Casa e decoração

Além de decorar, árvores em vaso podem render frutos quando bem cuidadas

JULIANA NAKAMURA

Colaboração para o UOL

O prazer de ter uma árvore em casa ou mesmo de poder colher uma fruta direto do pé não precisa ser privilégio daqueles que vivem em residências espaçosas, com amplos jardins. Palmeiras, jabuticabeiras, laranjeiras, pitangueiras e limoeiros podem se adaptar muito bem em vasos e decorar ambientes de dimensões reduzidas.

Como ocorre com todas as espécies vegetais, o desenvolvimento saudável dessas árvores vai depender de alguns cuidados que, uma vez seguidos, permitem adicionar cor e aromas a varandas, salas de estar e pequenos quintais por muitos anos.

Os vasos, à base de cimento ou cerâmica, podem ter formatos variados, desde que ofereçam espaço suficiente para as raízes crescerem e se espalharem. O tamanho do recipiente deve ser proporcional ao crescimento esperado de cada espécie. Pitangueiras, ficus e feijoas podem se dar bem em vasos de 30 a 50 litros. Já árvores maiores, que atingem mais de 2,5 m de altura, costumam exigir recipientes de 60 litros ou mais. Esse é o caso da cagaita e da lichieira. “Para pequenas árvores frutíferas, com até 1 m de altura, o cultivo pode ocorrer em vasos com boca quadrada de 40 X 40 cm, 50 X 50 cm e até 80 X 80 cm”, exemplifica a paisagista Iara Kílaris.

Há espécies, como as jabuticabeiras, que podem dar um pouco mais de trabalho para se adaptar ao espaço confinado e chegam a perder algumas folhas no início. “Mas, passada a fase de adaptação, a tendência é a de que essas árvores dêem frutos e fiquem lindas”, afirma a paisagista Lidiane Lourenço. “A jabuticabeira, aliás, se tornou a ‘queridinha’ das varandas, graças às suas folhas delicadas e por dar frutos duas vezes por ano”, acrescenta a paisagista Paula Galbi.

Cuidados essenciais
Independente da espécie plantada é importante que o vaso esteja em local ensolarado e com boa ventilação. Além disso, o recipiente que irá receber a planta deve ser submetido a alguns tratamentos. A face interna precisa ser previamente impermeabilizada para evitar que manchas e mofos passem para o lado externo, comprometendo a estética. Também é importante assegurar o escoamento do excesso de água. Para isso, o fundo dos vasos deve receber uma camada de argila expandida ou pedra britada envolta em geotêxtil.

Um solo rico em nutrientes é a chave para que a árvore possa florescer e, no caso das frutíferas, dar frutos. Os paisagistas recomendam que haja pelo menos 20% de matéria orgânica na composição do solo. Uma solução usual é empregar húmus de minhoca e farinha de osso misturados à terra vegetal e areia em partes iguais. Outra opção para assegurar solo fértil é a aplicação de adubos de liberação controlada.

Regas adequadas também são primordiais e devem ser planejadas levando em conta as necessidades individuais de cada planta e as condições climáticas do ambiente. A milenar romãzeira, por exemplo, é uma frutífera que requer consumo elevado de água. Em compensação as espécies típicas do cerrado, caso da pitanga do cerrado e a jabuticaba-anã, não toleram excessos e, por isso mesmo, demandam drenagem ainda mais eficiente. Jabuticabeiras de forma geral pedem regas diárias, enquanto as romãzeiras podem ser hidratadas apenas quatro vezes por semana. Para garantir sempre um aspecto saudável, uma dica, principalmente para as plantas que ficam em varandas de apartamentos, é borrifar água limpa sobre as folhas. Aliada a regas periódicas, essa medida ajuda a repor a hidratação perdida por causa do vento.

Tão importante quanto o plantio correto é a manutenção periódica. Uma árvore saudável e durável requer reposição do adubo apropriado para a espécie a cada três meses. Podas no inverno são igualmente importantes para evitar o surgimento de fungos e assegurar perenidade à arvore.

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