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"3 free"? Entenda o que significa o termo que cada vez mais aparece nos frascos de esmaltes

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Comum entre importados, a eliminação dos componentes que causam alergia é tendência no Brasil imagem: Thinkstock

Olivia Silveira

Do UOL, em São Paulo

Se você é uma fiel adepta de esmaltes, certamente já deve ter notado uma nova denominação nos frasquinhos à venda nas lojas brasileiras: 3 free. A nomenclatura - que aparece nas marcas populares ou luxuosas -  sinaliza a ausência de DBP, tolueno e formaldeído, trinca de ingredientes comumente presente em esmaltes e que, segundo os médicos, têm altíssimo potencial alergênico. “Em geral, a alergia ocorre principalmente por causa do tolueno e do formaldeído”, explica Fernanda Tassara, dermatologista do Rio de Janeiro. O último, inclusive, tem o uso controlado na fabricação de cosméticos no Brasil. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite apenas 0,2% em produtos de beleza. “A substância pode causar irritação nos olhos, incluindo reação alérgica nas pálpebras - local mais comum de reação a esmaltes - e problemas respiratórios, além de ser cancerígeno”, completa. Você pode não ser alérgica a esmaltes, mas apresentar uma reação em alguma visita à manicure. Os primeiros sintomas são leve coceira nas pálpebras ou nos dedos, seguida de vermelhidão. Pode ser facilmente confundida com um breve ressecamento da pele. Se os sintomas persistirem, vale fazer uma visita ao dermatologista.

Mas, afinal, é possível substituir o formaldeído nos frascos coloridos? “Sim, na indústria cosmética existem uma série de substâncias que não são potencialmente irritantes e minimizam os riscos, sem perder a qualidade do produto”, diz Renata Leite, gerente de Marketing da Colorama, marca que já baniu os três ativos de suas fórmulas. Os motivos pelos quais eles continuam a ser usados na maioria dos esmaltes é que ajudam a manter brilho, consistência, fixação e durabilidade. “O DBP, ou Dibutyl Phthalate, é usado como plastificante e aumenta o brilho e flexibilidade, enquanto o tolueno (derivado do benzeno), é o solvente tradicional do esmalte. Por fim, o formaldeído, substância que compõe o formol, está presente em algumas resinas do esmalte para aumentar a aderência, o brilho e durabilidade do cosmético”, enumera Renata.

Segundo Fernanda Tassara, os efeitos mais comuns da exposição ao DBP são irritações nos olhos, pele e sistema respiratório. Já o tolueno - alternativa muito comum na produção dos esmaltes por causa do baixo custo - penetra rapidamente pela via respiratória, causando irritação. O custo de substituição destes itens pode acarretar em um pequeno aumento de preço nos vidrinhos que amamos. Para a parte da indústria que já carimba o 3Free nos seus esmaltes, este acréscimo representa muito pouco perto do que vale a preservação da saúde das mulheres.

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