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Sem perder rusticidade, casa em bairro degradado de Roterdã ganha novo design

Andreas Meichsner/The New York Times
Na estufa que Rolf Bruggink ergueu em seu terraço, as plantas ficam em segundo plano: o destaque do espaço é uma banheira da qual se tem uma vista panorâmica de Roterdã imagem: Andreas Meichsner/The New York Times

Nick Amies

The New York Times, Roterdã

Holanda – Quando a cidade de Roterdã decidiu promover a venda de casas localizadas em bairros degradados por preços baixíssimos, o arquiteto e designer Rolf Bruggink não perdeu a chance de investir na pechincha. Escolheu um imóvel construído no começo do século 20 no distrito de Charlois, uma região operária famosa por ser reduto de drogados e dos sem-teto. “Foi a oportunidade que tive para mudar um pouco a paisagem de uma área pobre”, avalia Bruggink. “Além disso, o preço da casa era muito convidativo”.   

O ano era 2008 e o arquiteto havia pago cerca de 35 mil euros pelo dilapidado imóvel de três pavimentos e 170 m² de área. “A natureza tinha literalmente tomado conta do lugar, com mato crescendo por todos os cantos”, conta Bruggink. “Por sua vez, a madeira que eu pretendia manter na reforma como elemento construtivo original estava totalmente apodrecida. Então tive que começar os trabalhos de restauração do zero”.

A fachada da casa corria o risco de desmoronar. Junto com o escritório de arquitetura Zecc, Bruggink tentou substituí-la totalmente, mas a ideia foi rejeitada pela prefeitura da cidade. No final, entretanto, a burocracia governamental concordou que os tijolos da frente da casa - se mantidos - fossem pintados de preto com efeito degradê. O novo visual fez com que o arquiteto batizasse sua nova morada de “Pérola Negra”.    

A configuração da frente do edifício também foi alterada. “As casas vizinhas têm fachadas com duas janelas no térreo, duas janelas no primeiro pavimento e uma janela no segundo piso”, explica Bruggink. “Eu queria criar corredores de luz que iluminassem bem os interiores, então instalei uma grande janela no primeiro pavimento e outra no segundo, para que a luminosidade pudesse fluir”.   

Essas janelas adicionais têm uma moderna armação de aço e, para contrastar com o aspecto histórico da residência, estão sobrepostas aos janelões originais da casa - que foram pintados de preto. 

Interiores

O arquiteto gastou 230 mil euros para reformar o interior do edifício. O design de cada um dos três pavimentos foi feito pela empresa da qual Rolf é dono – a Studio Rolf.fr – e pela sua namorada, Yffi van den Berg, que trabalha no escritório Heijmans Vastgoed.

  • Andreas Meichsner/The New York Times

    O designer holandês Rolf Bruggink pintou a fachada de sua casa em Roterdã de preto, em efeito degradê, e a batizou de "Pérola Negra"

Logo ao lado da porta de entrada está o escritório particular de Bruggink. Trata-se de um espaço com quase cinco metros de altura que, no passado, foi usado como casa de caldeiras e que ocupa todo o térreo do edifício.

Os materiais e ferramentas que Bruggink utiliza em seus projetos de design de móveis ficam armazenados em estantes que alcançam o teto. No fundo do espaço, enormes portas de metal e vidro se abrem para um pequeno jardim composto por bambus.  

O primeiro andar, que abriga o living da casa, manteve as paredes originais de tijolos aparentes: uma delas foi pintada toda de branco e a outra ficou no seu estado natural. 

Uma estrutura de madeira, que esconde uma tubulação que passa pelo primeiro pavimento, limita a área do living e da cozinha, mas sem criar ambientes fechados. “Nós queríamos estabelecer uma espécie de espaço abstrato”, diz o arquiteto. “Aproveitando a ausência de balaustradas, corrimãos e portas, conseguimos expandir uma área que era relativamente estreita”.  

Uma grande claraboia ilumina a cozinha, enquanto as portas dos armários aproveitam as madeiras originais da casa que puderam ser preservadas.  

No segundo piso estão os quartos e o banheiro, cuja área de banho, decorada com ladrilhos de calcário negro, custou cerca de 5.000 euros. 

Uma última escada leva ao terraço da casa, onde Bruggink mantém uma estufa. As plantas, porém, ficam em segundo plano: o destaque do espaço é uma banheira de quase 1.000 euros da qual se tem uma bela vista panorâmica de Roterdã. 

Tradutor: Marcel Vincenti

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