Beleza

Menopausa acelera envelhecimento da pele, mas há armas para refrear o processo

Thinkstock
A menopausa, que costuma começar entre os 45 e 55 anos, deixa suas consequências na pele, acelerando o envelhecimento que pode ser combatido com os avanços da indústria cosmética imagem: Thinkstock

Rosana Faria de Freitas

Do UOL, em São Paulo

Ressecamento, flacidez, manchas, rugas... Estas são algumas marcas que o tempo deixa no rosto – e das quais é muito difícil escapar. A boa notícia é que, com alguns cuidados, é possível não só retardar ao máximo tais efeitos como também minimizar muito a deterioração da pele. Você sabe por que ela ocorre? “O envelhecimento é um processo multifatorial que acontece por fenômenos ambientais, genéticos, hormonais e metabólicos”, explica Isabel Martinez, membro da Academia Americana de Laser e Cirurgia. Basicamente, há dois tipos: o extrínseco, influenciado por poluição, fumo, álcool, má nutrição, infecções e, principalmente, exposição solar; e o intrínseco, que tem a ver com genética, hormônios e metabolismo. Com a idade, tudo se intensifica. “Nos cinco primeiros anos após a menopausa, há uma diminuição na taxa de colágeno de cerca de 30%; depois dessa baixa acelerada, segue um declínio anual de 2,1%”, salienta a médica.

Outras alterações se somam a essas: decrescimento progressivo da concentração de ácido hialurônico, componente que atrai água e dá volume e hidratação; queda de lipídios na camada superficial, que fica mais seca; diminuição da espessura da derme, piorando as rugas; engrossamento da capa externa e aumento dos poros, que se apresentam mais visíveis; e incremento na produção de melanina a cada exposição solar, agravando as manchas. Todas estas mudanças degenerativas resultam em perda do tecido conjuntivo e redução da elasticidade e capacidade de cicatrização – além, claro, de mais rugas, flacidez e ressecamento.


Sol, nem pensar
Quem usufruiu do astro-rei sem proteção terá um quadro mais proeminente. “O que mais origina o envelhecimento é a exposição à radiação. Com o passar dos anos vários danos celulares vão surgindo, inclusive a maior produção de radicais livres que provocam o enrugamento precoce”, destaca Isabel. Por isso, a primeira recomendação da dermatologista é manter distância do sol, usando produtos com fator de proteção (FPS) alto – para o rosto, no mínimo 30. Não fumar, manter uma alimentação balanceada e priorizar um estilo de vida saudável também ajuda.

A utilização de cosméticos é outra atitude que previne e diminui as marcas do tempo (veja boxe). “Atualmente, temos ótimos produtos que tratam os efeitos da menopausa. Para saber qual usar, concentre-se no objetivo: clarear manchas, reduzir rugas e flacidez, hidratar. Muitos oferecem solução para vários problemas ao mesmo tempo”, atesta Isabel. Entre os ativos que dão bons resultados, a médica aponta ácido hialurônico, padina pavonica (alga marinha que amacia e estica a pele porque estimula a produção de proteínas preenchedoras do espaço entre o colágeno e a elastina), aquaporinas (estimulam a circulação de água entre os canais proteicos das células, conferindo hidratação profunda), estrógeno (melhora o colágeno e beneficia a textura), antioxidantes como vitaminas A e C, licopeno, chá verde e coenzima Q10 (neutralizam os radicais livres que causam envelhecimento) e, finalmente, ácidos como retinoico, glicólico, kógico e mandélico (descamam a superfície, eliminam as células mortas e atuam na derme estimulando a produção de fibras elásticas e colágenas, suavizando rugas e clareando manchas). “A pele na menopausa precisa de muita hidratação. Por isso, componentes da classe dos silícios orgânicos, como hidroxiprolisilane e ascorbosilane, são bem indicados. O uso combinado com hormônios tópicos, como estriol, ajudam a devolver o viço que a cútis perdeu com a queda hormonal característica da menopausa”, observa Mônica Felici, dermatologista de Campinas-SP, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Setor em crescimento

  • Thinkstock

    Além dos cosméticos de uso diário, tratamentos feitos em consultórios dermatológicos, como peelings e lasers, ajudam a combater o envelhecimento da pele

A indústria cosmética está sempre pesquisando e lançando novos itens para atender essa faixa etária. “Como, por exemplo, produtos que mantenham a hidratação da pele por 12 horas e tragam fórmulas com ativos do tipo manteiga de karité e adição de fatores anti-desidratantes”, destaca Maurício Pupo, cosmetólogo, coordenador científico e MBA em Cosmetologia do Ipupo Pós-Graduações. Tais componentes impedem que a pele sofra em condições extremas, como frio ou calor intenso, permanência em áreas com ar condicionado e diante das mudanças hormonais que ocorrem no período. “Também temos no mercado as águas termais, ricas em elementos minerais que refrescam e hidratam a cútis madura”, conclui o técnico.

No consultório, há tratamentos que dão uma força nessa empreitada. A laserterapia, por exemplo, ataca manchas, flacidez como a papada e falta de contorno facial. “Existem diversos equipamentos, como a radiofrequência, que pode ser bipolar ou fracionada e melhora a firmeza; lasers sensíveis aos melanócitos e, por isso, recomendados para suavizar manchas; e luzes ablativas fracionadas que favorecem a textura e auxiliam na renovação da pele e formação de colágeno”, diz Isabel Martinez. Outras armas são a toxina botulínica, capaz de impedir a contração dos músculos faciais que dão origem às rugas; a aplicação de ácido hialurônico, vitamina C e outras substâncias na derme para hidratar e dar brilho à tez; e os peelings, para renovação cutânea.

“Um tratamento que tem excelente resultado é o Rejuvenescimento 3D, que consiste na aplicação de três tecnologias de maneira sucessiva: Titan, um infravermelho longo que gera um aquecimento na derme e influencia na formação de novo colágeno; laser Genesis, que, pela mesma propriedade, melhora rugas finas, fecha poros abertos e devolve viço; e a luz intensa pulsada Limelight, capaz de atuar na epiderme removendo manchas e vasinhos”, finaliza Mônica Felici.

 

 

Topo