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Simples, cirurgia estética de pálpebras ameniza sinais de envelhecimento

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A blefaroplastia, cirurgia plástica para correção de pálpebras caídas e bolsas, é uma das mais buscadas pelas brasileiras imagem: Thinkstock

Isabela Leal

Do UOL, em São Paulo

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a blefaroplastia – cirurgia para correção de pálpebras caídas e bolsas – liderou o ranking das operações plásticas realizadas no Brasil, entre 2007 e 2008, última pesquisa oficial feita pelo órgão. O motivo dessa procura é fácil de entender – o vigor da região dos olhos está diretamente relacionado à juventude do rosto. Pálpebras caídas e pele em excesso, assim como as bolsas embaixo dos olhos, envelhecem.

A cirurgia é relativamente simples. De acordo com o cirurgião plástico Lybio Junior, professor da Faculdade de Medicina de Itajubá (MG), o procedimento consiste em retirar o excesso de pele e de tecido adiposo (gordura), as denominadas bolsas palpebrais. “A gordura, em alguns casos, nem precisa ser retirada, apenas reposicionada. As rugas, conhecidas como pés de galinha, também podem ser corrigidas”, explica o médico. A cirurgiã plástica Suzy Vieira, de São Paulo, acrescenta: “Nos pacientes que não possuem excesso de pele, pode-se retirar apenas as bolsas de gordura por dentro das pálpebras, sem a necessidade de incisões externas. Esse método é o transconjuntival”, diz.

Outra técnica utilizada é o laser ablativo tipo CO2, tanto para fazer as incisões e retiradas das bolsas na cirurgia como também procedimento estético auxiliar para tratar a pele, melhorando o seu aspecto e tratando rugas finas, por exemplo. “O laser é mais preciso, gera menos danos à pele e pode resultar em uma cicatriz de melhor qualidade, além de poder ser aplicado para um benefício de rejuvenescimento da região dos olhos e outras áreas do rosto”, declara Suzy Vieira.

Seja como for, o resultado parece valer a pena. “Me sinto dez anos mais jovem, depois da cirurgia”, declara a empresária Claudia Rosas, de 43 anos.  Sinto alívio nas pálpebras, parece que consigo abrir mais os olhos. Meu olhar está mais descansado, o que leva ao rejuvenescimento. É um detalhe que faz toda a diferença”, complementa. Para a nutricionista Solange Freire, de 50 anos, não foi diferente. “Eu queria reduzir o desconforto que as bolsas causavam e, claro, amenizar o ar de cansaço. Foi visível o rejuvenescimento do meu olhar”, conta ela, que também teve a sensação de ter ficado dez anos mais jovem.

Anestesia e internação
É raro a paciente dormir no hospital, geralmente a internação é feita pela manhã e a alta ocorre no período da tarde – tempo necessário para terminar o efeito de sedação, que leva de 4 a 6 horas. A anestesia normalmente é local com sedação, quando a blefaroplastia é feita sozinha. No caso de outras operações associadas, varia de acordo com o médico. “Pode ser feita com anestesia geral, quando combinada com outras cirurgias que necessitem desse tipo de anestesia, como o lifting facial, por exemplo”, declara a cirurgiã plástica Eliane Hwang, de São Paulo. Lybio Junior utiliza a anestesia local com sedação mesmo no caso de outras cirurgias de face combinadas, como papada, nariz, orelhas de abano e mesmo o lifting facial.

Pós-operatório
Nos dias posteriores à cirurgia, geralmente não ocorre dor, mas se acontecer, os analgésicos comuns costumam resolver. “Houve certo desconforto após a cirurgia, mas não senti dor. A recuperação foi muito rápida”, conta Solange Freire. Inchaço e equimoses (manchas roxas) são normais e duram, em média, 48 horas com uma melhora progressiva – nesse período, vale fazer compressas geladas de chá de camomila, dormir com a cabeceira elevada e evitar calor como cozinhar, tomar banhos quentes e ficar sob o sol.

A tendência é que esses sintomas sejam reduzidos gradativamente e, até 14 dias após a cirurgia, já não existam mais, tanto que a volta ao trabalho ocorre, após uma semana, ou no máximo, em dez dias depois da operação. Os pontos são retirados entre o quarto e o sexto dia após a cirurgia. “Foi tudo dentro do que eu esperava. Não senti dor, apenas incômodo pelo inchaço na primeira semana e meus olhos lacrimejavam sob a claridade. Tirei os pontos em quatro dias e voltei a trabalhar depois de uma semana”, declara Claudia Rosas.

“O sol deve ser evitado enquanto houver manchas roxas na região, para não marcar a pele”, diz Lybio Junior. No período em que as cicatrizes estiverem avermelhadas, a restrição ao sol continua e pode se estender entre dois e quatro meses, nessa fase é necessário usar filtro solar, o mais alto possível, e óculos escuros. A indicação de drenagem linfática na região, no pós-operatório, vai depender do médico.

Cicatriz e maquiagem
Na pálpebra superior, a cicatriz fica posicionada no sulco dos olhos e, na pálpebra inferior, rente aos cílios, o que faz com que esse sinal não fique aparente. “A minha cicatriz é imperceptível”, conta Solange, dez anos depois de ter feito a cirurgia.

Um dos grandes desejos das mulheres, que passam por esse procedimento é ver o efeito da maquiagem nos “novos olhos”. “É difícil usar maquiagem antes de retirar os pontos e as casquinhas que se formam na cicatriz, mas entre sete e dez dias, após a cirurgia, já fica liberado. Para as pacientes que precisam retornar ao trabalho mais cedo, libero em 48 horas”, afirma Suzy Vieira. “Voltei a me maquiar depois de um mês, acho que base não tem importância, mas lápis e sombra escura sobre a cicatriz, não tive coragem. É um processo delicado, vale a pena esperar um pouco”, conta Claudia Rosas.

Riscos
As chances de um dano à visão são remotas, quando a cirurgia é realizada sem complicações imprevistas e por um médico habilitado. Porém, a cirurgiã Eliane Hwang alerta: “Se for realizada por um profissional incapacitado pode causar cegueira”. Suzy Vieira destaca outros riscos: “Só em casos de complicações não esperadas pode acontecer uma lesão na córnea, por exemplo, mas há como prevenir danos à visão. Esteticamente, quando as retiradas são excessivas, principalmente na pálpebra inferior, pode acontecer do globo ocular ficar muito exposto, parecendo saltado”, declara a médica.

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