Casa e decoração

Casa de Edgar Poe em Baltimore está ameaçada de fechamento

AFP PHOTO / Saul LOEB
Visitante observa objetos de Edgar Allan Poe na casa em que o poeta viveu e pode ser fechada imagem: AFP PHOTO / Saul LOEB

BALTIMORE, EUA, 16 Ago 2011 (AFP) - A casa é minúscula, mas abrigou há tempos um dos maiores escritores americanos, Edgar Allan Poe. Transformada em museu, a "casa Poe" de Baltimore está, hoje, ameaçada de fechamento - "uma tragédia" que mobiliza os admiradores do poeta.

"No ritmo atual dos acontecimentos, só poderemos ficar abertos até junho de 2012. Depois, não sei...", disse à AFP o curador Jeff Jerome, que se ocupa da casa onde morou durante quatro anos o escritor (1809-1849), considerado o inventor do romance policial com histórias inesquecíveis, tais como "Os assassinatos na rua Morgue" ou "A carta roubada".

Há dois anos, a cidade de Baltimore, que administra a propriedade, vem sendo vítima de um "déficit histórico", pelo que cortou os 85.000 dólares de orçamento anual dedicado ao museu.

"Precisamos reduzir nossas despesas ao essencial", disse Tom Stosur, do serviço de previsão orçamentária da cidade, afirmando, no entanto, que a decisão não foi tomada "com satisfação". A casa-museu também passou a viver de donativos, mas os recursos se esgotam.

"É triste que não se possa manter esse gênero de coisas", afirma George Dwyer, de Washington, que veio visitar o local. O percurso é breve : uma entrada com uma pequena butique, um antigo salão que se atravessa com alguns passos. Duas peças no primeiro andar, um quarto tipo mansarda no segundo, uma escada que só aguenta uma pessoa de cada vez.

Poe, então jovem, viveu no local de 1832 a 1835 com sua tia, a avó, a prima e sua futura esposa Virginia. Escreveu aí vários romances. O escritor foi enterrado a algumas centenas de metros do local, depois de ter morado, também, na Filadélfia, Nova York e Richmond (Virgínia).

Nas prateleiras, um serviço de jantar usado na casa, uma agenda que pertenceu ao escritor, o aviso de morte num jornal local, além de retratos e gravuras.

Uma foto escurecida, mostra o homem misterioso que colocava sobre seu túmulo, de 1949 a 2009, três rosas e uma garrafa de conhaque sempre nos dias 19 de janeiro, dia de nascimento do poeta.

"Não temos uma grande coleção", disse Jerome, "mas vê-se a pobreza em que viveu. Os visitantes podem contemplar as mesmas paredes que ele via, usar a mesma escada pela qual subiu tantas vezes, entrar no quarto em que dormia. Queremos que as pessoas vivenciem isso", acrescentou.

Um pouco longe do centro da cidade, a casa-museu que recebe 5.000 visitantes por ano, é difícil de ser encontrada.

São com frequência os grandes leitores apaixonados que vêm, assegura Jerome que considera "extraordinário constater a qual ponto as pessoas se emocionam" com a notícia de um eventual fechamento.

Esses fãs se mobilizam. Uma petição, com 5.900 assinaturas do mundo inteiro, pede à cidade reconsiderar sua posição. "Fechar a casa Poe seria uma tragédia", afirma Amanda (Texas), "um erro terrível", acrescenta Ricardo (Brasil). "É um tesouro cultural americano", para Michael da Geórgia (EUA).

Um artista pôs à venda uma gravura inspirada em "O Corvo", o mais célebre poema do escritor. Um restaurante lançou a operação "Pennies for Poe" (uma moeda para Poe).

No entanto, Jerome mostra-se otimista. Uma sociedade especializada, solicitada pela prefeitura, apresentou recentemente o estudo de um projeto.

Topo