Casa e decoração

Seis brasileiros recebem prêmio ex aequo da 7ª Bienal Ibero-americana de Arquitetura

Bebete Viegas / UOL
Fachada de duas unidades do conjunto Box House, projeto arquitetônico de Yuri Vidal, em São Paulo, um dos premiados ex-aequo pela 7ª Bienal Ibero-americana, em Medelim imagem: Bebete Viegas / UOL

GIOVANNY GEROLLA

Colaboração para o UOL

A 7ª Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo aconteceu entre 11 e 14 de outubro, em Medelim, com o tema "A Arquitetura para a Integração da Cidadania", reunindo arquitetos e urbanistas de todos os países de línguas ibéricas, incluindo Espanha e Portugal.

Dentre os 35 projetos finalistas, premiados ex aequo, seis eram brasileiros: Casa em Ubatuba (SP), de Angelo Bucci; Box House (SP), de Yuri Vital; Centro Educativo Burle Marx-Inhotim (MG), de Alexandre Brasil Garcia e Paula Zasnicoff Cardoso; a Sede da Fundação Iberê Camargo (RS), de Alvaro Siza Vieira; Museu do Pão (RS), de Francisco de Paiva Fanucci e Marcelo Carvalho Ferraz, e o Hospital Sarah-Rio (RJ), de João da Gama Filgueiras Lima (Lelé).

O Memorial da Imigração Japonesa (MG), de Gustavo Penna; a Biblioteca São Paulo (SP), da Aflalo & Gasperini; o Edifício Aimberê (SP), de Andrade Morettin e a Praça Victor Civita (SP), de Levisky Dietzsch, também estiveram em exposição durante o evento.

Os arquitetos Abilio Guerra, Ruth Verde Zein e Fernando Mello Franco representaram a participação brasileira no evento. Marcelo Carvalho Ferraz, do Brasil Arquitetura, além de finalista, também palestrou, junto de seu sócio Francisco Fanucci. "Encontramos pouquíssimos brasileiros, além dos que eram palestrantes. Em se tratando de um evento com mesas redondas de altíssimo nível, é uma pena que o Brasil esteja praticamente fora deste processo de encarar os problemas das cidades", lamenta Ferraz.

Desinteresse do público brasileiro

Segundo o arquiteto, quase três mil pessoas de todo o mundo ibero-americano participaram da Bienal (dentre eles, muitos estudantes), "mas quase nenhum do brasileiro".

Autores do projeto finalista intitulado Museu do Pão, Ferraz e Fanucci falaram em sua apresentação sobre a relação entre museus e a cidade, dando destaque a outros projetos, como o Museu Rodin (BA), o de Igatu (BA) e do Pampa (RS, ainda em construção).

Um jovem brasileiro que esteve na Bienal foi o finalista Yuri Vital, que expôs sua já premiada ideia Box House. "O evento foi incrível, e nos surpreende como é muito divulgado localmente, em ônibus, táxis, outdoors; a população de Medelim conhece arquitetura, debate-a, e participa da Bienal; é um exemplo para o Brasil", avalia.

Para Yuri, o interesse dos colombianos pela arquitetura está na função que ela adquiriu – principalmente em Medellín – como ferramenta de integração social e de identidade cidadã com o espaço urbano: "era uma cidade de muitas regiões pobres, dominadas pelo narcotráfico, e que foram recuperadas com uma série de novos edifícios e equipamentos urbanos, como praças e bibliotecas públicas, em arquitetura invejável, muito aproveitada pela população." 

Bienal de Arquitetura do Chile vai focar na reconstrução

Na esteira dos eventos que debatem cidadania e integração social como objetivo da arquitetura e do urbanismo, acontecerá em Santiago do Chile, de 18 a 27 de novembro, a 17ª Bienal de Arquitetura, em edição especial que vai comemorar o bicentenário da independência chilena com o tema "Re-Construção".

Segundo a organização da Bienal, o debate deverá se debruçar sobre os produtos arquitetônicos desenvolvidos como consequência da destruição de várias cidades e povoados provocada pelo terremoto e maremoto ocorridos em fevereiro deste ano – daí a ideia de se focar na reconstrução.

O evento contará com uma mostra nacional, outra seleção de arquitetos chilenos que vivem no estrangeiro, um terceiro grupo de projetos de recuperação de patrimônio público destruído pelos terremotos, e um prêmio nacional de arquitetura.

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