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Na Finlândia, casa isolada resgata o modo de vida "do passado"

Goeril Saetre/The New York Times
Casa na Finlândia tem acabamento "escuro" em concordância com a madeira dos pinheiros imagem: Goeril Saetre/The New York Times

ELISA MALA

Do New York Times

Em uma remota ilha finlandesa com forma de ferradura e à beira de um lago cuja água se assemelha à cerveja avermelhada pelos minerais em sedimentação, uma pequena e escura casa aparece detrás de alguns pinheiros.

"Você pode imaginar que viajou três mil anos no passado", diz Dr. Petteri Knudsen, o proprietário. "E tudo isso estaria desse jeito".

Knudsen, 48, vive a trabalha a cerca de 150 milhas (241,4 km) ao sul dali, em Helsinki, onde ele é médico diretor da franquia finlandesa da companhia farmacêutica GlaxoSmithKline.

Em sua casa de veraneio, todavia, a vida do médico é de dedicada abnegação, quase como se ele vivesse num século passado. A construção é aquecida por duas lareiras à lenha e, ali, não há água encanada e corrente. "Não há nem mesmo a possibilidade de usar um telefone celular", conta Knudsen.

Painéis solares proveem uma pequena quantia de energia, mas a maior parte dos aparelhos e equipamentos elétricos, como as lâmpadas e o rádio, são movidos à bateria. Knudsen se banha no lago e tem um banheiro externo não muito longe da casa .

Estrutura

Os 74,32 m² foram construídos em 2010, por € 250 mil ( cerca de R$ 634 mil), em cinco acres (2,02 hectares) comprados em 2007 por uma importância de US$ 60 mil (cerda de R$ 114 mil). A casa foi projetada por Ville Hara, arquiteto e ex-namorado de Knudsen, e por Anu Puustinen do escritório de arquitetura Avanto, em Helsinki, para suportar os invernos rigorosos da região.

A construção se eleva a cerca de um metro do chão, sobre pilares de concreto, a fim de reduzir os danos que poderiam ser causadores pela neve. As paredes receberam enchimentos de linho para o isolamento térmico e o telhado foi forrado com um material - feito a partir de jornais reciclados - que possui uma espessura de meio metro. Enquanto as janelas, do chão ao teto, empregam vidros duplos, que isolam térmica e acusticamente com mais eficácia.

Decoração

O interior da morada é pouco, mas cuidadosamente mobiliado.

O anguloso e acinzentado sofá instalado no living tem desenho assinado por Harri Koskinen e a mesa de centro foi feita por Hara, o ex-namorado, à partir de uma porta reaproveitada. No espaço dedicado à sala de jantar, sob a brilhante e esférica  luminária  "Satellite", criada por Louis Poulsen, está uma mesa feita com madeira bétula - da fábrica finlandesa Nikari - combinada a cadeiras de madeira que Knudsen diz "ter resgatado do lixo".

"Escondidos", à direita da entrada, estão os dois únicos cômodos com portas da casa: um closet e o quarto equipado com luminárias da Ikea, uma cama de segunda-mão comprada na Hästens e uma cadeira "butterfly" (borboleta) na cor nude, ou "cadeira morcego, como é chamada na Finlândia", explica Knudsen.

Pequeno e tradicional luxo

A parte mais moderna da casa é uma homenagem a uma antiga tradição finlandesa: a sauna. A poucos metros do volume principal, uma estrutura de cerca de 24 m² feita de madeira de pinheiros  abriga uma sala de vapor e outra para hóspedes. (Essa parte da construção custou cerca de US$ 65 mil, ou R$ 123 mil.) Sempre nos dias mais gélidos, Knudsen cumpre o ritual de aproveitar o vapor quente e úmido, para, em seguida, mergulhar no lago.

Mas o aspecto favorito da casa de férias é, para Knudsen, a presença da densa floresta em redor.  Da casa, em todas as quarto direções, através das amplas janelas ou do pequeno terraço, é possível ter vistas completas do bosque. Como Knudsen diz: "o interior e o exterior tornam-se um".

* Tradução: Daiana Dalfito

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