Jardinagem e paisagismo

Saiba como manter a harmonia entre jardins e animais de estimação e evite acidentes

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Bico de papagaio (Euphorbia pulcherrima), flor típica do Natal é altamente tóxica para os pets imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

Os jardins, com sua riqueza de texturas, cores e aromas, são locais muito estimulantes e agradáveis para os animais de estimação. Mas por trás de formas exuberantes e flores delicadas podem existir muitos perigos, especialmente para cães e gatos.

O maior deles são as plantas venenosas que, uma vez ingeridas, podem provocar intoxicações graves e, em casos mais extremos, até levar o animal à morte. Na lista de espécies de alto risco estão vegetais muito populares no Brasil, como: espada de São Jorge, antúrio, comigo-ninguém-pode, bico de papagaio, copo de leite e azaleia.

Para evitar problemas, a regra é identificar exatamente que tipo de planta há no jardim - ou em vasos e floreiras - e impedir o acesso dos pets às variedades que podem lhes provocar algum mal. No caso de cães e gatos, a ingestão de folhagens ou flores nocivas normalmente ocorre por curiosidade, tédio ou indisposição gastrointestinal. As ingestões acidentais, aliás, são mais comuns quando os bichinhos ainda são jovens.

“Animais de estimação são seres curiosos que estão sempre a explorar e interagir com o ambiente”, alerta Keila Regina de Godoy, veterinária da Premier Pet, em São Paulo. Daí a necessidade de observar quais tipos de vegetais (e objetos) os mascotes irão encontrar em suas aventuras de descoberta.

Mas cuidar para que o bicho de estimação não se intoxique, não significa privá-lo do prazer de brincar no jardim. Basta tomar medidas preventivas para que a convivência entre animais e plantinhas seja saudável.

Barreira física e atenção

O primeiro cuidado é utilizar cercas para impedir a entrada dos pets em áreas proibidas. “Isso vale não apenas para espécies venenosas, mas também para as espinhosas e com folhagens pontiagudas”, declara Greice Peralta, paisagista do Shopping Garden. A restrição de acesso é importante também para proteger as plantas mais delicadas, que podem não resistir à ferocidade e ao entusiasmo de cães e gatos curiosos.

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    A ingestão de alguns tipos de plantas pode prejudicar a saúde de cães e gatos. Fique atento!

Após afastar os animais das variedades mais nocivas presentes no jardim de casa, é importante adotar outras medidas de segurança para áreas verdes em geral. A veterinária da Premier Pet lembra que não devemos permitir que cães e gatos ingiram gramas, matinhos e folhagens dos jardins públicos. Estes locais apresentam alto índice de contaminação por vermes e sujeiras em função da presença de animais errantes, pássaros, ratos, lixo e demais resíduos deixados pelo público em geral.

Além disso, ao manipular plantas tóxicas deve-se sempre utilizar luvas para evitar o contato da mão contaminada com os animais. Da mesma forma, quando realizar a poda das espécies tóxicas, evite deixar os galhos e restos de suas flores e folhas em lugares acessíveis, sobretudo quando se tratar de exemplares que liberam o látex ao serem cortados.

O veterinário Marcos Eduardo Fernandes, de São Paulo, alerta para a utilização de agrotóxicos, fertilizantes e adubos no trato com os vegetais. O ideal é empregar somente produtos naturais, comprovadamente inofensivos aos pets.

Jardim “pet friendly”

Os cuidados são mais simples e fáceis quando o jardim já é concebido e montado visando o convívio harmonioso com animais de estimação. O gramado é a parte favorita de cães e gatos, por isso, se tiver área disponível, procure dedicar bastante espaço ao plantio de grama. Assim seu animal pode se exercitar e transitar alegremente sem riscos.

Ao selecionar o tipo de grama, é importante privilegiar espécies que sejam resistentes à urina do cachorro que é rica em ureia e pode amarelar algumas variedades. O excesso de urina, aliás, é prejudicial a qualquer tipo de planta.

As sugestões dos paisagistas para esses casos costumam ser as gramas esmeralda (Zoysia japonica), amendoim (Arachis repens) e preta (Ophiopogon japonicus). Outra opção a ser considerada é a grama São Carlos (Axonopus compressus), que é bastante resistente aos pisoteamentos e se adapta aos jardins com animais.

Para não ter dores de cabeça quanto a ação das plantas em caso de ingestão pelos pets, uma opção é cultivar espécies que façam bem a cães e gatos. O veterinário Marcos Eduardo Fernandes cita como exemplos a grama natural e a erva cidreira, que induzem ao vômito e podem aliviar desconfortos gástricos quando mastigadas e engolidas.

Outras plantas benéficas são a camomila, a erva de gato e a quebra-pedra, bem como o milheto (Pennisetum americanum) e a azevém (Lolium multiflorium), cujos brotos podem auxiliar a digestão.

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    Erva de Gato, possui substância semelhante
    ao feromônio que age positivamente em felinos

Encantador de gatos

Sucesso entre os bichanos, a erva de gato (Nepeta sp) possui uma substância ativa chamada neptalactone que uma vez absorvida por via nasal, age como um feromônio, atraindo, relaxando e estimulando a maioria dos felinos. Há cerca de 250 espécies dessa planta, que em sua maioria, são perenes e medem entre 50 e 100 cm de altura.

Na Ásia, a erva de gato é utilizada, inclusive, para acalmar tigres e leões em cativeiro. “Muitos proprietários têm adotado o plantio desse vegetal como auxiliador da terapia comportamental para seus animais, porém não há estudos científicos que comprovem este efeito”, pondera a veterinária Keila Regina de Godói. Ela ressalta ainda que, quando ingerida em excesso, a erva de gato pode provocar vômito e náuseas.

A Nepeta pode ser cultivada isoladamente ou em grupos, formando maciços densos e bordaduras. Também pode ser utilizada como forração ou plantada em vasos e jardineiras.

A planta exige pouca manutenção, deve estar sob sol pleno, em solo fértil e bem drenável, enriquecido com matéria orgânica. A sua floração arroxeada acontece no verão e vai até o início do outono. Porém, não há registro de plantas semelhantes à Nepeta que causem efeitos similares sobre os cães.

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