Casa e decoração

Artista plástica cria decoração natalina que foge do convencional

Chris Campos

Colaboração para o UOL

Em uma época na qual a correria e a fúria consumista atropelam tradições e atitudes do bem, a artista plástica Flavia Renault surpreende pela ousadia de reduzir o passo e apostar em ações conscientes. Na sua casa, o espírito natalino importa mais do que os presentes. Montar presépios é uma farra, herança dos tempos de menina em Minas Gerais, quando a avó recriava o cenário do nascimento de Jesus “como se estivesse participando de uma Bienal”. Presentes feitos com as próprias mãos são mais valiosos do que o brinquedo do momento anunciado nos shoppings da cidade.

  • Flavia Renault/UOL

    Guirlanda feita com frutas e pássaro, inspirada nas criações natalinas de Martha Stewart


Suspiro de alívio! Por ali, garimpar fitas, bolas coloridas e moldes de biscoitos na caixa de papelão é uma farra que seus três filhos pequenos encaram com espírito de festa para decorar a árvore de Natal – improvisada charmosamente com galhos da jabuticabeira do quintal. “Parei de comprar o pinheiro natural quando notei que eles nunca vingavam depois de replantados”, conta Flavia. “Comecei a me sentir uma assassina de árvores”.

Flavia tem o privilégio de trabalhar com o que gosta: inventar objetos decorativos diferentes, feitos sob encomenda. Ela e a sócia, Patrícia Sper, pilotam juntas a Charlotterie. “O que vendemos geralmente sai de alguma criação que inventamos para as nossas próprias casas”, conta Flavia. Assim aconteceu com a casinha de bonecas que Flavia ofertou à filha como um dos “presentes feitos com as próprias mãos”, tradição repetida a cada Natal. “Este ano, por exemplo, meus filhos pediram quadros para mim, cada um com um tema diferente”, conta. “Geralmente eles fazem desenhos lindos de presente para mim e para o meu marido”. O clima artístico da família se estende à montagem dos presépios. Cada um monta seu próprio cenário e do jeito que mais gostar. “Este ano estou montando um com figuras de gesso; minha filha outro, com bonecos de pano, e meu filho escolheu usar madeira”, explica Flavia, que coleciona presépios e também faz questão de seguir o calendário do Advento. A cada dia, uma ação diferente ocorre nos presépios, até o ápice da festa, na noite do dia 24, quando o menino Jesus completa a sequência de cenas recriadas em sua casa.

O clima mágico do Natal aparece na casa inteira. Na lareira, meias de feltro para cada uma das crianças. Na poltrona da sala, figuras de pelúcia em versões de renas e Papai Noel. No teto do ateliê que Flavia mantém em casa, um móbile com bolas e fitas coloridas não poderia conferir mais leveza ao ambiente. Em sua casa também é hábito preparar biscoitos e caixinhas recheadas com chocolates para presentear desde prestadores de serviços até amigos e familiares queridos. Flavia é especialista em montar criativas caixas de presentes recheadas com itens não necessariamente caros, mas muito charmosos. Assim, um bonito presente feito por ela pode incluir uma caixinha, um suporte para velas, alguns biscoitos, um enfeite de Natal feito especialmente para pessoa. Muito mais simpático do que a lembrancinha comprada às pressas na loja do bairro.

Outro costume natalino é trocar as luzinhas por enfeites coloridos, como fitas e rendas que ela tinge em casa. “Não sou eu que vou contribuir com o gasto extra de energia nesta época do ano”, justifica. As crianças também já sabem que, como vão ganhar brinquedos novos, devem doar alguns dos antigos para crianças carentes. Tradição que começou na infância de Flavia, quando os avós pediam doações em dinheiro em vez de presentes para os integrantes da família. “A verba era para comprar cobertores, doados no inverno para pessoas que vivem nas ruas”, conta Flavia, que segue apostando que Natal é uma época em que as pessoas devem ficar focadas em atitudes, em trocas feitas com amor.

Chris Campos é jornalista e editora do site Casa da Chris.

 

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