Jardinagem e paisagismo

Pragas do verão: saiba como identificá-las e tratá-las

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A joaninha é um importante predador dos pulgões. Por isso, nem pense em se livrar dela imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

O verão está chegando ao fim. É justamente nessa época que os estragos causados pelo calor e umidade, excessivos às plantas ornamentais, ficam mais evidentes. Um dos piores males é a infestação por pragas impulsionada pelo clima, que pode atingir diversas espécies e partes da planta, tirando o vigor, diminuindo a beleza e, em casos mais extremos, provocando a morte do vegetal.

O termo praga está relacionado a agentes visíveis, geralmente insetos, aracnídeos ou moluscos. Um exemplo são as lagartas, cuja proliferação em coqueiros e palmeiras é frequente na estação mais quente do ano. “Bastante aproveitadas em projetos de paisagismo, espécies como fórmio (Phormium tenax) e cica (Cycas revoluta) também sofrem nessa época com o aparecimento de cochonilhas”, destaca Vâner Silva,  presidente da EcoJardim. Em gramados os problemas podem aparecer na forma de cigarrinhas e percevejos, apenas para citar alguns.

Pequenos, mas vorazes

Insetos sugadores como as já citadas cochonilhas, pulgões, percevejos e cigarrinhas atuam extraindo a seiva de folhas e flores e secretando um líquido açucarado que atrai formigas e favorece o crescimento de fungos que causam a diminuição da área fotossintética da folha.

  • Cleo Velleda / Folhapress

    No verão, as plantas estão mais suscetíveis ao ataque de insetos como pulgões, cochonilhas, besouros e ácaros rajados. Na foto, folha infestada por indivíduos adultos e ninfas de pulgão

As cochonilhas vivem em colônias e quase não se movimentam sobre as plantas. Elas geralmente se instalam sob as folhas, nos ramos e troncos das árvores e podem apresentar formas e tonalidades muito variadas: branco, marrom, avermelhada, verde ou enegrecida.

“Algumas espécies possuem corpo mole e se depositam sobre as plantas como se fosse algodão, enquanto outras têm uma carapaça dura”, diz Teresa Jocys, pesquisadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal do Instituto Biológico.

Com tamanho variando de 1 a 5 mm, os pulgões são perigosos por se reproduzirem rapidamente e atingirem principalmente folhas mais novas e delicadas. O resultado de um ataque desses insetos pode ser notado em pouco tempo, primeiramente através do aspecto enrolado e amarelo das folhas, depois pelo atrofiamento da planta.

Vale ainda atentar à ação das cigarrinhas, que além de sugar continuamente a seiva das plantas, injetam toxinas que causam deformações nas folhas. Um sintoma da infestação  por esse tipo de inseto é a presença de uma espuma branca - que lembra neve - e pode cobrir parte de galhos de árvores e gramados.

  • Antônio Gaudério/Folhapress

    As formigas provocam danos consideráveis às plantas cultivadas, sobretudo as saúvas e quenquéns, que cortam folhas e brotações

Os percevejos, por sua vez, provocam a secura das folhas. Esses insetos também apresentam tamanho e formas variadas. “Algumas espécies, inclusive, exalam odor desagradável ao serem tocadas (as conhecidas marias-fedidas)”, afirma Akira Paulo Takematsu, pesquisador do Instituto Biológico.

Numerosas e organizadas

Outras variedades de insetos a atacar os jardins, gramados e vasos são os sociais, como cupins e formigas. Os cupins se alimentam de materiais ligno-celulósicos (papéis, árvores e madeira em geral) e formam grandes colônias, atacando desde mudas recém-transplantadas até árvores adultas. Já as formigas provocam danos consideráveis às plantas cultivadas - sobretudo as das espécies saúvas (Atta spp) e quenquéns (Acromyrmex spp) - aos cortar folhas e brotações.

Igualmente vorazes, as lagartas são formas jovens de borboletas e mariposas e devem ter sua presença no jardim rigorosamente controlada. Isso porque elas consomem grande quantidade de alimento, causam desfolhamento da planta e, algumas espécies são gregárias, ou seja, formam galerias nos troncos ou folhas.

