Casa e decoração

Começa domingo a 12ª Bienal de Arquitetura de Veneza

Piet Oudolf / Divulgação
A 12ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza reúne o trabalho de dezenas de arquitetos, além de representações nacionais e escolas. Acima, ilustração do do paisagista holandês Piet Oudolf feia para o tema do evento, "pessoas se encontram na arquitetura" imagem: Piet Oudolf / Divulgação

SIMONE SAYEGH

Colaboração para o UOL

A Bienal Internacional de Veneza tem sido por mais de um século um dos mais prestigiados eventos culturais mundiais, com mostras de arte, arquitetura, cinema, música e teatro. Dirigida por Paolo Baratta, La Biennale promove, de 29 de agosto a 21 de novembro, 12ª Mostra Internacional de Arquitetura.

Este ano, a exposição oficial da mostra reúne projetos em torno do tema “People meet in Architecture”, ou “as pessoas se encontram na arquitetura”, em uma tradução livre. Os espaços do Palácio de Exposições da Bienal, mais conhecidos apenas como “Giardini”, e do Arsenale, entre outras regiões da cidade, vão receber projetos de 48 participantes entre arquitetos, engenheiros e artistas de todo o mundo.

Quem dirige a mostra



Kazuyo Sejima nasceu no Japão e iniciou seu trabalho no estúdio de Toyo Ito.

Em 1987 ela abriu seu próprio estúdio, em Tóquio, e em 1995, com Ryue Nishizawa, fundou a SANAA, o escritório japonês que projetou algumas das obras mais inovadoras da arquitetura contemporânea mundial, como o New Museum of Contemporary Art, em Nova York, o pavilhão de verão de 2009 da Serpentine Gallery, em Londres, e o edifício da Christian Dior, em Tóquio, além do 21st Century Museum of Contemporary Art em Kanazawa, que levou o Leão de Ouro em 2004 como o projeto mais significativo da 9ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza.

Em 2000, em conjunto com Ryue Nishizawa, ela desenhou o Pavilhão Japonês chamado de Cidade das Meninas, dessa vez para a 7ª Mostra Internacional de Veneza. Em 17 de maio de 2010, o SANAA recebeu o Prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura.

Uma da obras mais recentes do SANAA é o Rolex Learning Center em Lausanne, na Suíça. O escritório trabalha ainda em uma filial do Museu do Louvre em Lens, na Franca.

A mostra também conta com a participação de 53 representações nacionais (veja matéria sobre a brasileira). Albânia, Bahrain, Iran, Malásia, Marrocos e Ruanda trazem sua produção arquitetônica para Veneza pela primeira vez.

Um novo jeito de viver - uma nova arquitetura

Após uma série de edições dirigida por eminentes críticos e historiadores, a mostra volta às mãos de um arquiteto: Kazuyo Sejima, do escritório japonês SANAA, é a primeira mulher a dirigir o setor de arquitetura da Bienal de Veneza. A proposta de Sejima é provocar uma reflexão: “em um contexto em constante mutação, a arquitetura vai precisar de novos valores para um novo estilo de vida?”, questiona.

Para que sejam capazes de demonstrar sua interpretação do tema, os participantes contam com espaços independentes. Para a diretora da mostra, isso significa que cada indivíduo, país ou escritório poderá expor seu próprio ponto de vista e ser seu próprio curador, ao invés de ter de responder a uma orientação única.

A inauguração da Mostra, amanhã, dia 28 de agosto, coincide com a Premiação Oficial. Um júri formado por especialistas do mundo todo irá conceder o Leão de Ouro para a melhor participação nacional e Leão de Prata para o mais promissor jovem arquiteto da Bienal. Três competições online serão lançadas durante a Mostra, por meio do site oficial www.labiennalechannel.org. Serão premiados o melhor fotógrafo da exibição, o melhor texto critico e o melhor videoclipe sobre o tema oficial.
Em julho, a Bienal anunciou a entrega do Leão de Ouro pelo conjunto da obra para o holandês Rem Koolhaas.

A representação brasileira

A representação brasileira na 12ª Bienal Internacional de Arquitetura não poderia deixar de celebrar a cidade de Brasília, que comemora 50 anos. Monumento da arquitetura moderna brasileira, Brasília tem influenciado gerações de arquitetos que ainda buscam nos conceitos e ideais de Oscar Niemeyer e Lucio Costa parâmetros para uma produção arquitetônica contemporânea.

Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake, de São Paulo, e curador da Mostra, selecionou um grupo de profissionais que mantém vínculos expressivos com as ideias propostas na capital, projetada em um período de forte efervescência econômica e cultural do Brasil. “São os profissionais que iniciam suas carreiras já na fase da redemocratização do país e pertencem a diversos matizes políticos, visto que, com a globalização, dissolvem-se os territórios das antigas posições direita x esquerda, talvez para inaugurar um novo antagonismo, establishment x povo”, diz Ohtake.

Na retomada desse modernismo e presentes na mostra estão projetos de Mario Biselli e Artur Katchborian, escritório paulistano que, desde 1987, projeta com a leveza e o ângulo reto modernista enquanto persegue a industrialização de sistemas construtivos; Gustavo Penna, arquiteto mineiro, diretor da GPA&A, que revela em suas obras a crença de que a arquitetura é indispensável para a formação da identidade do país; Angelo Bucci, do escritório paulistano SPBR, cuja produção investiga o desenvolvimento dos preceitos modernista e mostra intenso engajamento político; a dupla Daniel Corsi e Dani Hirano, que estabelece o diálogo com a grande paisagem, e, por fim, Marcos Boldarini, que atua na questão da habitação popular e seu espaço urbano e coletivo.

Em comum à obra destes arquitetos estão os traços de origem brasileira e o desdobramento da herança do mestre Oscar Niemeyer. O arquiteto receberá homenagem especial nesta edição da Bienal de Veneza, com uma exposição de todas suas obras em Brasília (como a Praça dos Três Poderes, o Palácio da Alvorada, a Catedral Metropolitana, o Teatro Nacional), o prédio da Fundação Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e o Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói (RJ).

 

Topo