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Após UPP, aluguel nas favelas cresce mais do que em outras áreas, diz estudo

Ricardo Moraes/Reuters
Vista geral da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Após UPP's aluguéis crescem imagem: Ricardo Moraes/Reuters

Os valores dos aluguéis nas favelas do Rio de Janeiro subiram 6,8% mais que nas demais áreas da cidade desde que o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) começou a ser implementado pelo governo do Estado, segundo afirma estudo da FGV divulgado nesta quarta-feira.

De acordo com a pesquisa, no entanto, as moradias iguais em tamanho, qualidade de material e acesso a serviços públicos, entre outras características, ainda são 25% mais baratas nas favelas do Rio do que no restante da cidade.

O estudo da FGV comparou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2007 e 2009, última edição realizada. O programa das UPPs começou a ser implementado no Rio em 2008.

Segundo a pesquisa, a alta nos aluguéis das favelas pode ser vista como resultante do programa de segurança pública nessas comunidades, ou "efeito-UPP".

De acordo com o coordenador do estudo, Marcelo Neri, mesmo que as UPPs não tenham sido efetivamente instaladas nas favelas no período pesquisado, o simples anúncio da intervenção das forças de segurança já seria suficiente para valorizar os imóveis nessas localidades.

O estudo prevê ainda que a valorização dos aluguéis na favela da Rocinha, ocupada pela polícia no último domingo, será maior do que em outras favelas cariocas, devido à maior pressão imobiliária no local.

Na Rocinha, por exemplo, 13% das pessoas moram em residências com mais de uma família, contra 3% no Alemão, segundo a pesquisa.

'Efeito olímpico'
A pesquisa observa também que, desde o anúncio da realização da Olimpíada de 2016 no Rio, em 2009, as taxas de crescimento da renda domiciliar per capita média na cidade foram pelo menos duas vezes maiores do que o conjunto das seis principais metrópoles brasileiras.

Assim, com base em dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, o estudo afirma que pode ser observado um "efeito olímpico" sobre a renda do carioca.

Apesar disso, o estudo afirma que a desigualdade, ainda em alta, continua sendo um desafio na capital fluminense.

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