Casa e decoração

Restauradores dão os últimos retoques à Torre de Pisa

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Torre de Pisa, na Itália, cuja restauração que já dura oito anos está na fase final imagem: Stock Images

Pisa, Itália, 13 dez 2010 (AFP) -Enquanto o vento cortante sopra no entorno da Torre de Pisa, Marco Berettini enfia o chapéu até as orelhas para se proteger do frio, lutando para se manter de pé no campanário inclinado e se esconder atrás de uma pilastra medieval.

Berettini luta contra os elementos para dar os retoques finais a um projeto de restauração de oito anos, dedicado a remover sal marinho, fezes de pombos e pichações de turistas da famosa torre antes da retirada dos andaimes, no ano que vem.

A apenas 12 km da costa mediterrânea, a torre é frequentemente açoitada por tempestades que vêm do mar. Seus arcos amplos e abertos fornecem uma sombra insuficiente aos restauradores, expostos ao rigoroso verão toscano.

"Você tem que ser um apaixonado em salvar a torre ou nunca será capaz de se convencer a sair da cama ao amanhecer e passar o dia inclinado", confessou Berettini, de 41 anos.

"As condições são extremas e nós frequentemente temos que trabalhar em temperaturas excessivas. Mas é um trabalho que se faz por amor", declarou, com um sorriso de orgulho nos lábios.

Armada com lasers, cinzéis e seringas, a equipe formada por 10 pessoas levou oito anos e três meses para limpar os 24.424 blocos de pedra que conformam a torre de 56 metros, às vezes trabalhando noite adentro.

"As pedras se encontravam em estado assustador, sobretudo devido à poluição do ar, embora os turistas e os pombos também tenham contribuído", explicou o suíço Anton Sutter, chefe dos restauradores, que assistiu à escola de restauração artística, em Pisa, 25 anos atrás.

Os distintos blocos amarelados foram extraídos das pedreiras de San Giuliano, visível do alto da torre, que se destaca nas colinas verdes atrás de Pisa.

"As colunas são decoradas com remates de flores, faces demoníacas, animais fantásticos", disse Sutter.

"Mas o sal marinho carregado pelos ventos e pela água da chuva empoçada em algumas áreas por causa da inclinação da torre danificou muitos", disse Sutter, explicando que a água não era drenada adequadamente por causa do ângulo de inclinação da torre.

"Nós retiramos o concreto usado em restaurações anteriores e limpamos a sujeira dos pombos, das pichações e marcas de mãos deixadas por turistas na tentativa de manter o equilíbrio enquanto subiam as escadas inclinadas da torre até o topo", acrescentou.

Conta a lenda que a construção da torre foi iniciada em 1173, depois que uma nobre local deixou em testamento 60 moedas para a cidade construir um campanário magnífico.

Mas depois da construção de apenas três níveis, a torre começou a inclinar e suas fundações afundaram de um lado. Embora arquitetos e engenheiros tenham tentado estabilizá-la desde então, a torre continuou a inclinar.

Em 1987, a Torre de Pisa foi declarada Patrimônio Mundial pela organização cultural da ONU, a Unesco, mas devido ao temor de que tombasse, foi fechada à visitação pública em 1980.

"A torre esteve à beira do colapso, mas conseguimos deter a inclinação e protegê-la. Agora está fora de risco ao menos pelos próximos 200 anos", explicou Giuseppe Bentivoglio, da organização Opera Primaziale, que preserva o monumento.

A torre foi reaberta ao público em 2001, e permaneceu aberta durante todo o período de restauração, que custou cerca de 7 milhões de euros (9,3 milhões de dólares), em parte para agradar aos turistas, mas também por causa dos ganhos obtidos com a venda de ingressos, que ajudaram a custear a manutenção.

Cerca de um milhão de pessoas visitam a torre por ano. Aqueles que viveram a experiência de subir os 296 degraus riem dos outros que chegam, cambaleantes, aos pés do monumento, desorientados após descerem a escadaria inclinada.

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