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Do Caburaí ao Chuí: objetos de decoração têm a cara da cultura brasileira

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Figura da cultura sertaneja, o boi povoa também o artesanato brasileiro imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Colaboração para o UOL, em São Paulo

O mix de culturas, a disponibilidade de matérias-primas diversas e o domínio de técnicas variadas por habilidosos artesãos de todo o país, fazem do design tradicional brasileiro especial e único.

De norte a sul, não faltam exemplos de itens carregados de identidade, capazes de dar mais estilo e personalidade aos ambientes: das redes de dormir tão comuns no Nordeste às panelas de pedra-sabão mineiras. Saiba mais sobre cada um desses tesouros nacionais.

Fontes: “A História do Chimarrão”, de Barbosa Lessa, Editora Sulina; ArteSol – Artesanato Solidário (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - Oscip - para a valorização do trabalho de artesão, especialmente em comunidades de baixa renda); “Design + Artesanato – O Caminho brasileiro”, de Adélia Borges, Editora Terceiro Nome. 

Belos e históricos

  • Divulgação/ Artesol

    Cuias para tacacá

    Com origens indígenas, as cuias são ícones da região amazônica onde são utilizadas para saborear o tacacá (caldo feito com goma de mandioca e camarão seco), bem como outros alimentos, como o açaí e o mingau de tapioca. As peças são produzidas artesanalmente a partir do fruto de uma árvore chamada cueira e adornadas com pigmentos naturais e desenhos típicos. A produção dos utensílios por comunidades ribeirinhas no Pará é considerada patrimônio cultural brasileiro.

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    Panela de pedra-sabão

    Produtos de exportação, as panelas de pedra-sabão são feitas artesanalmente há, pelo menos, duzentos anos na região de Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais. O método tradicional de fabricação utiliza tornos de modelagem movidos por rodas d'água e talhadeiras. O sucesso desses utensílios se explica - principalmente - por sua durabilidade, pela preservação do sabor original dos alimentos e pela boa conservação do calor, melhorando o cozimento.

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    Bordados e rendas

    Cada vez mais valorizados no exterior, o bordado e a renda feitos no Brasil são famosos por sua delicadeza. Produzidos em vários estados, utilizam técnicas diversas, geralmente passadas de mães para filhas. A precisão da execução e o repertório de pontos e nós determinam a sofisticação de cada trabalho. Um dos destaques é o bordado filé, inspirado em redes de pescadores e produzido em alguns estados do Nordeste. Entre as rendas, as mais famosas são as de bilros (foto).

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    Cestaria

    Por todo o país, a arte de trançar fibras naturais herdada dos índios perdura. Os diferentes tipos de cestaria variam em função de aspectos geográficos e do tipo de material disponível. Fibras extraídas de bananeira, de carnaubeira, de palmeira de tucumã, de juta e de jupati, além de bambu e sisal, são algumas das matérias-primas utilizadas na feitura de artigos como esteiras, tapetes e cestos.

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    Chita

    Há quem torça o nariz para as cores fortes e as estampas chapadas da chita, tecido popular amplamente utilizado pelos artesãos brasileiros. Mas uma bela almofada com esse material pode, sim, quebrar a monotonia e dar despojamento ao ambiente. Também pode complementar a decoração com estilo boho ou eclético. Produzida inicialmente na Índia, a chita veio para o Brasil com os europeus no século 19 e foi incorporada à cultura popular. Hoje, a fazenda tem ar "cool" e pode ser empregada na decoração. Bons exemplos são os revestimentos de bancos e estofados, além dos itens de mesa (toalhas, porta-copos, jogos americanos, etc.).

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    Cerâmica e bonecos de barro

    O Nordeste, assim como Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Goiás, são os principais produtores de peças figurativas de cerâmica e barro. Cheias de cores, elas são produzidas, muitas vezes, a partir do modelo popularizado pelo artista pernambucano Mestre Vitalino (1909-1963). O artesão fazia bonecos inspirados em crenças populares e em cenas do cotidiano e deixou dezenas de discípulos.

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    Redes para o descanso

    Legado dos indígenas da América do Sul que produziam o utensílio com cipós, as redes de dormir estão intrinsicamente ligadas à história do Brasil. Após a chegada dos portugueses na época do descobrimento, passaram a ser tecidas com algodão e eram usadas não só para o descanso, mas também como meio de transporte. Ainda hoje, as redes são utilizadas, especialmente, nas regiões litorâneas e em todo o Nordeste do país como uma alternativa mais fresca e compacta, se comparada à cama.

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    Cuia de chimarrão

    A vasilha feita a partir do porongo é um aparato fundamental para o consumo do chimarrão tradicional. O fruto da trepadeira é raspado manualmente até atingir o formato desejado e posto para secar lentamente. Uma vez seca, a peça é polida com cera para só então receber adornos variados que podem ser de prata, ouro e outros metais. Os tradicionalistas afirmam que, diferente de outros materiais, o porongo não modifica o sabor do chimarrão. Daí o seu principal valor. A bebida, tão popular no sul da América do Sul, remonta um hábito com origens indígenas.

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