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Entre gigantes: casa no Texas é vizinha de importantes obras arquitetônicas

Jack Thompson/The New York Times
Casa em Houston, no Texas, EUA, com projeto arquitetônico de Nonya Grenader imagem: Jack Thompson/The New York Times

DAVID HAY

New York Times

HOUSTON – Josef Helfenstein precisou de alguma coragem para construir sua casa a menos de 200 m do Menil Collection, museu de arte desenhado por Renzo Piano –a primeira obra americana do arquiteto italiano. A famosa Rothko Chapel, de Philip Johnson, também fica por perto, nesta arborizada e artística vizinhança.

Mas quanto Helfenstein e sua mulher, Dorothee Sauter Helfenstein, encontraram um terreno visível a partir da entrada da frente do museu, o casal nascido na Suíça não hesitou.

“Nós nunca, nem por um momento, nos iludimos de estar em algum concurso arquitetônico”, diz Helfnstein, 54.

A confiança do casal vinha do encontro com Nonya Grenader, professora na Escola de Arquitetura da Universidade Rice e uma nativa de Houston, contratada para desenhar a casa.

Tradição sulista

“Nós adoramos o conhecimento que ela tem da história do design texano”, diz Helfenstein.

O sobrado que Genader criou para o casal custou US$495.000,00 para ser construído e deve muito de sua aparência ao tradicional alpendre típico das casas do sul dos Estados Unidos. A parte da frente da casa, um volume de 170 m² com espaços sociais no térreo e dois quartos, banheiros e escritório no superior, é conectado por um pátio aberto a uma construção de 84 m² que abriga um estúdio e uma suíte. Os dois prédios dividem a mesma cobertura.

Essa configuração permite que ar fresco circule entre as duas seções da casa. No pátio de 18 m², sob o telhado colocado a sete metros de altura, fica uma sala de jantar (junto à cozinha), onde o casal e os dois filhos fazem com frequência as refeições.

Vista da rua, a casa se relacional surpreendentemente bem com os chalés de madeira e casas mais antigas de alvenaria. Com apenas 6,4 m de largura, a construção lembra uma lasca, qualidade que é exagerada não apenas pela altura do telhado, mas também pelas aberturas envidraçadas do piso ao teto dispostas nos dois lados da fachada cinzenta.

Grandiosidade

Por dentro, a casa mostra a grandiosidade de uma galeria de arte. O pé-direito tem três metros de altura no térreo, e as janelas com esquadrias de aço (muitas delas de frente para o jardim) deixam entrar luz natural, o que dá sensação de aumentar as dimensões do espaço.

Os pisos foram revestidos de carvalho branco com acabamento feito de acordo com uma fórmula criada por Renzo Piano para uma extensão do Instituto de Arte de Chicago, de acordo com Sauter Helfenstein, 54, que é paisagista.

“O escritório enviou um fax de seis páginas”, ela conta, e “nós levamos os rapazes responsáveis pelo Cy Twombly, Pavillion, que Piano também desenhou para o Menil, para que eles vissem como os pisos ficam depois de acabados.”

Nas paredes, literatura

Sauter ficou tão contente com a tonalidade cinza-rosada e o aspecto macio da superfície que ela decidiu utilizar a técnica na mesa de jantar.

Contudo, diferentemente de uma galeria de arte, as paredes brancas permanecem nuas, por insistência de Helfenstein, que cursou o ensino médio em um monastério beneditino.

“Eu discuto arte o dia todo”, ele diz. “Para minha casa, procurei uma experiência mais purificadora”.

Tradutor: Simone Capozzi

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