nem sempre é assim que acontece. “Na minha rotina de treinamentos percebi claramente que no Nordeste há uma preferência das pessoas por cheiros mais marcantes. Talvez por ser muito quente elas acreditem que os aromas suaves se perdem com mais facilidade e rapidez e têm a sensação de que as mais intensas resistem mais a umidade e a transpiração”, opina Ricardo, que revela quais são as notas que vão estar em evidência na safra de fragrâncias deste inverno: “os florais vêm com força total, porém em uma versão mais verde, para garantir a leveza, como o floral oriental, mais chipre, que tem notas verdes combinadas a notas mais frescas”.

Comportamento: muito além do clima

Quente ou frio, com fragrâncias leves ou encorpadas, o fato é que os brasileiros gostam de se perfumar. “O Brasil é o segundo mercado mundial em consumo de perfumes, perdendo apenas para os Estados Unidos”, aponta a pesquisadora Renata Ashcar, com base em dados do Euromonitor, instituto internacional que audita o mercado de higiene pessoal em mais de 120 países. “De fato, a classe média aumentou o seu poder aquisitivo e está comprando mais, as vendas por site aqueceram esse mercado, assim como a facilidade de pagamento oferecida por essas vitrines virtuais”, justifica Ricardo Cosenza, supervisor de treinamento da Dior no Brasil. “Além dessas razões práticas há ainda os fatores de comportamento que também favorecem a venda de perfumes como o acesso às propagandas das fragrâncias importadas que normalmente têm um apelo de glamour, vinculado a celebridades do cinema, da moda e da música. Isso sem falar em acesso a internet e televisão que induzem ainda mais a essa globalização”, complementa o especialista.

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