Beleza

Portadora de condição que provoca queda de cabelo assume look raspado

Arquivo pessoal
Portadora da alopecia, Paola Saliby decidiu raspar o cabelo imagem: Arquivo pessoal

Juliana Simon

Do UOL, em São Paulo

O carinho pelo cabelo é tão grande que já consideramos parte da personalidade de cada pessoa. Mas o que acontece quando uma mulher começa a perder os fios, a vê-los cada vez mais ralos, quebradiços? Essa é a realidade de quem convive com a alopecia, que provoca a perda parcial ou total de cabelo. Paola Saliby é uma das portadoras da condição, mas resolveu contorná-la com uma decisão radical: raspar o cabelo.

Arquivo pessoal
Paola Saliby em foto de 2012 imagem: Arquivo pessoal
"Aos 13 anos, meu cabelo começou a cair bastante, foi ficando mais opaco e quebradiço e convivi duramente todos esses anos, achando que era normal", relembra ao UOL a ilustradora, hoje com 28 anos.

"Há uns dois anos, quando vi que dava para ver o couro cabeludo, fiquei desesperada. Fui a uma dermatologista especializada, fiz os exames, que descartaram problemas no organismo e detectaram a origem genética. Eu já desconfiava, porque minha avó tinha muito pouco cabelo e minha mãe teve o mesmo problema após a menopausa", diz.

Além de fatores genéticos, como na alopecia androgenética no caso de Paola, ou manifestação autoimune, conhecida como alopecia areata, o estresse também pode desencadear a queda dos fios. Em algumas pessoas, o cabelo cresce de novo, mas acaba caindo novamente. Em outras, o cabelo volta a crescer e não cai mais. Cada caso é único. Mesmo que perca todo o cabelo, há chance de ele crescer novamente. "Fatores emocionais, traumas físicos e quadros infecciosos podem desencadear ou agravar um quadro de alopecia", afirma o site da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O tratamento de Paola consistia em um medicamento voltado para a calvície masculina, uma loção capilar e pílula anticoncepcional. Além disso, mexer no cabelo com as mãos ou com escova fazia a queda dos fios ser ainda mais agressiva. O resultado psicológico também foi devastador no período: "Fiquei em crise, chorei muito", afirma Paola.

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Paola Saliby em foto de 2014 imagem: Arquivo pessoal
Há poucos meses, ela decidiu parar com tudo, pois sentia que o esforço não adiantava. Raspar o cabelo foi um alívio. "Esteticamente me sinto mais segura. E agora estou tentando mudar também minha rotina. Hoje lavo o cabelo todos os dias", diz. Com a decisão, também veio o preconceito. "Antes, poucos percebiam o problema. Hoje sofro mais", afirma.

E por isso, Paola decidiu criar o Bald Hair Day, um blog que aborda o problema com informação e bom humor: "Os olhares tortos começaram a me incomodar mais do que a calvície, mas também me motivaram a entender o que é o problema e a ajudar quem passa pela mesma condição".

O blog é recente, mas já conta com reações positivas de meninas com casos mais agressivos de alopecia e de outras que acabaram de se descobrir portadora da condição. Há, ainda, as que desejam adotar o look raspado, mas têm medo. "Se tivesse alguém para falar sobre o problema na época em que eu percebi, me sentiria menos estranha e injustiçada", afirma Paola.

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