Pele

Além de tratar rugas já existentes, Botox também ajuda a prevenir os sinais do envelhecimento

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Marcas de expressão podem virar rugas estáticas com o passar do tempo; Botox ajuda a prevenir o problema imagem: Thinkstock

Isabela Leal

Do UOL, em São Paulo

Que a toxina botulínica A, o popular Botox (na verdade, marca da primeira toxina que chegou ao Brasil) é uma grande aliada no combate às rugas, a maioria das pessoas sabe. O que pouca gente conhece é o seu efeito de prevenir os sinais da idade. Sim, se for aplicado quando as marcas do tempo ainda estão suaves, o Botox adia o aparecimento das rugas e evita que elas se tornem profundas ou, melhor, adia intensamente essa evolução inevitável. “Ele age fazendo com que os músculos que se movem excessivamente durante as expressões, e que com o tempo vão marcando mais e mais a pele, deixem de fazer estes movimentos. Por isso previne o envelhecimento precoce”, justifica a dermatologista Mônica Aribi, de São Paulo, que fez sua dissertação de mestrado sobre a substância. Seu colega André Vieira Braz, do Rio de Janeiro, vai até mais longe. "A melhor indicação é tratar os sinais antes que eles fiquem evidentes", diz. Começar cedo garante duas vantagens: evita rugas mais fortes no futuro e assegura um resultado mais discreto no presente. No entanto, o ‘mais cedo’ vai depender de algumas variáveis, que só o médico pode avaliar.

Parece contraditório tratar rugas leves com um procedimento invasivo, mas não é. “Vale a pena porque, caso o paciente deixe esse momento passar, os sinais se transformam em rugas estáticas, aquelas que aparecem mesmo em repouso. E essas já são bem mais difíceis de resolver”, alerta Mônica Aribi.

A hora certa depende do bom senso
É impossível especificar qual é a idade ideal para começar um tratamento com Botox com o objetivo de prevenir rugas profundas. Mas pode-se falar que o período em que as marcas surgem é, de um modo geral, entre 25 e 30 anos. O melhor critério para um médico saber se já é ou não hora de prevenir é o bom senso. “Não existe uma idade determinada, por isso é preciso ter muito critério. O momento certo é aquele em que começam a surgir os sinais dos vícios de expressão ou quando algumas rugas, mesmo leves, passam a ficar evidentes”, avalia o dermatologista Jorge Mariz, diretor da Personal Clinic, do Rio de Janeiro. “Por exemplo, pacientes com pele seca tendem a ter a cútis marcada mais cedo", diz, "se mesmo usando um bom hidratante as rugas continuam a aparecer, a toxina pode ser indicada para evitar que piore", completa. Já as peles oleosas tendem a marcar menos. "Nesse caso, quando surgem as rugas, a toxina já está indicada”, afirma André Braz.
 
O conflito da idade precoce

  • É preciso bom senso: somente os médicos podem indicar quem precisa ou não das injeções para prevenir rugas

É bom deixar claro que para prevenir rugas ninguém precisa cometer sandices como levar adolescentes ao dermatologista ou cirurgião plástico para aplicar Botox. Pelo contrário. Mesmo porque, quem vai decidir se existe ou não indicação para um “tratamento preventivo” é o médico. “O problema é que o rigor com os padrões de beleza impostos pela sociedade está levando as pessoas a utilizar a toxina botulínica cada vez mais cedo. Quando a técnica chegou ao Brasil, a idade média dos pacientes tratados era de 41 anos, hoje em dia a mãe quer tirar as rugas que aparecem no filho adolescente quando ele dá um sorriso. Isso precisa ser banido”, ressalta o dermatologista Jorge Mariz. “Aplicar a toxina por volta dos 20 anos porque as rugas aparecem com o sorriso é banalizar um procedimento sério que deve ter indicação médica”, acrescenta Mariz. “Não adianta nada castigar a pele com muito sol, deixar de fazer uma higiene correta e não utilizar os cosméticos adequados pensando que depois o Botox vai compensar tudo. Cada coisa no seu tempo. Se não tiver indicação, o médico não realiza o procedimento mesmo”, conclui o médico carioca André Vieira Braz.

A questão da resistência
A aplicação da toxina botulínica quando se é muito jovem, a partir dos 20 anos, ainda não é consenso entre os médicos. Uma ala acredita que, com o tempo, o efeito fica comprometido. “O uso prolongado pode criar resistência do organismo, que passa a exigir doses maiores do produto para responder ao tratamento”, argumenta Jorge Mariz. Outros médicos defendem a teoria de que começar cedo não vai prejudicar o efeito da substância no futuro, quando o tratamento for, de fato, necessário. “Não existe nenhuma correlação”, afirma Mônica Aribi. “Tem pacientes que são tratadas há 20 anos com a mesma resposta. Outras, já na segunda aplicação começam a responder menos”, compara André Braz.

Regiões onde prevenir dá resultado
A aplicação de toxina botulínica para prevenir sinais profundos só funciona na região dos olhos, testa e lateral do dorso do nariz. A área dos lábios não é beneficiada quando tratada cedo.

 

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