Cuidados com o cabelo

No salão: Entenda as diferenças entre os tratamentos para fios danificados

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Muitas vezes, o olhar especializado de um profissional é preciso para escolher um tratamento ideal para os cabelos danificados imagem: Thinkstock

Isabela Leal e Simone Serpa

Do UOL, em São Paulo

Trocar o xampu de vez em quando, fazer uma hidratação caseira, aplicar uma máscara reconstrutora poderosa e até mesmo fazer um corte para fortalecer. Até certo ponto, de fato, essas alternativas funcionam, mas tem hora que é preciso parar tudo e cuidar dos cabelos no salão, para ter um diagnóstico especializado sobre a necessidade dos fios naquele momento, contar com ativos de alta tecnologia e, mais que qualquer outra coisa, com as mãos e o olhar de um profissional.

Para ajudá-la na escolha do melhor tratamento para ressuscitar cabelos danificados, UOL Beleza conversou com cabeleireiros de quatro capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte – para esclarecer a diferença entre três técnicas muito procuradas nos salões e bastante eficazes: hidratação “power”, nanoqueratinização e cauterização. A seguir, conheça os detalhes sobre cada uma das três técnicas e descubra qual delas é a mais indicada para o seu caso.

HIDRATAÇÃO “POWER”
O que é: É uma técnica mais profunda de hidratação que permite que os fios recuperem a água e também reponham nutrientes para restaurar a emoliência e voltarem a ser saudáveis. Os ativos utilizados em cada caso variam de acordo com o salão e o profissional, mas de um modo geral os óleos (argan, jojoba, macadâmia, de semente de uva, semente de romã, de coco etc) estão na maioria das fórmulas, assim como vitaminas e aminoácidos. “Esse método foi muito beneficiado com a redescoberta das propriedades dos óleos vegetais, essenciais na restauração dos cabelos. Eu particularmene utilizo o argan, para sedosidade e brilho; e o de jojoba, para reconstrução da fibra capilar”, diz o hairstylist Wilson Eliodorio, do Wilson Eliodorio Studio, em São Paulo.
Como funciona: Os óleos possuem nutrientes muito concentrados, que suavizam as cutículas dos fios e penetram mais facilmente na fibra, possibilitando uma melhor absorção dos aminoácidos, vitaminas e proteínas, que quando aplicados puros, também permeiam a superfície do fio tratando-o de dentro para fora.
Indicação: Cabelos ressecados e muito quebradiços, seja por consequência de químicas ou excesso de exposição ao sol, sal e cloro; e também uso excessivo de secador e chapinha. “Se perceber que o cabelo está com aspecto seco e embaraçando demais, com facilidade, é sinal de que precisa ser hidratado”, ensina Silvana Lima, do Studio W Iguatemi, também de São Paulo.
Frequência: Quem vai avaliar é o cabeleireiro. Dependedo do estado do fio pode ser feita semanal, quinzenal ou mensalmente.
 

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NANOQUERATINIZAÇÃO
O que é: O tratamento consiste na aplicação de queratina, por meio da nanotecnologia, para aumentar a eficácia. Isto é, as moléculas dessa proteína são reduzidas ao menor tamanho possível e, dessa forma, penetram mais fácil e profundamente no fio. “O objetivo desse tratamento é repor a queratina – matéria perdida quando o cabelo é submetido a processos químicos – dos fios danificados, que ficam porosos e sujeitos à quebra; e, assim, restaurar sua estrutura”, explica Tania de Souza, profissional do Ricardo Maia Hair & Make Up, Brasília, DF. A queratina aumenta a resistência do fio, o que na prática significa um cabelo fortalecido. Quando há perda dessa proteína, o fio fica fraco, sem resistência. “Se não houver a reposição de queratina, a cutícula se abre e o fio torna-se muito fino nas pontas e pode até se romper só de tocar no ombro”, alerta Silvana Lima, do Studio W.
Como funciona: A aplicação da queratina é feita por meio de pulverização, para assim formar uma névoa com micropartículas da substância e facilitar uma aplicação uniforme. “Esse método garante que a queratina seja bem distribuída, atingindo toda a superfície dos cabelos”, explica Tânia de Souza.
Indicação: Cabelos submetidos a químicas fortes, como alisamento, descoloração e permanentes. Todos esses são processos agem profundamente no fio e quebram as ligações de enxofre que compõem a queratina. Por essa razão, a nanoqueratinização não pode ser aplicada em cabelos que não tenham sido submetidos a processo químicos, sob o risco de ficarem duros demais, por excesso de queratina. “O fio de cabelo deve ter maleabilidade, ou seja, depois de esticado, o certo é que volte para o lugar, se isso não acontecer e o fio se romper é sinal de porosidade, ele está fraco e precisa ser reestruturado”, diz Bruno Amorim, do Célio Faria Instituto de Beleza, de Belo Horizonte.
Frequência: Vai depender das condições do fio, mas em princípio, quando a necessidade do tratamento é urgente, as sessões devem ser feitas uma vez por semana. Depois, com o tempo, à medida que o cabelo se restaura, pode ser feito, em média, a cada 40 dias, mas tudo vai depender da indicação do profissional, que inclusive pode dar “alta” dos procedimentos, depois de um período.

CAUTERIZAÇÃO
O que é: Considerado pelos especialistas como um dos tratamentos mais eficazes para ressuscitar fios destruídos. A cabeleireira Lela Athanásio, do Crystal Hair, do Rio de Janeiro, explica o porquê: “Ao selar por completo a cutícula, a cauterização garante que todos os nutrientes aplicados no fio permaneçam ali depositados por mais tempo, assim suaviza pontas duplas, elimina o frizz e devolve a elasticidado do fio”, diz a especialista. Assim, além de saudáveis e resistentes, os cabelos recuperam o balanço natural e os fios ficam mais disciplinados. Os ativos usados são definidos pelos cabeleireiros e isso depende da necessidade de cada caso. Tânia de Souza, do Ricardo Maia Hair & Make up, de Brasília, por exemplo, faz uma cauterização à base de vitamina C, que tem ação antiquebra, e acrescenta também um pouco de queratina, para resistência; e ceramidas, que nutrem e dão brilho aos fios. Já Lela Athanásio, do Rio de Janeiro, prefere fazer com aminoácidos, que ajudam no crescimento e têm ação antioxidante; queratina e outras proteínas, como o colágeno, que também fortalecem o fio.
Como funciona: A cauterização em si – processo de selagem depois que os fios recebem os nutrientes – originalmente era feita com ação de calor, por meio da chapinha, mecha a mecha, inclusive alguns salões ainda fazem dessa forma. A novidade, no entanto, é a cauterização a frio. “É uma evolução da cosmética. O novo método economiza o tempo do profissional, da cliente e age com a mesma eficiência”, garante Bruno Amorim, do Célio Faria Instituto de Beleza. Essa cauterização a frio é semelhante a um leave-in turbinado que, tem a mesma capacidade da chapa de blindar o fio, só que sem calor, seu efeito é químico.
Indicação: O procedimento é ideal para fios quebradiços, porosos, sem brilho e com ponta dupla, especialmente para os submetidos a descoloração e mechas.
Frequência: O ideal é que o tratamento seja refeito em intervalos de 15 dias. Mas o cabeleireiro pode intensificar o tratamento, por exemplo, para uma vez por semana, caso ache necessário; ou estender o intervalo, além de 15 dias, entre uma aplicação e outra.

 

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