Casa e decoração

Pontos de ônibus e prédio da Cohab vão integrar acervo de museu francês

Divulgação
Cohab "Pedro Facchini", no bairro o Ipiranga, assinada pelo escritório Bacco Arquitetos Associados imagem: Divulgação

DAIANA DALFITO

Da Redação

O Centro Cultural Georges Pompidou, na França, escolheu dois projetos do escritório paulistano Bacco Arquitetos Associados para integrar o acervo permanente da instituição. As obras escolhidas são as estações de transferência dos corredores de ônibus e a Cohab Pedro Facchini, no bairro do Ipiranga, ambas localizadas em São Paulo e implementadas em 2004.

Apesar de ter o resultado anunciado este mês, a eleição iniciou-se há cerca de um ano. Tempo medido entre a visita dos integrantes de uma comissão do Pompidou à São Paulo e o envio como doação dos croquis e maquetes do escritório ao acervo francês.

O arquiteto Marcelo Barbosa, um dos fundadores do escritório, diz não ter conhecimento dos critérios usados para a qualificação dos projetos para o acervo. Porém, acredita que a conjunção entre a função público-social e a criticidade arquitetônica dos projetos frente à cidade tenha sido um dos fatores decisivos da escolha.

A “Vilinha”

Segundo Barbosa, no caso da Cohab, o maior diferencial do projeto foi “tratar a moradia popular como habitação, independente de seu usuário. Isso abre uma perspectiva para vencer o estigma que casa para o povo tem que ser medíocre”.

Assim, no projeto dessa Cohab, a equação "sociedade + arquitetura inserida" ganha as condições: moradia de qualidade gerida por moradores e aplicada ao terreno pequeno. Segundo o arquiteto, a inspiração para o edifício partiu da observação da vida cotidiana da população e seus desejos.

"Adequamos uma tipologia recorrente nos lançamentos imobiliários da classe média alta, o duplex, para o imóvel popular, conseguindo uma adensamento adequado para a implantação solicitada pela Cohab. Num lote com dimensões de 8x40 m, que comportaria uma casa assobradada, colocamos 12 unidades habitacionais com qualidade”, completa.

As paradas de ônibus

Mais enfaticamente dinâmicas e modernas que a “vilinha do Ipiranga”, as estações de transferência derivaram do movimento. E através desse desejo de não ser estática, as estruturas se adequaram às exigências do tipo de implementação que a cidade pedia, mas não se tornaram barreiras físicas à paisagem urbana.

Fluidas, foram pensadas como aros “contínuos” do piso ao teto e seus materiais permitem a transparência desejada através das placas de policarbonato combinadas ao aço rubro e aos pisos hidráulicos “São Paulo”.  

“Nosso projeto atendia as especificações e colocava um outro paradigma sobre o conceito da modulação: enquanto as diversas equipes fizeram pequenos pontos de ônibus agregados formando uma estação, optamos por criar duas extremidades curvas e aerodinâmicas e a dimensão da estação era definida pelos trechos retos”, argumenta Barbosa.

Essas “curvas” ajudam na circulação e são exemplos da beleza aplicada à facilidade de mover-se, por fim tornaram-se marcas implícitas da paisagem urbana da metrópole.

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