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Na Califórnia, EUA, família reconstrói casa depois de incêndio e faz melhorias

Matthew Millman/The New York Times
Living da casa reconstruída pelo casal Gerry Agosta e Lisa Moresco com projeto do arquiteto Owen Kennerly, em San Francisco, costa oeste dos Estados Unidos imagem: Matthew Millman/The New York Times

Steven Kurutz

Do New York Times, em San Francisco

San Francisco – Há 30 anos, Gerry Agosta mantém uma construtora e incorporadora na região conhecida com Bay Area de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos. Ele conta que nunca teve a oportunidade de fazer uma reforma em toda sua carreira. “Toda obra demanda um projeto diferente, então você está sempre fazendo as coisas pela primeira vez”, diz.

Mas não foi o que aconteceu com a casa que o próprio Agosta, 57, e sua mulher, Lisa Moresco, 53, construíram há cinco anos em uma íngreme rua nas redondezas de Noe Valley. Depois de comprar uma modesta casa por US$ 850.000 perto de onde eles moravam, o casal expandiu a estrutura e substituiu o revestimento de massa da fachada por tábuas de cedro vermelho e panos de vidro.

Para compensar a inclinação do lote, o arquiteto Owen Kennerly, contratado pelo casal, traçou um projeto que trouxe o living para o lugar onde originalmente ficava a cobertura da casa. Um pavimento adicional foi construído sobre o do novo living para abrigar uma suíte, e o térreo passou a abrigar os quartos dos três filhos do casal. O resultado foi uma casa moderna, que se distingue na vizinhança e com belas vistas para a cidade e a baía de San Francisco.

Perda total

Em 2009, entretanto, houve um incêndio na sauna enquanto a família passava férias na Espanha.

“Recebemos uma mensagem de texto que dizia ‘está tudo bem, mas liguem para casa’”, recorda Moresco. “Nós perdemos de 90% a 95% de tudo.”

E assim, com a superestrutura intacta, o casal embarcou em uma reforma.

Confortáveis em seu iluminado e parcimoniosamente mobiliado living, Agosta e Moresco admitem que a versão 2.0 da casa se parece bastante com a primeira construção. A planta aberta, ou seja, livre de interferências como pilares e paredes, é perfeita para dar festas até para a ocasional apresentação de flamenco (Moresco pertence à diretoria de uma companhia de dança); duas claraboias iluminam os espaços centrais, em geral desprovidos de luz natural devido à pouca largura dos lotes urbanos.

A sutil relação entre a frieza da arquitetura moderna e o calor dos materiais naturais também foi preservada. Por exemplo, na cozinha, o aço inoxidável dos equipamentos é suavizado pelo mobiliário de madeira.

  • Matthew Millman/The New York Times

    Vista posterior da residência, com pátio e jardim.
    O andar mais alto já fazia parte da amplicação da casa original, realizada antes do incêndio

Aconchego e fluidez

“Houve todo um cuidado para que a casa tivesse um bom nível de conforto e aconchego, mesmo com a conveniência e fluidez da planta aberta”, diz Kennerly. “Foi daí que veio essa paleta de materiais.”

E embora o casal acredite que a primeira versão da casa estivesse correta, depois de morar ali por algum tempo Agosta assume que algumas coisas poderiam ter sido melhoradas. Uma das primeiras coisas a serem trocadas foi o tipo de acabamento das paredes. A placa de gesso acartonado usado na versão original mostrava manchas quando batia o sol; agora, as paredes foram cobertas com gesso em uma tonalidade de marfim, quente e neutra. O mobiliário de madeira clara da cozinha, que já estava desbotando, agora é de nogueira, e o tampo do balcão, antes de um tipo de quartzito da moda, é de mármore. “Decididos voltar para os clássicos”, diz Agosta.

Melhores escolhas

Mas talvez a maior mudança tenha sido a planta da casa. Quando o fogo se alastrou pela casa, a parte queimada com maior gravidade foi o quarto do casal no terceiro piso, “exatamente onde estava nossa cama”, diz Moresco. “A esquadria de alumínio estava toda retorcida”, Agosta acrescenta.

Assim, o casal transferiu seu quarto para o térreo e sua antiga suíte tornou-se uma combinação de escritório, sala multimídia e quarto de hóspedes.

“Foi como um sinal”, Moresco diz. “Não vamos colocar nossa cama de volta  no mesmo lugar. Resolvemos fazer uma coisa diferente”.

O incêndio foi “inimaginável”, como ela diz. Mas, como diz Agosta, tentando encontrar o lado bom dos fatos, também proporcionou uma oportunidade para uma nova sintonia.

Tradutor: Simone Capozzi

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