Casa e decoração

Arquitetura brasileira é tema de mostra em São Paulo

Divulgação/Instituto Tomie Ohtake
O Cassino (Museu) Parque da Pampulha (1943), projeto de Oscar Niemeyer em Belo Horizonte imagem: Divulgação/Instituto Tomie Ohtake

Da Redação

A exposição “Arquitetura Brasileira: Viver na Floresta”, que o Instituto Tomie Ohtake abre na quarta-feira (16) para o público, busca desenhar um panorama abrangente do estabelecimento do homem brasileiro no território tropical. Com curadoria do arquiteto Abílio Guerra, a mostra traz projeções, animações, fotos, maquetes, desenhos originais, reproduções, cortes e plantas, destacando 24 projetos e registrando outros 60, com foco principalmente entre as décadas de 1930 a 1980.

Para Ricardo Ohtake, diretor do Instituto e curador do pavilhão brasileiro da próxima Bienal de Arquitetura de Veneza, este foi o período em que as proposições modernas tiveram campo fértil para se expandir. “Porém, a partir da década de 70, quando a precariedade começa a surgir nos centros urbanos, o modernismo fragiliza-se diante dessas condições adversas”, comenta Ohtake.

Segundo Abílio Guerra, os trabalhos selecionados apontam como os princípios modernos se ajustam às condições, possibilidades e usos locais, permitindo uma invenção que concilia as potencialidades contemporâneas e a sabedoria tradicional. “Hoje, olhando retroativamente, é possível colecionar bairros, parques, praças, escolas, equipamentos culturais e de infraestrutura, residências unifamiliares, fábricas, templos religiosos e diversos outros programas que estão contaminados do mesmo propósito de relacionar harmoniosamente artefato arquitetônico e paisagem natural”, diz o curador.

A exposição destaca alguns projetos considerados exemplos da invenção brasileira, como a Vila Serra do Navio, de Oswaldo Bratke, o conjunto residencial de Pedregulho, de Affonso Eduardo Reidy, o conjunto residencial para operários da CBMM em Araxá, do escritório Rino Levi, o Parque Guinle e a Superquadra de Brasília, ambos de Lucio Costa. “A preservação do meio natural e seu uso como suporte paisagístico; a liberação e a pequena interferência no solo; a reinterpretação e incorporação de tipologias tradicionais como varandas e pátios; o uso renovado de elementos construtivos vernaculares de proteção climática, como cobogós, treliçados, beirais, venezianas etc. são características que estão reiteradamente presentes nestes projetos”, afirma Guerra.

Para o curador, é na Vila Monlevade, projetada por Lucio Costa para os operários da Companhia Belgo-Mineira, que, mesmo não sendo construída, iniciou-se o manifesto do urbanismo moderno brasileiro. “Está ali materializada, ainda de forma esboçada, uma adaptação dos princípios modernos europeus às condições culturais, civilizacionais e climáticas locais, uma espécie de proposição do ‘urbanismo pau-brasil’”, conclui.

Serviço
“Arquitetura Brasileira: Viver na Floresta”

Quando: De 16 de junho a 1º de agosto de 2010
Horário: De terça a domingo, das 11 às 20h
Local: Instituto Tomie Ohtake
Endereço: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 201 (entrada pela rua Coropés, 88), Pinheiros, São Paulo (SP)
Preço: Entrada gratuita
Informações: (11) 2245-1900

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