Jardinagem e paisagismo

Plantas aquáticas dão toque diferenciado ao paisagismo; conheça espécies e saiba cuidar

JULIANA NAKAMURA

Colaboração para o UOL

Não importa o estilo, nem o tamanho do jardim. A presença da água é sempre um elemento que acrescenta vida, movimento e harmonia ao paisagismo. Não é à toa que lagos ornamentais, fontes, cascatas e espelhos d’água são tão valorizados, ainda mais quando acompanhados de vegetação aquática exuberante, como ninfeias, aguapés, vitórias-régias e papiros.

As plantas que crescem no ambiente aquático integram um grupo bastante heterogêneo. As do tipo fixas, como as famosas vitória-régia (Victoria amazônica) e a mítica flor-de-lótus (Nelumbo nucifera), têm raízes fixadas na terra e preferem locais amplos para se desenvolverem, como margens de lagos. As flutuantes, como os aguapés (Eicchornia crassipes), não possuem raízes fixadas em nenhum local e se caracterizam pela multiplicação rápida. Mais aproveitadas por aquaristas do que por paisagistas, as plantas aquáticas submersas, como a erva-de-cabelo (Eleocharis acicularis), se fixam no solo e nunca emergem na água. Por fim, há as aquáticas palustres, como o lírio-do-brejo (Hedychium chrysoleucum), que são típicas de locais encharcados e pantanosos, com folhas flutuantes e raízes submersas.

O bom de tanta diversidade é que não é preciso ter um lago ou espelho d’água de grandes dimensões para usufruir a beleza dessas plantas. A flora brasileira é bastante pródiga em espécies que se desenvolvem na água, e há plantas adequadas a diferentes situações de cultivo. Até mesmo bacias, caixas de aço galvanizado e vasos imersos em água podem se transformar em ambientes adequados para se ter uma planta aquática. Aliás, o cultivo em espaços limitados pode ser interessante especialmente para plantas como a alface-d’água (Pistia stratiotes), que embora seja muito ornamental, pode se transformar em uma espécie daninha em função de sua rápida multiplicação.

Como ocorre com tudo o que envolve seres vivos, o sucesso de um jardim aquático depende de alguns cuidados. Em primeiro lugar, é fundamental que as plantas recebam iluminação apropriada e nutrientes na dose certa. Também é importante que estejam fixadas em substrato adequado, no caso das espécies não flutuantes. Além disso, lagos e espelhos d’água devem ser dotados de bombas corretamente dimensionadas para movimentar e oxigenar a água.

“Um erro muito comum é achar que a planta aquática só precisa de água para viver”, diz Eduardo Gonçalves, curador botânico do Instituto Inhotim, em Minas Gerais. Segundo ele, um dos aspectos mais críticos nesse tipo de jardinagem diz respeito à fertilização, sobretudo porque garantir a disponibilidade do nutriente para a planta imersa em um ambiente aquático representa um grande desafio. “Diferente do que ocorre com as espécies terrestres, não se pode, simplesmente, despejar o nutriente diretamente na água”, explica Gonçalves, que mantém sob seus cuidados dezenas de espécies aquáticas. O problema é que ao adicionar o fertilizante à água, corre-se o risco de fertilizar também as algas, cujo desenvolvimento em lagos e espelhos d’água deve ser rigorosamente controlado. Vale lembrar que o surto de algas e o esverdeamento da água são problemas que geralmente acontecem quando há excesso de nutrientes disponíveis na água.

A solução, nesses casos, passa pela análise cuidadosa das necessidades nutricionais de cada espécie. Dependendo da situação, a alternativa pode ser enterrar cápsulas de fertilizantes no substrato embaixo d’água para que o nutriente seja gradativamente liberado.

Enterrar nutrientes também é uma medida válida para assegurar o suprimento de ferro às plantas que precisam do aporte adicional desse minério. O ferro se oxida facilmente quando em contato com a água, tornando-se indisponível para as plantas. Por isso, uma dica é enterrar peças de ferro – pregos ou pedaços de minério de ferro – bem próximo às raízes, ensina Eduardo Gonçalves.

A manutenção do equilíbrio nutricional da planta é outro aspecto crucial para que o ataque de pragas e insetos, especialmente caramujos, seja evitado. Em ambientes aquáticos, o uso de inseticidas químicos deve ser controlado, ainda mais nos casos em que as plantas compartilham o mesmo espaço que peixes.

A melhor estratégia para evitar infestações é ter atenção na hora de comprar e introduzir novas mudas e usar bioinseticidas que não prejudiquem a fauna local. Outras medidas que costumam surtir efeito são a retirada manual dos insetos indesejáveis e/ou deixar que predadores naturais, como peixes e algumas espécies de caramujos, cumpram a sua função.

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