Casa e decoração

Árvore de Natal natural exige cuidados e espaço adequado

DANIELA SALÚ

Da Redação

Trocar uma árvore de Natal artificial por um legítimo pinheiro na decoração típica desta época do ano é uma decisão que vai muito além do preço e da estética. A escolha de uma árvore verdadeira implica em cuidados e necessidades que nem sempre poderão ser atendidos pelo consumidor. Conheça alguns pontos a se levar em conta sobre esta opção antes de decidir como decorar a casa nesse fim de ano.

Espécies e cuidados
Apesar de chamarmos genericamente qualquer árvore natalina de pinheiro, existem vários tipos usados para esta função. Ciprestes, criptomérias e tuias aparecem como opção decorativa no fim de ano, especialmente a tuia, e, ironicamente, o pinheiro é o menos utilizado no Brasil.

Marcadas pela copa em formato de cone, cada uma possui características próprias, com variações no perfume, formato e cor das folhas, entre outras peculiaridades. Em comum, elas têm a necessidade de iluminação direta, o grande porte e a longevidade, quando plantadas no solo. Dentro de apartamentos, em vasos, a durabilidade dessas árvores fica comprometida. “Ela começa a apresentar deficiência nutricional, pois a quantidade de sol é pequena”, diz Denise Laschi, docente do departamento de horticultura da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, no campus de Botucatu (SP).

Segundo ela, é possível manter a árvore em vaso por até três anos. Para isso, é preciso colocá-la em uma parte da casa que receba bastante sol e ventilação, além de trocar o recipiente periodicamente para acompanhar o crescimento da raiz. “Quando o vaso está pequeno, começa a sair raiz pelo orifício de drenagem”, afirma Laschi. No que diz respeito à rega, quanto maior a planta, a quantidade de sol e vento no ambiente, maior a necessidade de água. “Em um tempo muito quente, com um vaso grande, você pode colocar meio litro de água a cada dois ou três dias. Numa fase de tempo úmido, uma rega semanal basta”, diz a docente. Folhas amareladas são um indício de exagero na quantidade de água. Outra recomendação é girar o vaso de tempos em tempos, para que os raios solares alcancem todos os ângulos da árvore uniformemente, colaborando para a sua sobrevida.

Pisca-pisca sob controle
Á árvore natural pode receber os mesmos adereços usados no modelo artificial, porém, é importante escolher um pisca-pisca de qualidade para a iluminação, cujas lâmpadas não esquentem, reduzindo assim os riscos de incêndio. “Evite produtos sem controle de qualidade, pois a árvore possui óleos voláteis, altamente inflamáveis”, diz o professor-doutor e fisiologista de árvores Antonio Natal Gonçalves, da ESALQ (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) USP, em Piracicaba (SP). Quanto aos demais penduricalhos não-elétricos, basta tomar cuidado para não utilizar nada tão pesado que possa quebrar os galhos mais frágeis.

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Apesar de chamarmos genericamente qualquer árvore natalina de pinheiro, existem vários tipos usados para esta função. Ciprestes, criptomérias e tuias (foto) aparecem como opção decorativa imagem: Getty Images

Mudança para terra firme
Em algum momento será necessário retirar a árvore do vaso e plantá-la em terra firme. Com um crescimento que pode chegar aos 10 metros de altura, fica inviável manter essas espécies durante muito tempo dentro de casa. Segundo os especialistas, o processo é relativamente simples. A cova no jardim deve ser cerca de 10 centímetros mais larga e profunda do que o tamanho do vaso onde ela está. Um adubo precisa ser misturado à terra onde será feito o transplante. “Tome cuidado para que a transição entre caule e raiz permaneça na mesma altura em que estava no vaso. Eles devem ficar na mesma superfície, pois se você enterrar esse pedaço ele apodrece”, afirma Roselaine Faraldo Myr Sekiya, docente do curso Técnico em Paisagismo do Senac São Paulo (SP). Após colocar a planta no local, é recomendável regar mais intensamente nos primeiros dias.

A escolha do lugar onde será feito o plantio da árvore deve levar em consideração diversos fatores. “É sempre recomendável que ela tenha espaço para crescer plenamente, conseguindo atingir seu tamanho na fase adulta”, diz Sekiya. Evite plantá-la a menos de 1,5 metro de construções, próxima de fios elétricos, em calçadas, embaixo de marquises, próxima de calhas (para evitar entupimento) e janelas (para não fazer sombra). É importante lembrar que, em caso de arrependimento, pode ser difícil fazer a retirada da árvore, mesmo estando em terreno privativo. Dependendo da legislação municipal, é necessário obter uma autorização da prefeitura para efetuar o corte, como acontece na cidade de São Paulo.

Compra sem surpresas
Muitos pinheiros de Natal são vendidos com a raiz cortada, sem que o consumidor saiba. Dessa forma, a árvore talvez nem sobreviva até a virada do ano. Para não ser enganado, desconfie se ela estiver meio murcha, com ramos e pontas secas, ou com o preço muito abaixo do padrão médio. Outra dica é olhar a terra: se estiver compactada, com musgo, é sinal de que está plantada há algum tempo. Agora, se estiver novinha, pode ter sido recém-colocada no vaso. Caso a terra esteja amarrada em um saco de estopa, peça para abrir e observe a formação do torrão, que envolve a raiz –se estiver firme, tudo bem, caso esteja esfarelando, é sinal de que há problemas. A proporção entre o tamanho da árvore e do vaso é outro sinal que ajuda o consumidor a identificar uma espécie completa. No vaso grande com planta pequena, há uma boa possibilidade de que ela tenha sido plantada ali mesmo. Já o contrário, merece uma investigação mais apurada, pois uma árvore grande teria uma raiz equivalente.

Descarte
Este é o item mais importante a ser analisado antes de se optar por uma árvore de Natal natural. Quem não tem um terreno em casa para fazer o plantio no momento em que o porte tornar inviável a permanência da planta no ambiente interno, deve saber as opções para descarte antes de comprá-la, para não destiná-la ao lixo comum, como geralmente acontece.

Essas espécies não são nativas do Brasil, e nem sempre os municípios oferecem alternativas de recolhimento e reaproveitamento das árvores, a exemplo do que ocorre em alguns países. Informe-se se na sua cidade existe algum viveiro ou entidade que tenha interesse em receber doações. Em São Paulo, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente recomenda que o consumidor não adquira uma espécie natural se não possuir um local para plantá-la futuramente.

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