Beleza

Saiba até que ponto a luz dos smartphones e tablets pode afetar a sua pele

Getty Images
Entenda como a luz de smartphones, tablets e de ambientes fechados afeta a sua pele imagem: Getty Images

Isabela Leal

Do UOL, em São Paulo

Nos dias de hoje, em que as pessoas passam grande parte do tempo em frente ao computador ou manuseando aparelhos como tablets e smartphones, uma dúvida fica no ar: a luz emitida por essas máquinas, por um período prolongado, representa algum risco para a pele?

A resposta é não. Mas essa incerteza, que já se tornou uma crença para muita gente, tem fundamento. “Esses aparelhos irradiam infravermelho --faixa de radiação do espectro eletromagnético que tem uma penetração maior na pele, isto é, até a hipoderme, camada mais profunda”, explica a dermatologista Márcia Purceli, da equipe clínica do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“Mas as pesquisas mostram que a quantidade de radiação desses aparelhos é pequena, portanto insuficiente para causar danos à cútis. Ainda não há comprovação científica que defina qual o nível do dano celular que esses eletrônicos efetivamente podem provocar”, resume a médica.

O físico Carlos Lenz Cesar, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica por quê: “Nos monitores de computador, tablets, smartphones, iluminados com LEDs e OLEDs, não há infravermelho, logo não podem causar problemas cutâneos por causa dessa radiação”, esclarece.

Que a luz tem efeito sobre a pele é indiscutível, mas segundo Lenz, o importante é saber quanto. “Só os valores numéricos podem apontar se é algo preocupante ou não. Para se ter uma ideia, os eletrônicos são carregados com bateria e, por isso, só usam iluminação de potência bem baixa --caso contrário, descarregariam a bateria muito rápido. Potência baixa significa quase nenhum efeito danoso na pele”, explica o professor.

E as lâmpadas, representam riscos?
As lâmpadas dos escritórios, dos bancos e empresas também levantam a dúvida sobre os riscos para a pele. “Como estamos expostos muito tempo às lâmpadas de iluminação dos ambientes seja no trabalho, em casa ou em estabelecimentos comerciais, esse contato quase que permanente, em longo prazo, favorece o escurecimento e o aspecto opaco da pele, assim como uma sensibilidade cutânea maior para quem já tem algum problema como os portadores de lúpus, só para citar um dos casos”, destaca o dermatologista Emerson de Andrade Lima, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Sim, o risco existe, mas depende de algumas variáveis como o tipo de luz, se emite radiação infrevermelho ou não, se é quente, se é fria, se aquece e aumenta a temperatura quando em contato com o corpo. “O infravermelho, por exemplo, afeta diretamente a matriz metaloproteinase, enzima que destrói o colágeno, levando ao fotoenvelhecimento precoce”, conta Márcia Purceli.

“Não há emissão de infravermelho nas lâmpadas fluorescentes (frias) e nem nos LEDs. As lâmpadas para iluminação que mais emitem infravermelho são as de filamento, incandescentes, quentes, que serão proibidas em breve”, diz o físico Carlos Lenz Cesar.

O problema é a sensação térmica
O professor da Unicamp diz ainda que um dos artigos que mais reúne informações sobre o efeito do infravermelho na pele humana, o “Effects of Infrared Radiation and Heat on Human Skin Aging in Vivo”, mostra que a ação danosa desse tipo de energia é indireta, o que significa que a absorção da luz se transforma em calor e é esse aumento da temperatura que gera os problemas cutâneos.

Em outras palavras: “Se a proximidade com a lâmpada não chegar ao ponto da pessoa sentir a pele queimando, o efeito do infravermelho é desprezível. Só para ilustrar, a potência das lâmpadas no infravermelho é quase 300 vezes menor do que a luz do sol”, compara Lenz.

“A luz das lâmpadas que provocam calor estimula os melanócitos (células que produzem o pigmento da pele). Essa é a maior preocupação dos dermatologistas porque a probabilidade de causar manchas é grande. Pacientes em tratamento de melasma, por exemplo, devem evitar se expor a fontes de calor, como o caso de ler perto de uma luminária que aquece”, destaca a médica Márcia Purceli.

Uma última conclusão mencionada em algumas pesquisas é que a energia térmica do infravermelho pode causar ainda danos oxidativos ao tecido cutâneo por causa de processos inflamatórios.
 

Topo