Casa e decoração

12ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza encerra com saldo positivo

Leonardo Finotti / UOL
"Balancing Act", trabalho do espanhol Anton Garcia Abril em colaboração com Ensemble Studio, apresentado na 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza imagem: Leonardo Finotti / UOL

SIMONE CAPOZZI

Editora do UOL Casa e Imóvies

A 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza encerra suas atividades neste domingo, 21 de novembro, depois de três meses de eventos, palestras, encontros, premiações e, é claro, da mostra em si. A boa nova é que a edição dirigida por Kazuyo Sejima, a principal metade do escritório SANAA, premiado com o Pritzker este ano, agradou.

Embora o tema proposto por Sejima, "People Meet in Architecture" (as pessoas se encontram na arquitetura) não tenha sido respeitado por muitos participantes ou, ainda, tenha sido levado muito ao pé da letra por outros, seu grande mérito como planejadora desta edição da Bienal de Arquitetura de Veneza foi ser uma arquiteta praticante – de prancheta, no jargão da categoria.

Sejima conseguiu montar uma mostra confortável para os expositores e para o público: em primeiro lugar, cada arquiteto tinha uma área exclusiva para o seu trabalho. Dona de uma arquitetura etérea, sua suavidade tomou conta dos espaços dos maciços edifícios do Arsenale, que um dia abrigaram a marinha veneziana.

Espaço de expressão

Uma mostra de arquitetura é algo difícil de se conceber, posto que não é possível apresentar os próprios prédios. Mas o trabalho dos arquitetos é usar o espaço como meio de expressão, e uma bienal é a oportunidade que esses profissionais têm de liberar a lado artístico de sua atividade, sem se preocupar com as limitações do dia a dia do escritório.

Assim surgiram trabalhos como a "casa" feitas de finos fios de aço por Junya Ishigami, e a instalação "Cloudscapes" (vista das nuvens, numa tradução livre), colaboração do arquiteto japonês Tetsuo Kondo com empresa de engenharia de clima Transsolar. Em "Cloudscapes", o visitante sobe uma rampa e é envolvido por uma nuvem artificial numa experiência bastante fora do comum segundo quem teve a oportunidade de vivê-la.

Também chamou atenção da crítica a obra "Your Second Split House" (algo como sua segunda casa dividida), do dinamarquês Olafur Eliasson, em que jatos d’água são iluminados por luzes estroboscópicas, desenhando no ar formas efêmeras, com a duração de uma piscada. Com um meio bem diverso do do dinamarquês, o espanhol Anton Garcia Abril em colaboração com Ensemble Studio apresentou duas enormes vigas I de concreto equilibradas sobre uma mola na instalação "Balancing Act" (número de equilíbrio).

Além da influência direta da delicadeza de Kazuyo Sejima, essa Biennale traz as conjecturas de arquitetos que estão tentando usar sua inventividade para construir o mundo com menos – menos recursos, menos impacto.

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