Casa e decoração

Design inventivo: como soluções simples evitam as dores de cabeça do dia a dia

1882 Ltd./The New York Times
A luminária de mesa Bone, feita de uma porcelana baseada em pó de osso e luminosidade a partir de diodos ou LED's, foi criada pela designer britânica Emily Johnson imagem: 1882 Ltd./The New York Times

Alice Rawsthorn

Encontrar novas maneiras de deixar nossas vidas mais eficientes ou agradáveis - de preferência ambas - tem sido um dos papéis do design ao longo da história. Frequentemente os designers fazem isso ao traduzir os avanços tecnológicos em coisas que achamos úteis ou atraentes. Às vezes, eles alcançam o mesmo resultado simplesmente ao pensar em novas e melhores maneiras de resolver problemas. 

Aqui estão quatro exemplos destas inovações cotidianas. Três deles mostram como os designers interpretaram novas tecnologias para nos ajudar a planejar trajetos com mais eficiência, melhorar nossa saúde e economizar energia. O quarto é um exemplo engenhoso de como pensar o design à moda antiga pode produzir algo especial.

1. Planejando seu trajeto

Você já tentou usar o metrô de Nova York no final de semana e então descobriu que a linha inteira (ou parte dela) que planejava pegar está fechada para manutenção ou vai funcionar em velocidade reduzida o dia todo? É bastante sensato que as autoridades do transporte metropolitano programem os reparos no metrô aos sábados e domingos, os dias mais calmos da semana, mas tais atrasos podem ser enfurecedores, especialmente para passageiros desavisados. 

O M.T.A. (Metropolitan Transit Authority) imaginou uma solução inteligente: o “The Weekender”, um mapa interativo do sistema metroviário que aparece na homepage do site (www.mta.info) a partir das 15h da sexta-feira e fica no ar até segunda-feira pela manhã.

Se você clicar no ícone da estação por onde pretende começar a viagem, vai saber se existe algum acesso fechado ou se há atrasos. Pode, também, escolher como avaliar a situação do trajeto por estação, linha ou região e, se preciso for, pedir ao “The Weekender” uma sugestão de rota mais ágil.

O “The Weekender” é um modelo inspirado nos sistemas de interatividade digital que hoje vêm substituindo mapas, tabelas e planilhas tradicionais de horários. Estilisticamente, ele reafirma um exemplo muito querido de gráfico do final do século 20, o mapa esquemático do metrô criado por Massimo Vignelli e que foi apresentado em 1972 e abandonado sete anos depois, para horror dos "geeks" do design e delírio dos puristas da geografia.

  • Taschen/ The New York Times

    Desenhado por Irma Boom, a capa do livro "Project Japan: Metabolism Talks", produzido pelo arquiteto Rem Koolhaas e pelo curador Hans Ulrich Obrist

2. Monitorando a saúde e o bem-estar

Você dorme bem? Tem ingerido alimentos saudáveis? Faz exercícios regularmente? Quantas calorias consome quando está se exercitando, seja correndo no parque ou subindo as escadas de casa?

Não seria útil saber as respostas de todas estas perguntas sem ter que consultar um exército de especialistas? A empresa de tecnologia Jawbone desenvolveu um método simples de fazer isso com o UP, uma pulseira de US$ 99,99 e um aplicativo para smartphones desenvolvido com o grupo de design fuseproject, de São Francisco. À prova de suor, resistente à água e recarregável, a pulseira é equipada com pequenos sensores que monitoram seus movimentos enquanto você está acordado e analisa a qualidade do seu sono ao medir a pulsação.

As informações são enviadas para o aplicativo, que então lhe diz quantas calorias você queimou e se o seu sono foi satisfatório. Se você tira fotos da sua comida com o smartphone, o aplicativo analisa a quantidade de calorias. Você, ainda, pode usar o UP como alarme. Ele vai acordá-lo com vibrações no momento ideal do seu ciclo de sono antes da hora determinada. Ele pode também dizer se você ficou largado em uma cadeira por muito tempo e comparar seu regime com o de um amigo. Não que você vá ficar necessariamente feliz com as respostas. 

3. Economizando energia

Outra área dinâmica do design contemporâneo é a da iluminação, graças a experimentos dos designers com a aplicação das mais recentes versões de fontes de luz à base de energia eficiente. Entre elas estão a luminária de mesa "Bone", desenvolvida pela designer britânica Emily Johnson, que combina uma delicada porcelana branca feita à base de cinza de ossos, com minúsculos diodos emissores de luz ou LEDs.   

Cada luminária é uma coluna delgada desta fina porcelana que adquire um brilho translúcido quando os LEDs são iluminados. As colunas são feitas à mão em uma fábrica em North Staffordshire, o coração da indústria de cerâmicas do Reino Unido, perto da olaria que já pertenceu aos Johnson Brothers e foi fundada pela família da sra. Johnson em 1882. Emily co-fundou uma nova empresa com seu pai, Christopher, a 1882 Ltd., para produzir a "Bone" e eventualmente outros novos produtos.   

Fazer luminárias deste modo teria sido impossível usando uma fonte tradicional de iluminação, como lâmpadas incandescentes ou halógenas, que aquecem quando estão em uso, diferentemente dos LEDs. À medida que fontes de luz que consomem pouca energia são melhor desenvolvidas, outros designers vão poder criar luminárias ambientalmente responsáveis em novas formatos, como fez a sra. Johnson.

4. …e compreendendo

Imagine que lhe pedem para criar um livro com mais de 700 páginas sobre a história de um movimento arquitetônico do pós-guerra, que inclua ensaios históricos, mapas, gráficos, fotografias e dúzias de entrevistas com os protagonistas e seus colaboradores, protegidos e familiares. Como é possível tornar coerente um tsunami de informações com este? Com dificuldade, talvez fosse a resposta. E imagine quão mais difícil a tarefa seria se mais conteúdo continuasse sendo gerado depois de o processo de design do livro já estar em andamento.  

Este foi o desafio que a designer de livros holandesa Irma Boom enfrentou quando embarcou no design do “Project Japan: Metabolism Talks…”, um livro produzido pelo arquiteto Rem Koolhaas e pelo curador Hans Ulrich Obrist sobre o movimento arquitetônico Metabolista, no Japão do pós-guerra. “O material era muito diversificado, quase caótico, então o objetivo principal era encontrar um modo de organizar tudo de maneira lógica para fazer com que textos e imagens se tornassem acessíveis e compreensíveis”, disse a sra. Boom.    

E isso foi conseguido ao organizar o pensamento lateral. Assim, a solução que ela encontrou foi intercalar ensaios e entrevistas ao longo de todo o livro, além de identificar cada sessão com um código de cores. As cores das bordas das páginas e das páginas introdutórias indicam se determinada sessão é dedicada a ensaios, entrevistas ou fotografias dos prédios do movimento Metabolista. Há também um toque nostálgico no delicadamente distorcido e simbólico sol vermelho japonês que ilustra a capa do livro. Junto com a paleta marrom avermelhada e o papel de textura crua e irregular, este é o tributo da sra. Boom a um panfleto de 1960 no qual os metabolistas definiram seus objetivos.  

Tradutor: Erika Brandão

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