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Da flacidez às rugas: saiba tratar e prevenir sinais do envelhecimento

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As mãos "denunciam" o passar dos anos e, por isso, merecem atenção extra imagem: Thinkstock

Isabela Leal

Do UOL, em São Paulo

Os processos que levam a pele e o cabelo a envelhecerem são muitos. Uns complexos, outros nem tanto, e também há os que sequer imaginamos. Para esclarecer esses enigmas, o UOL Beleza conversou com os dermatologistas paulistanos Monica Aribi e Marcelo Bellini, além da carioca Juliana Piquet, que explicam, a seguir, as causas menos óbvias por trás de sete problemas comuns. De quebra, ensinam o que você pode fazer para amenizar tais efeitos. 

1) Cabelos brancos
Com o tempo, o cabelo perde melanina (pigmento natural que dá cor aos fios) e, por isso, fica branco. A surpresa aqui é que, além de dar o tom, a melanina também hidrata e protege os fios, inclusive da radiação solar, o que explica o fato de os grisalhos serem ásperos, ressecados e rebeldes. Sem melanina, o fio fica oco e vulnerável para absorver a química nociva dos ativos de tintura e alisamento, causando um enorme desgaste, que só piora a cada procedimento.

- Como prevenir: Se tingir e alisar for inevitável, escolha métodos menos agressivos e respeite os intervalos entre um procedimento e outro, a fim de evitar a incompatibilidade de ativos. Caso contrário pode ocorrer quebra e queda dos fios.

- Como tratar: A ordem é hidratar com frequência, tanto os assumidamente grisalhos quanto os tingidos. Em casa ou no salão, este tratamento pode domar o aspecto rebelde, protegendo dos danos da coloração e do alisamento.

2) Cabelos finos e ralos
Os fios têm um ciclo de crescimento. Em cada um desses períodos --que variam de uma pessoa para outra e do comprimento-- o cabelo tem mais dificuldade de crescer e ficam finos. A redução dos hormônios femininos e a atrofia do bulbo, com o tempo, também explicam a redução da quantidade e o afinamento da fibra capilar.

- Como prevenir: Quem tem pai ou mãe com pouco cabelo ou fios ralos e finos deve usar loções fortalecedoras, pois trata-se de um problema genético. Xampus e máscaras antiqueda, ricos em elementos como aminoácidos, queratina e ceramidas, devem ser adotados por volta dos 35 anos de idade. Pessoas com distúrbios de tireoide devem investigar o caso com mais afinco, pois a causa pode ser hormonal. Vale ainda identificar carências nutricionais, como deficiência de ferro, que conseguem ser corrigidos com polivitamínicos à base de silício orgânico, aminoácidos e biotina.
 
- Como tratar: Fazer reposição hormonal é útil. Cabelos finos são frágeis e sofrem mais com os danos das químicas. Por isso, esses procedimentos, nesses casos, exigem cautela.


3) Flacidez facial
O motivo principal da falta de tônus é a perda de colágeno, fibra de sustentação da pele. O que nem todos sabem é que esse processo começa aos 20 anos de idade e é progressivo. Aos 30 anos, por exemplo, a reserva de colágeno no organismo já é, pelo menos, 20% menor do que na juventude. Com o passar do tempo, é natural, também, a perda da gordura facial e a reabsorção óssea --redução do volume dos ossos. Resultado: os três fatores juntos viram uma bomba contra a sustentação do tecido cutâneo.

- Como prevenir: A perda de colágeno é ligada à genética. E já que nada pode frear os genes, a senha é combater fatores externos. Entre eles: usar protetor solar, ficar bem longe do cigarro e abusar dos cremes com retinoides (retinol e ácido retinoico) à noite, para um estímulo regular à síntese de colágeno. Desde cedo, por volta dos 20 anos, é indicado fazer uso de nutricosméticos específicos para o problema, mas tudo com autorização médica.

- Como tratar: Procedimentos com radiofrequência, infravermelho, ultrassom focado e preenchimentos com ácido hialurônico de baixo peso molecular estimulam a formação de colágeno. Alguns até promovem retração, que é a volta da fibra que estava frouxa à posição inicial. Mas, em casos avançados, a saída é fazer um lifting.

