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Reforma conserva detalhes originais do século 19 em casa de NY

Bruce Buck /The New York Times
Casa no Chelsea, NY, foi restaurada e recuperou detalhes do século 19 como detalhes no teto e esquadrias imagem: Bruce Buck /The New York Times

Penelope Green

Do The New York Times, em Nova York

Nova York – Na cidade de Nova York, para ser bem-sucedido em negócios imobiliários é preciso ter, basicamente, três qualidades: paciência, nervos de aço e a mais pura sorte. George Fares, 56, um produtor de comerciais de TV, parece ter todas as três.

No começo dos anos 1990, depois de se mudar de um estúdio de 28 m² em Yorktown (onde pagava US$ 265 de aluguel) para um apartamento de um quarto no Upper West Side (cujo aluguel era de US$ 1.100), Fares começou a procurar uma das clássicas casas de arenito vermelho da cidade, as "townhouses". Ele achava que - um dia - iria gostar de viver em uma dessas moradias e que, de qualquer maneira, isso seria um belo investimento, particularmente, se encontrasse uma propriedade multifamiliar. 

Cinco anos se passaram antes que Fares fizesse uma oferta pela casa do final do século 19 no Chelsea – uma proposta que não foi aceita. Seis meses depois, o imóvel estava à venda novamente e ele a comprou por pouco mais de um milhão de dólares.

A casa abrigava, então, cinco apartamentos. Mas seus detalhes, como os frisos de gesso tão intrincados quanto a cobertura de um bolo de casamento, as lareiras de mármore entalhadas com motivos florais e as portas com almofadas e vidro jateado, estavam intactos.

Aliás, o próprio apartamento que Fares passou a ocupar havia virado um “condomínio”. Na época, o produtor conheceu um jovem arquiteto, Julian King - agora com 44 anos -, que praticava um tipo de modernismo cuidadoso e sensorial. King criou para Fares um apartamento de solteiro bacana, todo de madeira clara e concreto.

Quando os demais apartamentos da "townhouse" vagaram, Fares pediu para King arrumá-los para os próximos locatários. Em 2009, os apartamentos do térreo e do primeiro andar também foram esvaziados e Fares se mudou. Ele e King planejaram uma reforma que removesse os erros contemporâneos, mas que deixassem intactos todos os detalhes do século 19.

  • Bruce Buck /The New York Times

    Na base da casa em NY, uma ampla porta corrediça de vidro é capaz de integrar completamente a suíte master ao jardim

O restauro

No primeiro andar, um pequeno quarto bege com lintéis [peça estrutural ou apenas decorativa colocada no alto das janelas] pintados tornou-se uma aberta e arejada cozinha e sala de jantar. A cozinha original, uma pequena caixa apertada no térreo, transformou-se no quarto principal. Nele, a parede de vidro é praticamente invisível. De fato, a parede é uma porta de correr com a propriedade de desaparecer quando aberta para o jardim.  

Tudo foi pintado de branco. O piso de tábuas de pinho rústico foi alvejado e os cômodos foram minimamente mobiliados para destacar ao máximo ornamentos arquitetônicos (aqueles gloriosos frisos de gesso!).

A reforma feita por King exige várias particularidades, como a pia de pedra maciça chumbada na parede do banheiro principal. Mas, diferentemente de muitas versões desta fantasia minimalista, em que os canos ficam escondidos em uma parede (e que Deus nos ajude quando o inevitável vazamento acontecer), King escondeu o encanamento em uma delgado banco/aparador de teca. E, quando você abre o armarinho sobre a pia, pode ver o tijolo da parede que fica entre esta casa e a vizinha, uma revelação arqueológica gratificante. 

King também deslocou a parede de fundo da cozinha em 45 cm e escondeu, ali, todo o encanamento. Pela casa, o ar agora passa por trás do atraente boiserie floral, que foi recriado pela Architectural Sculpture and Restoration, uma empresa do Brooklyn especializada em ornamentação. Do lado de fora, o deck do primeiro andar está ligado ao jardim por uma escada de aço e madeira, acompanhando uma parede que mascara mais canos e dutos. Arrematada no alto por um canteiro de plantas ornamentais, surgiu ali um volume muito agradável.   

O custo do projeto de 230 m² foi de cerca de US$ 200 por cada metro quadrado e levou dois anos e meio para ser concluído. Por Fares, tudo bem (veja o item “paciência”, anunciado acima).

King, que trabalhou na casa por quase sete anos, afirma: “realmente tive a oportunidade de conhecer a casa. É o que sempre digo aos meus clientes ‘viva na casa por um ano antes de fazer qualquer coisa, assim você pode entender como o sol incide ali, além de conhecer todos os seus hábitos’”.

Tradutor: Erika Brandão e Daiana Dalfito (edição)

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