Beleza

Cosméticos naturais minimizam nosso impacto no meio ambiente

Formulados com uma porcentagem mínima de ingredientes naturais, produtos podem até surpreender pela eficiência

Marina Oliveira e Rita Trevisan

do UOL, São Paulo

A onda verde está invadindo as prateleiras de beleza. Cosméticos naturais ou orgânicos ganham cada vez mais espaço entre o público que quer cuidar da aparência sem agredir a natureza. O que diferencia esses produtos dos demais é serem formulados com uma determinada porcentagem de ingredientes provenientes da natureza. Os níveis mínimos dessas substâncias variam e são estabelecidos por órgãos certificadores da área (veja box). 

Outra regra geral para estes produtos é não conterem ingredientes de origem sintética, como corantes, fragrâncias ou conservantes. Para merecer a classificação "natural", eles não podem ser formulados a partir de derivados de petróleo, como silicone e óleos minerais, nem compostos geneticamente modificados e, claro, também não podem ser testados em animais. "No caso dos cosméticos orgânicos, a fabricação emprega apenas vegetais cultivados sob as regras da agricultura orgânica", explica Emiro Khury, farmacêutico e diretor técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia. 
 
Esses cuidados ajudam a minimizar o impacto ambiental em todas as fases do processo de fabricação do produto. "Na maioria dos casos, as matérias-primas utilizadas nestes cosméticos são consideradas biodegradáveis e pouco poluentes", acrescenta Khury. Além disso, ao substituir as substâncias sintéticas por outras naturais, há uma redução nos efeitos tóxicos. "Mesmo não sendo hipoalergênicos, os cosméticos naturais costumam desencadear menos processos irritantes ou alérgicos", diz o farmacêutico Célio Takashi Higuchi, coordenador do curso de pós-graduação em Cosmetologia Aplicada à Estética do Centro Universitário Senac. 
 
 
Nem todo cosmético, no entanto, existe em versão natural. "Não dá para fazer um alisante de cabelo ou um esmalte de unhas orgânicos, porque ainda não existem matérias-primas que alisam ou colorem naturalmente, sem danos para a pele ou para o cabelo. Mas para filtros solares, desodorantes e produtos de tratamento facial e corporal, o efeito dos naturais é sempre muito positivo", garante a engenheira química Sonia Corazza, autora do livro "Beleza Inteligente" (Editora Madras).
 

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Natural ou orgânico?

Também não há consenso sobre a classificação dos cosméticos ditos naturais ou orgânicos. Mesmo entre as duas entidades certificadoras mais conhecidas, alguns critérios não batem. Para a ECOCERT, cosméticos naturais são os que levam, no mínimo, 95% de ingredientes naturais ou de origem vegetal sobre o total de ingredientes de sua fórmula. Para serem chamados de orgânicos, eles precisam ter um mínimo de 95% de ingredientes vegetais certificados como orgânicos sobre o total de ingredientes vegetais. Já para o IBD, cosméticos naturais precisam apresentar pelo menos 5% de ingredientes orgânicos, excluindo água e sal. Cosméticos produzidos com ingredientes ou matérias-primas orgânicas levam, no mínimo, 70% de ingredientes orgânicos em sua fórmula, incluindo água e sal. Agora, para ser um orgânico legítimo, segundo o IBD, a porcentagem mínima desses ingredientes na composição do produto é de 95%.

 

 
Nem tudo são rosas
 
Assim como os alimentos orgânicos, os cosméticos produzidos sob os mesmos critérios de agricultura custam caro tanto para quem produz, quanto para quem compra. "O custo mais alto está relacionado aos procedimentos de certificação a que são submetidos esses cosméticos, à escassez de terrenos para a prática da agricultura orgânica, aos critérios de extração e manuseio exigidos e à dificuldade de se encontrar fábricas preparadas para atender às obrigações ambientais", justifica Khury.
 
Quem aceita pagar um preço mais alto pode se surpreender com o resultado. Hidratantes faciais ou corporais, por exemplo, podem ser muito eficientes. Já os produtos faciais anti-idade 100% orgânicos podem deixar a desejar. "Se compararmos as fórmulas com ácidos de frutas às que levam ácido retinóico, a natural é menos eficiente. Mas, ainda assim, vale a pena optar por tecnologias mais brandas e não tão agressivas à natureza", opina Sonia. Produtos orgânicos para os cabelos também podem ter efeito limitado, já que ativos bastante comuns, como o silicone, não podem ser incorporados às fórmulas por serem sintéticos. 
 
Como identificar
 
Saber se uma marca realmente utiliza produtos orgânicos ou naturais ainda é um problema. Isto porque não há, no Brasil, uma regulamentação oficial da Agência de Vigilância Sanitária. Por enquanto, o que existem são selos de certificação de órgãos especialistas, geralmente expostos nos rótulos dos produtos. No país, as certificações do Instituto Biodinâmico (IBD) e da Ecocert são as mais comuns.
 
Por ser um negócio caro, muitas empresas interessadas em produzir em larga escala conseguem atender a apenas parte das exigências de certificação e, por isso, não recebem o selo. De acordo com os especialistas, contudo, se não há certificação não há garantia.
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