Entre as pragas que atingem as plantas ornamentais, há ainda os besouros, que podem alimentar-se de folhas, botões florais, flores e raízes. Assim como as lagartas, algumas espécies têm larvas que penetram nos caules e ramos formando galerias em seu interior.

Além de insetos, as espécies ornamentais podem ser atingidas por ácaros e moluscos. Vetores de viroses, os ácaros são semelhantes a aranhas minúsculas que tecem teias e formam grandes colônias. “Eles se alimentam raspando ou sugando a seiva do lado inferior das folhas, provocando manchas bronzeadas”, informa Takematsu.

Entre os moluscos, destacam-se as lesmas, normalmente incidentes em locais escuros e úmidos. Esses animais deixam um rastro brilhante e pegajoso por onde passam, além de rasparem e consumirem folhas, destruindo mudas pequenas e tenras.

Como evitar

Plantas bem adaptadas às condições ambientais tendem a ser mais resistentes ao ataque de pragas. Por isso, a primeira medida para evitar infestações é observar se a planta está bem irrigada e recebendo a quantidade adequada de luz, água e adubação. Esse cuidado deve ser observado tanto no verão, quanto nas demais estações do ano.

Outra recomendação é ter cuidado com a introdução de plantas novas no jardim ou próximas a outros vasos já existentes. Isso para evitar possível contaminação. Além disso, “é muito importante que seja feito trabalho preventivo junto aos vegetais, pois as mudanças de temperatura e a alta umidade propiciam não apenas o aparecimento de pragas, como também o surgimento de fungos e outras doenças típicas da estação que enfraquecem e podem matar as plantas”, acrescenta Vâner Silva, lembrando que o ideal é aplicar fertilizantes regularmente.

Como tratar

Uma vez detectada a infestação, deve-se dar preferência a métodos de tratamento orgânicos e seletivos. “Na floricultura em escala comercial é comum o controle químico de pragas, mas em pequenas áreas é possível empregar a pulverização de produtos alternativos, como calda de fumo e solução aquosa de sabão ou de detergente caseiro”, recomenda Takematsu.

A poda de limpeza para retirar partes de plantas infestadas é fundamental e deve ser feita sempre que necessário. No caso dos insetos, uma estratégia eficaz é o controle biológico através do uso de inimigos naturais das pragas, como joaninhas, tesourinhas e bicho lixeiro.

Insetos parasitóides como as pequenas vespinhas também podem se tornar grandes aliados na batalha contra pulgões. Isso porque eles depositam seus ovos dentro do corpo dos pulgões e suas larvas alimentam-se o do conteúdo interno do hospedeiro. Com o tempo, o inseto parasitado é mumificado, adquirindo aspecto e coloração diferente dos demais.

“Mas é importante que essas múmias não sejam removidas, pois elas iniciarão uma nova geração de parasitóides que atacarão outros pulgões sadios, dando início a outro ciclo de parasitismo”, alerta Jocys, ressaltando que nem todos os insetos presentes nas plantas cultivadas devem ser retirados ou exterminados.

Diante da presença de lesmas, a melhor solução é também a mais simples: retirar os moluscos individualmente. O uso de algumas armadilhas pode auxiliar nessa tarefa. Um exemplo é embeber um pano em leite e deixá-lo próximo às plantas. As lesmas são atraídas pelo leite e se abrigam sob o tecido durante a noite. No dia seguinte, basta recolher o pano com as lesmas, que deverão ser eliminadas.

 

Aprenda a receita de calda de fumo para controle de pragas em jardins

Ingredientes:

250 g de fumo de corda
100 ml de álcool comum
1 l de água fervente

Preparo:

Coloque o fumo picado em uma vasilha. Em seguida, acrescente a água.

Tampe e deixe a mistura em repouso por 24 horas. Passado esse período, agite bem o conteúdo. Filtre o líquido em pano fino espremendo bem para retirar o máximo de extrato. Adicione o álcool, que servirá de conservante para a solução. Guarde a mistura em frasco escuro.

Para o tratamento das plantas infestadas, dilua 100 ml da solução de fumo em 1 litro de água. Em seguida, acrescente dez gotas de detergente caseiro (para quebrar a tensão superficial da água) e pulverize a mistura sobre as plantas. Aplique sobre as plantas o quanto for necessário.

Fonte: Instituto Biológico de São Paulo

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