Cuidados com a pele

Compreender os rótulos dos cosméticos é mais importante do que você pensa

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Rótulo pode revelar informações determinantes para a compra de um cosmético imagem: Getty Images

Carol Salles

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Se você costuma usar produtos sem nem lembrar que eles possuem rótulos, saiba que pode estar perdendo informações importantes contidas ali. E elas valem não só para a hora da compra, mas por toda a vida útil do seu cosmético (cujo período, aliás, também é indicado). Veja a seguir o que ficar de olho para garantir uma compra segura e adequada às suas necessidades.

Rótulo da frente
Tem muita gente que compra um produto por causa do cheiro ou da marca e não se atenta para detalhes descritos na etiqueta frontal. É lá que estão as informações mais básicas sobre o item, como a sua finalidade (clareador ou anti-idade, por exemplo) e principais atributos (oil-free, para peles sensíveis, hipoalergênico, dermatologicamente testado, etc). Fique atenta para não comprar um produto que não atenda às suas necessidades só porque achou a embalagem bonita, é cheiroso ou apenas se parece com o que você precisa.

A ordem da lista de ingredientes
O rótulo de trás concentra a maior parte das informações. Uma das mais importantes é a lista de ingredientes. Nos EUA e Europa, há uma lei que obriga as empresas a listá-los em ordem decrescente de concentração, ou seja, os primeiros aparecem em maior quantidade no produto. "Saber disso é importante porque muitas vezes a concentração de um ingrediente destacado pelo marketing pode ser irrisória para fazer algum efeito na pele", diz a dermatologista Valéria Campos, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Os ativos com ação sobre a pele, quando em boas concentrações, ocuparão da terceira até quinta ou oitava posição.

Os ingredientes
Geralmente em letras pequenas, os componentes devem estar escritos na nomenclatura internacional, chamada de INCI (International Nomenclature of Cosmetic Ingredient). Veja abaixo uma lista de alguns dos componentes mais comuns e como identificá-los:

Parfum: é a fragrância do produto. "Esses componentes são, hoje, reconhecidos como um dos principais causadores de irritação e alergia. Então, quem tiver essa sensibilidade deve escolher um produto que não tenha fragrância", diz o farmacêutico especializado em Cosmetologia Lucas Portilho.

Cyclopentasiloxane, dimethicone e outros nomes que terminam em -xane, -cone, -col ou -conol: são silicones. Largamente utilizados na indústria cosmética, não causam mal para a pele, mas, por não serem solúveis em água, degradam o meio ambiente.

Paraben ou parabeno. O termo pode vir acompanhado de outras palavras como metil, propil ou butil. "É um conservante e, assim como a fragrância, também pode causar irritação e alergia", diz a farmacêutica Mika Yamaguchi.

Propylene glycol. Serve para diluir outras substâncias ou dar sensação de hidratação. "Provoca frequentemente distúrbios cutâneos como alergias e irritações", diz Valéria Campos.

Parafinum liquidum, mineral oil, petrolatum. Esses derivados do petróleo podem entupir poros e também prejudicar o meio ambiente. Por isso, são contraindicados em produtos para peles acneicas, sensíveis e infantis.

Modo de uso
Para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mais do que a lista de ingredientes, essa é a parte que importa para os consumidores. Isso porque estão descritos de forma clara e precisa a maneira que o produto deve ser usado para ter os melhores resultados e também garantir segurança de quem usa. A agência também explica que itens de maior complexidade, como protetores solares, tinturas para cabelo e alisantes devem trazer instruções detalhadas e específicas.

Data de validade
Parece óbvio, mas nem todos olham. Antes de comprar um cosmético, vale avaliar se conseguirá usá-lo até o fim antes do vencimento. Essa informação é obrigatória em qualquer cosmético produzido no Brasil.

PAO (Period After Opening)
Já reparou que os produtos importados trazem o desenho de um pote aberto e um número embaixo? Ele serve para indicar o tempo que o produto dura depois de aberto. Se estiver escrito, por exemplo, "6M", é o mesmo que seis meses. "É uma regra europeia e a Anvisa não exige isso no Brasil", esclarece Lucas Portilho. Mas qual data, afinal, deve-se seguir: a de validade ou a indicada na PAO? "Vale a que expirar primeiro", indica Isabel Luiza Piatti, tecnóloga em estética.

Informações obrigatórias
Algumas delas são nome e endereço da empresa que produz ou importa, uma forma de contatá-la pelo SAC (serviço de atendimento ao consumidor), número do lote, precauções e advertências.

 

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