Casa e decoração

Brasília comemora 50 anos e segundo lugar no ranking do mercado imobiliário nacional

Leonardo Finotti
As áreas habitacionais de Brasília se expandem para além das superquadras e o mercado comemora crescimento. Em 2009 os lançamentos movimentaram um total de R$ 4,3 bilhões imagem: Leonardo Finotti

CRISTIANO BASTOS

Colaboração para o UOL

O crescimento do mercado imobiliário do Distrito Federal, que completa 50 anos no dia 21 de abril, avança, anualmente, a largos passos. Desde 2008, ultrapassou o do Rio de Janeiro e consolidou-se, assim, como o segundo do país em faturamento e em número de unidades vendidas, atrás somente de São Paulo. Em 2009, no DF, os lançamentos de imóveis movimentaram R$ 11,7 milhões por dia - um total de R$ 4,3 bilhões no ano.

O levantamento foi realizado pelo Secovi-DF (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais – ou, simplesmente, Sindicado da Habitação – do DF). A base foram dez grandes empresas de construção.

Segundo o presidente do Secovi-DF, Miguel Setembrino, cerca de 14 mil unidades ganharam o mercado brasiliense no ano que passou. “Brasília deu um salto muito grande em 2009. São Paulo, que possui 18 milhões de habitantes, vendeu 7,5 bilhões de reais em lançamentos, enquanto a capital federal, que tem 2, 6 milhão pessoas, faturou quase metade desse valor”, enfatiza.

O mercado brasiliense, explica Setembrino, começou a aquecer entre 2005 e 2006 e, nos anos de 2007 e 2008, os setores imobiliário e da construção civil viveram sua “época dourada” no centro-oeste. Dezenas de empreendimentos destinados a todas as classes sociais foram lançados.

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Em cidades médias brasileiras, com cerca de 300 mil habitantes, o valor médio de um imóvel custa em torno de R$ 120 mil. Em Brasília, um imóvel nas mesmas dimensões está avaliado em mais de R$ 900 mil.

Uma das explicações para o alto valor praticado fundamenta-se no tombamento da cidade. Brasília é classificada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o que, supostamente, dificulta a atividade imobiliária ao impor inúmeros limites e regras de ocupação.

Outra explicação é feita pelo viés dos “abastados” salários públicos pagos na capital. O presidente da Ademi-DF (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal), Adalberto Valadão, diz que 60% da massa salarial compõem-se de funcionários públicos, os quais são imunes às crises econômicas e à redução de salários.

O presidente do Creci-DF (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Distrito Federal), Hermes Alcântara, garante que é totalmente seguro investir na cidade, muito por conta de sua demanda reprimida por imóveis residenciais. Tal demanda, esclarece, é o fator que gera especulação nos preços.

Alcântara diz ainda que o mercado encontra-se aquecido, igualmente, em razão de suas mais de 100 construtoras, as quais dão conta de abastecer o mercado em todos os seus níveis sociais. Os maiores nichos do Distrito federal, enumera, são Samambaia, Ceilândia e a chamada área do entorno, onde fica, por exemplo, Valparaíso de Goiás. Já o novíssimo Setor Noroeste contempla inteiramente a classe A.

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“O aquecimento do mercado imobiliário na cidade, sem dúvida, decorre da estabilidade econômica e do alto poder aquisitivo da população - acima da média nacional, sustentada pelos cargos públicos”, analisa o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Victor Gomes e Silva. Mas Brasília, de acordo com Gomes, não é mais vista somente como um lugar planejado para se fazer lobby político.

Inicialmente planejada para abrigar apenas 500 mil pessoas, hoje a cidade conta com uma população de 2,45 milhões de habitantes - a maioria das classes média e alta.

Conforme cálculo da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), Brasília também transformou-se em pólo comercial, especialmente no setor da construção civil (lançamentos de imóveis, aluguéis, vendas e obras). O R$ 4,3 bilhões anuais movimentado pelo setor equivalem a 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da região.

Segundo o professor, o que encarece o metro quadrado, principalmente, é o monopólio da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), a qual controla com exclusividade tanto as ofertas como o preço da terra. “Os preços que o governo dispõe sempre são altos”, avalia.

Devido aos preços especulativos dos imóveis, ele acredita que a bolha imobiliária de Brasília venha a estourar daqui uns 15 anos. E cita o exemplo do mercado asiático, que demorou 20 anos para explodir.
 

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