Beleza

Em São Paulo, atriz Jane Fonda diz que é preciso fazer as pazes com o espelho na velhice

Francisco Cepeda/AgNews
Jane Fonda está no Brasil para lançar o livro "O Melhor Momento - Aproveitando ao máximo toda a sua vida" (Editora Paralela). Nesta terça, a atriz participou do Fórum da Longevidade Bradesco Seguros (27.nov.2012) imagem: Francisco Cepeda/AgNews

Alessandra Moura

Do UOL, em São Paulo

Jane Fonda está em São Paulo para um evento sobre envelhecimento, saúde e previdência. Prestes a completar 75 anos, a atriz americana, que está lançando no Brasil o livro "O Melhor Momento" (Editora Paralela), participou de uma entrevista coletiva em que respondeu perguntas sobre como fazer as pazes com o envelhecimento.

"É difícil para um jovem se imaginar mais velho, é assustador. Por isso, é preciso ter esse diálogo para mostrar a eles que envelhecer não é ruim; dizer 'pode entrar que a água está boa'", brincou. Mas Jane afirma que não tinha esse receio, pois nem imaginava que chegaria a sua idade atual. "Perdi amigos, minha mãe se matou com 42 anos, tive parentes com depressão. E lá estava eu, com 70, e pensando: 'Eu estou feliz!'", diz.

Ela conta que está ótima nesta fase da vida e defende que muitas outras pessoas de sua idade também se sentem assim. "De um lado, meu exterior está em queda. No outro, estou em ascensão: mais inteligente, sábia, feliz, politizada, ciente do que ocorre no mundo. Mais ainda do que quando era jovem e estava no topo. Ninguém é número um para sempre", explica.
Jane, que já produziu diversos vídeos de ginástica, defende a prática de atividade física na terceira idade. "É bom para o corpo, as articulações, o coração e até para não encolher o cérebro", afirma.

De "sexy-symbol" a avó
Jane começou a carreira como mocinha de filmes e até alcançou o status de "sex-symbol" ao interpretar Barbarella no filme homônimo de 1968. Depois de um tempo longe das telonas, voltou em 2005 como a sogra má de Jennifer Lopes em "A Sogra". "Essa transição de mocinha a avó não foi difícil, pois foi a mesma mudança que eu passei na vida. É claro que teve um momento em que eu pensei 'nossa, não sou mais tão importante'. Quando eu estava no topo, tinha um trailer de maquiagem nos sets de filmagem só para mim; hoje tenho de dividir. Mas eu ri da situação; é preciso ter senso de humor para envelhecer bem", conta ela.

Hoje, a atriz diz que há mais espaço para pessoas mais velhas na TV que no cinema e que ainda pretende fazer um papel que represente bem a velhice, sem ser uma senhorinha boba ou amargurada.

Beleza imperfeita
Uma das dicas de beleza de Jane Fonda para envelhecer bem é manter-se curiosa. "Muita gente acha que a beleza é a busca pela perfeição. Mas, se você não tem alegria, curiosidade e vida no olhar, aquele sorriso no olho, então não está tão bela. E pratique o amor - não só o sexual, mas esse também ajuda", diz a atriz, que mora com o namorado.

Sobre cirurgias plásticas, ela diz que seria hipócrita não assumir as que já fez. "Tenho joelho falso, quadril de metal. Já tirei bolsas dos olhos, diminuí as rugas. Mas nunca vou aplicar aquelas injeções que deixam a boca como bico de pato. Tem que tem bom senso para não parecer estúpida! Eu quero que meu rosto pertença ao meu corpo, não posso mentir para meu namorado na cama. Deixar o rosto todo liso retira seus traços e você vira algo que não é mais você", diz Jane, que já chegou a gastar o equivalente a um carro em apenas um ano de intervenções na beleza ("mas, no ano seguinte, gastei zero!").

Apesar de abraçar a idade, a atriz reconhece alguns momentos de certa timidez com o visual. "Se entra um bonitão no elevador, escondo o rosto. Isso por causa da iluminação: luz de cima é péssima, te deixa parecendo uma anciã. Já em outras iluminações, me sinto fabulosa. A verdade é que, quando me olho no espelho, vejo uma pessoa de 75 anos. Fiz as pazes comigo, com meu visual. É preciso perdoar a passagem do tempo", ela ensina.

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