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Produtos com fórmulas veganas ganham o mercado de cosméticos; conheça

Carol Salles

Do UOL, em São Paulo

Um número cada vez maior de pessoas tem dado preferência ao uso de cosméticos não testados em animais. Mas, para outras, isso ainda não é suficiente. Existem aqueles que vão além e optam por produtos veganos, que, além de não serem testados, não possuem nenhum ingrediente de origem animal. Geralmente, a escolha é feita por respeito aos bichos. “O veganismo é baseado em dois princípios: ética e libertação animal. A ética diz respeito a como ele é tratado. A libertação está ligada à ideia de que os animais não são para nosso usufruto. Assim, ainda que ele sejam bem tratados, não consideramos correto explorá-los de forma alguma, mesmo que ele pareça não se importar”, explica a blogueira Vitória Reis, autora da página Maquiagem de Bonita, cujo arsenal de beleza é quase 100% formado por cosméticos veganos.

Leitura de rótulos
Quem opta por esse tipo de produto trava pequenas batalhas no dia a dia. Mesmo que algumas marcas sejam reconhecidamente veganas, nem sempre essa informação é clara na embalagens. O que dificulta, também, a adesão por parte de novos consumidores. Por isso, é comum veganos tornarem-se especialistas em leitura de rótulos --e é preciso uma dose extra de informação para entender o emaranhado de letrinhas miúdas. A composição dos cosméticos quase sempre é escrita em inglês e a maior parte das pessoas não sabe o que os termos significam. Por exemplo, o sebo bovino usado em sabonetes frequentemente vem identificado como "tallowate". "Quantas pessoas sabem que, ao comprar sabonete contendo esse ingrediente estão passando um derivado da gordura bovina no corpo?”, questiona a também blogueira Eliana Castro, autora do Vegana e Linda. Outros ingredientes que ficam fora da lista para os veganos são leite, mel, cera de abelha, lanolina (que é um derivado da lã de carneiro) e certos corantes. Existem outros, ainda, cuja origem pode ser vegetal ou animal, como pantenol, glicerina, ácido esteárico... Nesse caso, a solução é apelar para os serviços de atendimento ao consumidor para tentar descobrir a origem exata do ativo. Blogs, como os citados acima, e grupos no Facebook, como o Veganos Brasil ou o Veganismo, também são boa fonte de informação.

Vegano X orgânico
As denominações se confundem para o leigo, mas não são a mesma coisa. Um produto vegano não necessariamente é orgânico, e vice-versa. Diferentemente dos veganos, os orgânicos admitem derivados de animais, desde que sejam livres de hormônios e antibióticos. “Para ser considerado orgânico, o produto não pode ter ingredientes que tenham recebido fertilizantes ou adubos químicos, nem agrotóxicos; transgênicos também são proibidos, assim como derivados de petróleo, parabenos, sulfatos e óleo mineral”, explica o naturólogo Daniel de Oliveira Rodrigues, vice-presidente da ABRANA - Associação Brasileira de Naturologia. Facilita a vida do consumidor se o produto ostentar um selo de certificação: os veganos são emitidos pela Sociedade Vegetariana Brasileira ou algum órgão internacional, como a Vegan Society; os orgânicos podem ter selos de entidades certificadoras como o IBD ou o Ecocert.

Benefícios extras?
O respeito à vida animal é a grande motivação, mas será que, em termos de resultados, os cosméticos veganos ficam a dever alguma coisa para os convencionais? Em geral, não. “A eficácia de um cosmético independe do fato de ser vegano ou não. Seus benefícios são relacionados mais aos princípios ativos usados”, explica a dermatologista Carla Albuquerque, de São Paulo. A também dermatologista Adriana Leite concorda. “O melhor produto é aquele que é bem indicado", diz. "Pode-se conseguir excelentes resultados com cosméticos veganos, desde que ele atenda às necessidades específicas daquele cabelo ou pele”, completa.

E seja testado ou não em animais, o potencial alergênico existe em qualquer cosmético. “Tanto os extratos sintéticos quanto os vegetais podem causar alergia em pessoas sensíveis a determinado ativo”, explica Adriana. A médica indica produtos veganos para seus pacientes, mas lamenta que a oferta deles no Brasil ainda seja pequena se comparada às indústrias americanas e europeias.

Tendência
Esse cenário, no entanto, vai mudando aos poucos. “É crescente o número de pessoas que se tornam veganas”, afirma a empresária Clélia Angelon. Sua empresa, a Surya Brasil, é uma das mais antigas dedicadas totalmente à fabricação de cosméticos verdes e vai completar 20 anos em 2015. Para ela, não se trata de tendência. “É uma evolução do ser humano, um retorno à natureza”, diz.

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