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Em Barcelona, loft antigo ganha decoração que equilibra clima rústico e luminoso

Lorenzo Nencioni/The New York Times
A sala de estar de Welsh exibe cadeiras projetadas pelo designer dinamarquês Poul Kjaerholm imagem: Lorenzo Nencioni/The New York Times

KEITH MULVIHILL

The New York Times

Barcelona – Logo depois de se mudar para a cidade, em 2006, James Welsh tornou-se um apaixonado pela energia de Barcelona.  “A cena cultural é vibrante e você tem praias no verão e montanhas próximas para praticar snowboard no inverno”, diz o galês de 33 anos. Welsh decidiu que sua vida errante – ele viveu em Londres, Nepal, Paris, Nova York e Boston – chegaria ao fim e, para isso, fez de Barcelona seu lar.

Welsh, que é solteiro e fundou uma empresa de impressões online, começou sua busca por um imóvel em El Poblenou, bairro hoje repleto de empresários da área tecnológica, artistas e designers. Na época, Welsh diz, “essa área ainda estava um pouco ‘fora do radar’”.

Ele encontrou por acaso um loft que ocupava todo um andar e tinha um grande terraço. O apartamento retangular, com cerca de 120 m2, fica no segundo piso de um antigo predinho de três pavimentos. E, porque o proprietário anterior removeu a maior parte das paredes divisórias, o imóvel parecia ainda maior.

“O loft é minimalista, o que estava ótimo para mim”, conta Welsh, que pagou cerca de 600 mil euros (R$ 1.450 milhão) pelo loft e pelo terraço, que tem a mesma dimensão do interior.

Porém, Welsh fez algumas mudanças: o loft era escuro e faltava um espaço grande o suficiente para o armazenamento de materiais esportivos. O empresário contratou Yuste Lopez e Tobias Laarmann, do escritório barcelonês de arquitetura Ylab Arquitectos, e a dupla elaborou um projeto que foi quase completamente aprovado.

“Exceto a sugestão de instalar uma lareira, que eu realmente não achava necessária, quase tudo no projeto original foi implementado”, conta o proprietário. “A renovação teve um custo de 120 mil euros" (R$ 290 mil).

Decorando

Os arquitetos optaram por materiais naturais e neutros para o loft. Tijolos coloridos de barro revestem o interior, criando uma atmosfera quente e quase rústica.  O chão é recoberto por uma fina camada de concreto colorido por um cinza muito escuro e luminoso. “Nós gostamos de empregar materiais que não são homogêneos, mas sim imperfeitos”, Laarmann diz.

A pedido de Welsh, dois charmosos elementos catalães foram mantidos e restaurados: os mosaicos geométricos que compõem o chão da cozinha e as vigas de madeira exposta que recuperaram sua cor mel original.

  • Lorenzo Nencioni/The New York Times

    O quarto é ligado ao banheiro por uma porta deslizante. Chão, teto e paredes são de vidro

A cozinha tem grandes janelas e uma porta com painéis de vidro que se abre para um pequeno balcão voltado para a rua. Quando a namorada de Welsh, na época, sugeriu uma cozinha americana com imponentes equipamentos, o empresário discordou: “Eu preferia apenas modestos armários que não obstruíssem o espaço”. Como consequência, o refrigerador, o freezer e a lava-louças foram embutidos sob a ampla bancada de quartzo branco.

Os arquitetos também criaram uma estrutura divisória em forma de “L” que serve como uma unidade de armazenamento de objetos. A parede, feita de carvalho lustroso, separa a sala de jantar do quarto. Além disso, o banheiro foi renovado. Os arquitetos optaram, ali, por um engenhoso espaço estruturado por painéis de vidro opaco e deslizante.

“A partir do momento que o loft detém madeira e tijolos como elementos base – texturas rústicas – nós pensamos que o banheiro deveria ser como uma joia, nada rústica e, sim, brilhante”, explica Lopez. Ladrilhos de vidro italiano da Bisazza pigmentados com cinzas, branco e verdes recobrem o chão, as paredes e o forro.

Finalmente, os arquitetos substituíram a parede dos fundos – que dá para a área externa – por janelas que vão do piso ao teto e uma porta corrediça de vidro, criando um espaço de luz e que permite uma visão plena do terraço revestido por ladrilhos terracota.

Como floreios decorativos, Welsh escolheu apenas alguns elementos. Um pintura de Erik Marc Tresing, um artista radicado em Barcelona, está pendurada sobre o sofá do living. Próximo a ela, uma prancha de skate Homage Brooklyn está em uma prateleira e um globo da Illum, em Copenhage, ocupa  um canto de uma mesa comprada na loja alemã e15.

“E nada de desordem”, arremata.

Tradutor: Daiana Dalfito

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