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Cosméticos ecologicamente corretos não são só filosofia, especialistas garantem que funcionam

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ISABELA LEAL

Colaboração para o UOL

A onda verde tomou conta pra valer do mundo dos cosméticos. Não faltam apelos para apresentar ao consumidor produtos cuja formulação tem o máximo possível de ingredientes naturais, e mais ainda, vegetais, matéria-prima orgânica e frutos e sementes de árvores de cultivo sustentável, sem contar o aspecto sócio-econômico relacionado à reciclagem e cultivo de espécies regionais, que geram emprego.

No entanto ainda não existe no Brasil uma legislação sobre normas consensuais a respeito do que são os cosméticos ecológicos. Por enquanto os referenciais de certificação são determinados por propostas privadas das empresas certificadoras. “Esses referenciais geralmente são construídos por todos os setores envolvidos na indústria, como empresas do ramo, profissionais da área e o consumidor”, explica Luiz Mazzon, diretor da Ecocert Brasil, que tem matriz na França e é considerada a maior rede de empresas certificadoras de produtos orgânicos do planeta. “As certificações  adotadas atualmente em produtos cosméticos no mundo não são contempladas na legislação de nenhum país. Os “fiscais” do uso correto destes selos certificadores são as entidades que congregam consumidores e os órgãos que regulam a propaganda, no Brasil um deles é o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária)”, destaca o farmacêutico Emiro Khury, diretor técnico da Sociedade Brasileira de Cosmetologia e consultor de empresas de cosméticos que certificam seus produtos.

Hoje não há um órgão fiscalizador global ou mundial, com premissas universais, que regule os critérios dos referenciais privados, mas parece que isso já não é algo tão distante. “No momento está acontecendo uma discussão mundial sobre as bases a serem respeitadas para a certificação de cosméticos orgânicos e naturais, mas não há prazo definido para as conclusões dessa discussão”, ressalta Luiz Mazzon. Em tempo: na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não existe regulamentação para cosméticos orgânicos ou naturais, assim como também não há regulamentação para as empresas que utilizam ingredientes orgânicos em seus produtos, mas a agência começa a discutir o tema com as áreas envolvidas. “Atualmente há um grupo de trabalho formado pelo Ministério da Agricultura, Anvisa, ABIHPEC e Associação Brasileira de Cosmetologia, empresas do ramo e certificadoras para criar a Instrução Normativa para Cosméticos Orgânicos, que vai ser a base para a regulamentação do setor no Brasil”, informa Luiz Mazzon.

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