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Design da taça influencia sabor do vinho, diz especialista

Porto, 9 nov (Lusa) - O industrial austríaco Georg Riedel, que produz as taças mais exclusivas para vinhos do mundo, defendeu, em declarações à Agência Lusa, que "um verdadeiro apreciador de vinho deve gastar tanto num copo quanto a média do que investe numa garrafa de vinho".

Membro de uma família que há dez gerações produz copos de cristal para vinho, com mais de 300 formas distintas para variados tipos de vinho, Riedel destacou que os seus copos são concebidos para enfatizar a harmonia do vinho.

"Concebemos os nossos copos, ao longo dos últimos dois séculos e meio [a fábrica da família Riedel abriu em 1756] pelo método de tentativa e erro [trial and error] até chegar ideal para cada vinho", declarou.

Além disso, Riedel destacou que hoje a ciência já avançou o suficiente para fornecer a explicação científica para o fato de um copo ressaltar a harmonia de um vinho e desequilibrar outro.

"Verificamos que o mesmo vinho ficava completamente diferente quando servido em distintos copos. A diferença é tanta que mesmo os conhecedores mais experientes eram levados a acreditar que estavam a provar vinhos diferentes", declarou.

"A física molecular explica hoje perfeitamente aquilo que há 100 ou 150 anos foi apurado à custa de muitas tentativas e erros. Hoje sabemos isso", disse.

Em prova de vinhos que acontece no Porto, norte de Portugal, o empresário apresentou, durante uma hora e meia, quatro vinhos correntes, dois brancos e dois tintos. Além disso, ele os provou em seis taças diferentes.

À medida em que cada vinho mudava de taça acentuava umas características e perdia outras até ficar completamente irreconhecível quando tomado num copo plástico de paredes planas. Todavia, ao voltar ao recipiente original, cada vinho readquiria a plenitude de seus taninos iniciais.

Cada um dos mais de 100 participantes da prova, a maior parte ligados ao setor, pode sentir a importância do tamanho e do formato na interpretação da mensagem de um bom vinho.

"O tamanho de um copo é importante, influenciando a qualidade e intensidade dos aromas", disse, frisando que cada copo deve ser cheio até apenas um terço de sua altura de cada vez.

Riedel afirmou que "vinhos tintos pedem copos maiores, vinhos brancos copos médios, enquanto as aguardentes pedem copos menores para enfatizar a fruta e não o álcool".

Design

O fundamental é que a taça seja desenhada de forma que transmita os quatro principais elementos que compõem o sabor da bebida: a fruta, os elementos minerais, a acidez e os tons amargos.

"Em rigor, cada uma das principais castas de uvas deveria ter o seu copo ideal, mas a generalidade dos vinhos pode ser cobertas com cinco formas básicas de copo, duas para brancos, três para tintos", afirmou Riedel.

O especialista descobriu recentemente que "a taça usada para os vinhos do vale do Rhone é também o ideal para os vinhos à base da prestigiada casta portuguesa Touriga Nacional".

Quanto à polêmica entre o uso de rolha de cortiça e a sua grande concorrente, a rolha metálica de enroscar (conhecida também como screw cap), Riedel confessa-se partidário da primeira.

"Sou um tradicionalista, gosto da rolha de cortiça, acho que é o melhor vedante para o vinho porque lhe dá a possibilidade de respirar", afirmou.

Admitiu, no entanto, que "a screw cap, por ser prática e por evitar o chamado gosto a rolha, que acontece quando uma rolha se estraga, tem sido escolhida por muitas marcas, algumas delas excelentes. É possível que essa tendência possa vir a crescer".

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