Cabelos

"Dread difícil de cuidar é mito", diz mulher que adotou visual há 10 anos

Fabiano Cerchiari/UOL
Debora Fidelis faz seus próprios dreads há dez anos imagem: Fabiano Cerchiari/UOL

Juliana Simon

Do UOL, em São Paulo

Debora Fidelis, a Debinha, não passa despercebida e não é só pelos pratos que prepara. Seja com a dólmã (o tradicional uniforme dos cozinheiros) ou com a roupa do dia a dia, a chef de cozinha esbanja longos dreadlocks naturais. Não foi sem dúvidas e histórias de rejeição que ela adotou o penteado, há dez anos.

"Já tinha feito química, entrelaçamento, tranças de kanekalon e nunca gostei de nada porque não ficava original. Não ficava eu. No Ano Novo de 2006, decidi não fazer mais nada no cabelo. Cortei bem curto e comecei a deixar o cabelo 'endredar'", lembra a cozinheira de 29 anos.

A decisão não foi tranquila, uma vez que Debora trabalha desde os nove anos com cozinha e muitos relacionavam (e ainda relacionam) os dreads a desleixo e falta de higiene. "Muitos diziam que dread é sujo e que as pessoas não iriam querer provar minha comida'", lembra.

Em dez anos de dreads, Debora acredita que ainda há muita implicância com o este tipo de penteado, assim como com as tatuagens e piercings. No mundo da gastronomia, no entanto, ela acredita que o perfil está cada vez mais moderno: "Não tem mais aquele choque tão grande. Às vezes eu até me surpreendo porque as pessoas ficam mais encantadas com o dreads do que com a comida", brinca.

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Cuidar e manter os dreadlocks é mais fácil do que parece, diz Debora imagem: Fabiano Cerchiari/UOL

Um cabelo como qualquer outro
O grande mito em relação ao dread é que a limpeza é difícil, mas Debora afirma que não tem segredo: "Uma das coisas que eu aprendi com o tempo é que você pode passar tudo, até um creme para fazer hidratação.  Geralmente, eu uso sabão neutro, sem sal, e lavo uma vez por semana. É a mesma coisa de qualquer cabelo comprido. Não tem dificuldade nenhuma", diz.

Arquivo pessoal
Debora Fidelis quando ainda estava com os dreads curtos imagem: Arquivo pessoal
Outra vantagem do penteado é a financeira. Antes de aderir aos dreads, a chef gastava cerca de R$ 500 para colocar apliques. Hoje, há somente o gasto com um bom xampu.
Para criar o look com os fios naturais, no entanto, é preciso paciência. "Comecei a sentir que já era um dread depois de um ano. Nesse tempo, fui enrolando, fazendo as formas e ele foi crescendo naturalmente", lembra Debora.

A manutenção, no caso do cabelo crespo, é mais fácil. Até 2015, Debora enrolava dread por dread em um processo que levada de quatro a cinco horas. Hoje uma cabeleireira ajusta a raiz dos dreads de Debora usando agulhas. Quem não tem cabelo crespo, entretanto, precisa de ceras e até de falsos dreads se quiser adotar o look.

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Para trabalhar, faixas e turbantes fazem parte do look de Debora imagem: Fabiano Cerchiari/UOL
Além da praticidade, os dreads também são bastante versáteis. Prender, amarrar ou pintar: tudo é possível. E mesmo em ambientes formais, o cabelo se adapta. No trabalho ou em cerimônias formais, como casamentos, Debora opta por acessórios para segurar os fios. "Fui madrinha e fiz um coque com presilhinhas bem delicadas. Você pode colocar argolas, turbante, flores. Dá para adaptar a qualquer look", afirma.

Questão de personalidade
Debora acrescenta que, por muito tempo, ter cabelo comprido era possível somente para as "lisas". "Eu não preciso alisar, fazer química ou implantar fios que não são meus e tenho cabelo comprido. Essa questão de comprimento sempre foi uma questão de autoestima para qualquer mulher, seja ela preta, branca ou morena. Com os dreads, ela está resolvida", diz.

"Você adquire uma personalidade e fica bem consigo mesmo. É uma questão de aceitação. Depois dos dreads, a pessoa fica completa", afirma.

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