4) Rugas faciais
O segredo é cuidar das rugas leves para prevenir que elas se tornem mais profundas e difíceis de tratar. Para isso, a indicação é a toxina botulínica preventiva, quando as marcas do tempo ainda estão suaves. Parece incoerente, mas funciona. O objetivo é paralisar os músculos que se movem excessivamente durante as expressões, e que, com o tempo, marcam mais e mais a pele.

- Como prevenir: O mais recomendado é começar as aplicações no momento certo: quando as rugas são visíveis apenas com as expressões faciais. Assim, é possível evitar que elas se tornem aparentes também quando o rosto está em repouso.

- Como tratar: O tratamento é o mesmo da toxina botulínica tradicional, com aplicações injetáveis, a cada seis ou oito meses, dependendo do caso.

5) Mãos envelhecidas
As mãos são frágeis e muito solicitadas no cotidiano. As consequências disso é que não imaginamos. Para se ter uma ideia de como é acelerado o envelhecimento das mãos, a espessura da pele no dorso aos 25 anos é de 1,2 mm. Já aos 70 anos é de 0,7 mm. Até o rosto, outra área vulnerável, é mais resistente --aos 70 anos a espessura da pele é, em média, de 4 mm. A comparação, inclusive, é pertinente: um dos segredo para manter as mãos jovens é utilizar, nessa região, os mesmos cremes usados no rosto.

- Como prevenir: A regra é abusar do filtro solar com um fator mínimo de proteção solar 30. Hidratantes, com ácido hialurônico e glicerina, associados ao ácido retinoico ou glicólico, têm o poder de reter a água nas mãos. Fórmulas à base de ureia, ácido lático e ceramidas também são indicadas. À noite, invista em cremes com retinoides (retinol e ácido retinoico) ou em cremes antissinais clássicos. Outra dica: sempre use luvas para lidar com produtos de limpeza. Isso ajuda a prevenir problemas como rugas, manchas e flacidez.

- Como tratar: Rugas, associadas a manchas, são tratadas com luz intensa pulsada. Mas também podem ser amenizadas com preenchimento cutâneo, procedimento recomendado para mãos muito magras e com excesso de pele, já que ajuda a repor volume.

6) Manchas nos braços e colos
É fato: 90% das manchas nessas regiões é resultado da negligência com o protetor solar. Mas atenção: mesmo se protegendo, as manchas podem aparecer. O motivo? Histórico genético e a cor da pele --quanto mais claros forem os cabelos, pele e olhos, a pessoa tem maior propensão a ter manchas solares. Além disso, existem inimigos ocultos, como a luz fluorescente dos escritórios e a do computador, que, em longo prazo, também mancham a pele.

- Como prevenir: A ordem é usar protetor solar mesmo em dias nublados. Quem tem casos na família ou biotipo muito claro deve dobrar os cuidados e começar a se cuidar logo cedo.

- Como tratar: A luz intensa pulsada é eficaz e pode ser associada a peelings químicos. Para evitar o reaparecimento dos sinais, as fórmulas tópicas à base de ácido retinoico ou glicólico associadas a clareadores são grandes aliadas.

7) Rugas verticais no colo
Os motivos dessas marcas são velhos conhecidos: sol e ressecamento excessivo. A pegadinha aqui é a fragilidade da região, já que a pele é mais fina e tem menos colágeno e elastina. Para piorar, sua quantidade de glândulas sebáceas é mínima, o que favorece o ressecamento que também causa o envelhecimento precoce. Some a isso o fato banal e danoso de dormir de lado com frequência.

- Como prevenir: A ordem é aplicar protetor solar com FPS 30 duas vezes por dia. À noite, cremes à base de vitamina C e ácido hialurônico alternados com versões bem umectantes, até um pouco oleosas, ajudam a controlar o ressecamento. Usar um travesseiro pequeno entre os seios, para dormir de lado, é uma dica e tanto.

- Como tratar: Com preenchimento de ácido hialurônico associado à radiofrequência fracionada. O objetivo é estimular o colágeno, melhorando as linhas e tônus da pele.

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