Casa e decoração

Reforço de construções poderia salvar vidas, dizem especialistas

Eric Brücher Camara Da BBC Brasil em Londres

Regras mais rígidas para a construção civil e prédios adaptados para terremotos podem evitar muitas das mortes em terremotos como o de terça-feira, no Haiti, de acordo com especialistas entrevistados pela BBC Brasil.
 

Medidas "relativamente baratas", como o uso de concreto armado reforçado com aço e a construção de cinturões externos para conter desabamentos poderiam evitar mortes e possibilitar o tratamento de feridos após o tremor.
 

Este tipo de investimento seria particularmente importante no Haiti, que, segundo o sismólogo Brian Baptie, da British Geological Survey (BGS), a agência geológica britânica, "provavelmente" enfrentará outros tremores de magnitude forte "nos próximos 50 a 100 anos", já que o país está sobre uma placa tectonicamente ativa.
 

Um exemplo claro da diferença que a construção pode fazer foi dado por Douglas Given, coordenador do sistema de alarme da agência de pesquisas geológicas dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
 

Em 1994, um terremoto de 6,4 pontos na escala Richter na Califórnia causou 60 mortes. No ano seguinte, um tremor de potência semelhante matou 640 pessoas nas proximidades de Osaka, no Japão.
 

Hospitais e ONU
Em ambos os casos, a população da região beirava os 2 milhões de habitantes. O que fez essa diferença, segundo Given, foi a qualidade das construções.
 

No Haiti, o país mais pobre das Américas, ela pode ser ainda mais gritante. "Sistemas de alarme são muito caros e provavelmente seriam a solução errada para o Haiti. Uma mudança no código de construção civil faz mais sentido", afirmou.
 

O sismólogo da BGS, Brian Baptie, concorda com o colega americano. Ele afirmou à BBC Brasil que existem medidas relativamente baratas que deveriam ser usadas pelo menos para reforçar construções estratégicas.
 

"Em um país como o Haiti, é preciso equilibrar os custos, então é importante garantir que alguns prédios, como hospitais e a sede das Nações Unidas, por exemplo, sejam construídas de forma a não ruir", disse o sismólogo.
 

Ele citou medidas de custo "relativamente baixo", como o uso de concreto armado mais resistente, com uma espécie de cinturão externo que evita que construções caiam totalmente.
 

Dessa forma, serviços essenciais como hospitais e agências humanitárias poderiam continuar atuando nos dramáticos dias que se seguem a um grande terremoto.
 

"Não estamos falando de sistemas de amortecedores que reduzem tremores em prédios. Refiro-me a medidas relativamente baratas", disse Baptie.

 

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