Casa e decoração

"Design é chão de fábrica" dizem Campanas, após mais de 20 anos de trabalho

Divulgação
A cadeira Corallo foi criada em 2003 e, a partir de 2004, passou a ser comercializada pela Edra imagem: Divulgação

DAIANA DALFITO

Da Redação

“Design não é glamour, design é chão de fábrica” elucida Humberto Campana ao analisar sobre a realidade do design nos dias de hoje e no Brasil. O Campana mais velho, nascido em 1953, fala com a experiência de quem representa, ao lado do irmão, Fernando, o design brasileiro no exterior desde 1998.

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-SP) abre seus salões a cerca de uma centena de peças dos irmãos Campana de 5 de novembro a 15 de janeiro em “Anticorpo”. Com curadoria de Mathias Schwartz-Clauss, do Vitra Museum Design, na Alemanha, a exposição faz uma retrospectiva da obra dos designers brasileiros de 1989 a 2009.

A mostra não contempla todos os anos de trabalho dos Campana, mas abrange uma parte substancial do fazer da dupla. Nesses mais de 20 anos de estrada, Humberto diz que hoje, no país, há um melhor entendimento do design como algo que não se atém à estética de empresas como a italiana Cassina, confortável, mas engessado por uma herança de escolas como a Bauhaus.

“O design está sendo incorporado pouco a pouco e passou a ser entendido como algo conceitual, político. Não há mais fronteiras entre arte, design, moda. Os designs interdisciplinares podem contar histórias, resgatar pessoas, incentivar a utilização de técnicas em extinção e repensá-las”, sustenta.

De Brotas, para além

Humberto é natural de Rio Claro (SP). Fernando, de Brotas (1961). Os dois foram criados na cidade interiorana hoje conhecida pelo turismo de aventura. No quintal, fazendo diques no riacho, construíam piscinas, e recriavam as cenas e objetos de filmes de Roman Polanski, Stanley Kubrick e das chanchadas nacionais que assistiam no Cine São José.

“Morar no interior é diferente do que na capital, você tem que se reinventar. Se você se interessa por arte, tem que sem mais criativo. Era difícil vir a São Paulo na década de 1960, não havia estrada asfaltada”, conta Humberto.

Para os irmãos, desde o início, esse quintal – o da infância e o do país – foi a inspiração. “Quando você fala do quintal, fala do global. Queríamos falar de música, de artesanato, de arte, da vida no país. O Brasil tem muitos anticorpos, o Brasil se reinventa e se supera”, diz Humberto.

Mas o que falta ao Brasil?

Se sobra criatividade, falta apoio. Design é negócio, mas não adianta queimar etapas: “a indústria lança a cadeira e se ela não vende bem de cara, logo sai de linha. Assim fica difícil criar um campo. Na Itália, o design é um produto valorizado e acessível, no Brasil, se 10% da população consumir design, é muito”.

O Campana indica que no país, ainda falta incentivo governamental e discussão ampla sobre o tema, inclusive, através da mídia. Uma saída, apontam, seria valorizar é investir em formação e ter paciência, vender o design, mas humanizando o processo, valorizando características como o artesanato e ampliando o acesso.

Os Campana ralaram. Uma caminhada que começou com a aliança entre o conhecimento técnico de Fernando, arquiteto, e o desejo de "mexer com coisas", esculpir, do recém-formado advogado, Humberto. "O design chegou às nossas vidas, foi tudo ao acaso", conta Humberto.  A trajetória difícil passou do bater de porta em porta para oferecer os produtos à produção em larga escala. A fórmula? A fidelidade aos princípios e, isso, garantem, é difícil em um país imediatista.

Serviço

"Anticorpos - Fernando e Humberto Campana (1989 – 2009)"
Quando: 05 de novembro de 2011 a 15 de janeiro de 2012
                de terça a domingo, das 9h as 21h
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-SP) - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo
Quanto: entrada gratuita
Informações: (11) 3113-3651/3113-3652 ou www.bb.com.br/cultura

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