Jardinagem e paisagismo

Saiba como proteger suas plantas do ataque de fungos tão comuns no verão

Instituto Biológico/Divulgação
As roseiras (Rosa x grandiflora) podem padecer diante do fungo Diplocarpon rosae, que causa manchas nas folhas e se dissemina com maior facilidade em ambientes com alta umidade imagem: Instituto Biológico/Divulgação

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

O verão é uma época do ano em que as plantas se desenvolvem bem, mas as altas temperaturas e a umidade elevada típicas dessa estação propiciam o aparecimento de fungos. Esses organismos minúsculos são as principais causas de doenças que acometem as espécies vegetais e, normalmente, provocam lesões e manchas nas folhas e, em casos mais severos, a podridão de hastes e raízes.

 “As manchas foliares são causadas por microrganismos de gêneros como Colletotrichum, Alternaria e Cercospora, enquanto Rhizoctonia e Fusarium, entre outros, provocam murcha e morte dos vegetais”, revela o engenheiro agrônomo Ricardo Domingues, pesquisador do Instituto Biológico.

Há espécies mais suscetíveis à ação dos fungos do que outras. Segundo Jesus Töfoli, também engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto Biológico, em geral as plantas nativas, por estarem adaptadas ao nosso clima, possuem menor vulnerabilidade e, quando atacadas, resistem melhor às doenças causadas pela decomposição dos tecidos. “Em compensação, plantas exóticas como roseiras, azaleias e gerânios são consideradas mais sujeitas a infestações, necessitando de maiores cuidados para o cultivo”, explica ele.

Outro vegetal que sofre diante da presença e ação de exemplares do reino Fungi é o antúrio (Anthurium andraeanum). Embora pareça resistente, esse tipo de planta é bastante sensível a dois tipos de fungos aquáticos - Phytophthora e Pythium splendens - que provocam o apodrecimento. Nesses dois casos, as fontes de contágio podem ser simples vasos ou água contaminados.

Mais agressivos em períodos de umidade elevada e altas temperaturas, esses parasitas aquáticos provocam uma lesão escura nas raízes que progride até a haste floral, como aponta estudo da engenheira agrônoma Leila Nakati Coutinho, do Instituto Biológico de São Paulo.

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    O antúrio (Anthurium andraeanum), apesar de parecer robusto, é suscetível a fungos aquáticos

Ainda que as doenças das plantas não sejam transmissíveis a humanos ou animais, a presença de fungos patogênicos em um ambiente nunca é saudável. Algumas espécies, inclusive, liberam grande quantidade de esporos que podem provocar reações alérgicas nas pessoas, sobretudo via sistema respiratório.

Como evitar

Há mais de quatro mil espécies de fungos associadas às plantas ornamentais. Para evitar que elas coloquem em risco a saúde de seu jardim, a primeira recomendação é só utilizar sementes tratadas previamente limpas, lavadas e mergulhadas em solução com hipoclorito de sódio pelo tempo de um minuto.

Sementes manchadas ou apodrecidas devem ser descartadas, já que elas podem ser propagadoras de fungos. O plantio deve ocorrer sempre em solos bem preparados e livres de patógenos. Outra dica é dar preferência a espécies e variedades de vegetais resistentes.

Plantas enfraquecidas são muito mais vulneráveis a doenças provocadas por fungos. Daí a importância de adubar na medida certa, bem como fornecer a cada espécie a quantidade exata de água e luz. A presença de caracóis, lesmas, insetos e roedores deve ser rigorosamente controlada, já que esses bichinhos também podem transportar esporos dos fungos fitopatogênicos.

Porém, entre todas as recomendações, nada é mais importante do que o controle de umidade e da iluminação. Afinal, a reprodução desses microrganismos costuma ser favorecida pela presença de água - seja da chuva, da irrigação, do orvalho ou mesmo da umidade do ar - e por ambientes escuros. Nesse sentido, a rega sem exagero e a boa drenagem do solo são fundamentais.

Além disso, os elementos de madeira expostos ao tempo, no jardim, devem ser protegidos da água para evitar que apodreçam. “Basicamente, devem ser mantidos longe da chuva e irrigação ou ser pintados”, acrescenta Töfoli.

Como tratar

Uma vez detectada uma doença provocada por fungo, o tratamento pode começar. O primeiro passo é a remoção de partes e até de plantas inteiras com sintomas de infestação, evitando assim a propagação da patologia pelo jardim.

A partir daí, segundo Domingues, o ideal é recorrer a um técnico especializado para obter o diagnóstico correto do problema, especialmente se for necessário recorrer a fungicidas, que precisam ser utilizados com muito critério e rigor.

Para o controle da degradação dos vegetais, o mercado e o conhecimento popular dispõem de alternativas menos agressivas e mais ecológicas que os fungicidas sintéticos. Entre elas estão o fosfito de potássio, que age como antifúngico e indutor do sistema de defesa das plantas, e o extrato pirolenhoso, produto milenar na agricultura japonesa que induz o enraizamento e é repelente de fungos e de insetos.

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