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Transplante de barba é opção para homens com poucos pelos no rosto

Divulgação/Acervo Pessoal
Antes e depois: o analista de comércio exterior Vagner Henrique da Rocha mostra o resultado do procedimento de implante de pelos no rosto imagem: Divulgação/Acervo Pessoal

Simone Ota

Do UOL, em São Paulo

Pode parecer estranho ou até improvável, mas existem muitos homens por aí que sofrem para conquistar uma barba farta --visual que, aliás, está em alta, por conta da tendência "lumbersexual" (lenhador sexy, em tradução livre do inglês). Os motivos, no entanto, não se restringem apenas a uma modinha e são variados: desde esconder uma cicatriz de acne ou de lábio leporino até aparentar ser mais velho.

Segundo o dermatologista João Carlos Pereira, especialista em transplante, atualmente há três técnicas de fios para rostos sendo realizadas no Brasil: FUT (Follicular Unit Transplantation), FUE (Follicular Unit Extraction) e Robotic FUE. “A escolha depende da área doadora [de pelos], da densidade capilar e do tipo de cicatrização de cada paciente”, explica o especialista. O quanto cada pessoa pode desembolsar também pesa na decisão. No caso da FUT e da Robotic FUE, os pelos são retirados do couro cabeludo; na FUE, além do couro cabeludo, o médico consegue retirar os pelos da parte debaixo do queixo.

Em comum, os três tipos de transplantes exigem que o paciente fique dois dias no hospital e outros cinco em casa, de repouso. Segundo Pereira, o aspecto fica natural nos três casos, já que os fios são implantados um a um, e não em tufos. 

A anestesia é local, com sedação, e os primeiros fios começam a aparecer após o terceiro mês. “A fixação acontece pelo próprio processo de cicatrização da pele, onde se forma uma casquinha que cai sozinha, em torno de uma semana. Só depois disso é que o paciente está liberado para fazer a barba, se quiser”, avisa o cirurgião de restauração capilar Thiago Bianco Leal, da Vinci Hair Clinic, em São Paulo.

É esperado ainda que o pelo implantado caia em até 20 dias após a operação e o rosto; mas, fique tranquilo, novos nascerão no local, uma vez que o transplante implanta o bulbo do pelo na região. Também é esperado que o rosto fique vermelho e inchado por cerca de três dias. O resultado, segundo os especialistas entrevistados, dura para sempre.

Por dentro das técnicas

  • Robotic FUE

    É a mais avançada, pois utiliza um robô para escanear o couro cabeludo. "Tamanha precisão faz com que as melhores mudas de fios sejam selecionadas e colhidas sem deixar cicatriz. O tempo que o paciente fica no centro cirúrgico também reduz em cerca de 10% em comparação aos outros transplantes", afirma o médico João Carlos Pereira. Segundo ele, a técnica é realizada no país desde novembro de 2014.

  • FUE (Follicular Unit Extraction)

    As unidades foliculares são colhidas uma a uma da área doadora (o couro cabeludo ou abaixo do queixo). "A cicatriz é quase imperceptível, mesmo se o paciente raspar o cabelo", afirma o Dr. Thiago Bianco Leal. Nos homens com ausência de barba, a operação pode demorar até oito horas; já para fazer reconstruções menores (como o bigode), o tempo cai para quatro horas.

  • FUT (Follicular Unit Transplantation)

    É o mais econômico e executado no Brasil. Consiste na remoção de uma faixa do couro cabeludo (cerca de um centímetro de largura por até 25 cm de comprimento) da lateral ou da parte de trás da cabeça e de onde serão retiradas as unidades foliculares a serem implantadas no rosto. Tudo acontece na mesma operação, que leva em torno de seis horas. A cicatrização demora até 45 dias.

“Hoje posso escolher até o estilo que vou adotar”

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Rocha: "Nunca precisei tomar nenhum cuidado especial com os fios implantados" imagem: Divulgação/Acervo Pessoal
O analista de comércio exterior Vagner Henrique da Rocha (33), de São Paulo, fez o transplante FUE em abril de 2014. A ideia era cobrir as falhas nas maçãs do rosto e incrementar o bigode. “Decidi investir R$ 12 mil na cirurgia, porque todos os homens da minha família, que são descendentes de alemães, tinham uma barba densa, exceto eu”, explica.

Segundo ele, o único desconforto do processo foi no dia seguinte à operação, na região doadora dos fios, próxima à nuca. “As casquinhas no rosto caíram em cinco dias. Depois disso, ninguém mais dizia que eu tinha feito uma cirurgia que durou sete horas”, conta.

Ele lembra ainda que o resultado final, com o nascimento de todos os pelos, só aconteceu após dez meses. “Nunca precisei tomar nenhum cuidado especial com os fios implantados, que são idênticos aos que eu já tinha no rosto --mesma textura e na cor. E eles continuam crescendo, se eu resolver fazer a barba todos os dias”, afirma.

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Rocha: "Nunca precisei tomar nenhum cuidado especial com os fios implantados" imagem: Divulgação/Acervo Pessoal
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